Bem… e se…?

O sexo é algo que mexe com quase todas as pessoas pessoas. Não pela mecânica da excitação sexual e do orgasmo. Mas sim pelos seus valores e significados que não são claros, mas estão há tanto tempo na nossa sociedade que muitas vezes não são questionados.

Você até então não teve interesse por sexo… sempre achou algo banal… algo irrelevante para um relacionamento. Até que seu pensamento começa a mudar. Mas novamente de uma maneira não muito clara. Você começa a imaginar como seria importante ou significante fazer sexo com alguém que você gosta muito, ou com alguém que potencialmente você gostaria muito. Ou mesmo com um desconhecido ou com um amigo colorido…

Então você começa a se questionar: será que realmente não gosto de sexo? Será que vou gostar? E se eu não gostar?! Será que vou ficar dependente disso? Será que não conseguirei mais viver sem sexo?… Realmente é uma situação confusa.

Mas talvez você nunca tenha parado para pensar no esse desejo quer dizer…

Vamos pensar um pouco. Será que seu desejo tem fundamento? Suponto que seu interesse inconsciente seja pelo prazer… o que faz você pensar que o prazer sexual é tão poderoso assim? Até uma montanha russa pode provocar um conjunto de emoções muito mais intenso! Qualquer droga “ilícita” pode criar um prazer incomparável… e eu não acho que você tenha uma fixação em montanhas russas e espero que não use drogas.

Pense bem… é o prazer que você procura? É lógico que não. Então… o que seria?

Poríamos ficar falando aqui sobre as mais diversas ilusões que nos (assexuais) fazem sentir um estranho desejo por sexo. Mas eu acredito que existe dois grandes fatores:

Rito de passagem; o rito de passagem pelo sexo é uma das coisas mais antigas que a humanidade já inventou. Ele foi perdendo suas formas mais espalhafatosas, mas foi progressivamente vez se infiltrando mais e mais dentro da nossa mentalidade comum. O que antes era um evento extremamente organizado e evidente hoje faz parte da vida de uma maneira que nem percebemos.

Logicamente esse é um rito desnecessário, como tantos outros. Mas até o momento em que o identificamos e o neutralizamos ele fará parte de nossas vidas e até certo ponto nos controlará.

Quase todos os produtos da nossa sociedade usam o sexo em algum aspecto. Até comerciais de colchão usam sexo para vender! É um ciclo vicioso, impessoal e incontrolável.

Na prática tudo se transforma numa grande pressão inconsciente sobre nós, e por nós me refiro a todas as pessoas. Então oprimidos por vocês que não sabemos a orgiem… e não sabemos suas formas… somos acuados e fragilizados.

As pessoas reagem das mais diversas maneiras diante de todo esse processo. Muitos entram em depressão, outros se matam (literalmente) e tantos outros sentem uma forte pulsão pelo sexo. Sem falar nas parafilias mais diversas que podem se desenvolver.

Valor emocional-relacional; no caso do rito de passagem, dito acima, a pessoa idealiza o sexo como um obstáculo/evento que acontecerá… e muitas vezes nem consegue imaginar aquele mesmo evento acontecendo 3 vezes ao dia… todos os dias durante quase toda a vida. Outros já conseguem…

Esses encaram o sexo como algum objeto de valor nas suas vidas. Enquanto uns imaginam que uma vez perdendo a virgindade poderão enfim ser felizes… outros encaram o que chamamos de “vida sexual”. Bem… se realmente o sexo tem tantos valores para você… tudo bem. Faz sentido que você o desej tanto. Mas o problema é justamente se esse valor realmente existe e se ele é real!

Ou seja… se você realmente pensa dessa maneira, ou está apenas projetando algum outro problema sobre o sexo. E se esse valor é coerente com o que você é.

Pense nisso! ;)

E sempre lembre-se que a frustração por não fazer sempre é bem menor do aquela pelo que foi feito e é irreversível. Por isso… tenha calma.

duas da manhã, por ela

Bem, são duas horas da madrugada… acho que ele já está dormindo. Agora posso ir… ou é melhor ficar por aqui mesmo? E se eu não for? O que ele vai pensar quando acordar?

O quarto é tão frio e sombrio. Nenhuma luz, apenas alguns reflexos da lua. Eu me aproximo da cama… tento fazer o menor barulho possível. Parece que Ele está dormindo. É… parece que sim… posso respirar agora.

Mas é melhor esperar um pouco… meu corpo quente pode acordá-lo. É melhor deixar meu corpo se esfriar. Olho para o criado mudo para pegar uma revista e vejo a gaveta um pouco aberta. Apenas documentos… mas algo me disse que deveria olhar mais cuidadosamente…

Um DVD. Algumas pessoas na capa… mas eu não conseguia identificar. Me aproximei da janela… e o conteúdo era óbvio. Eu sabia que Ele assista essas coisas… mas não sabia que ele teria coragem de trazer para casa. Para que ele precisava disso? Suas amantes já não bastam?

Uma vontade incontrolável surgiu em mim… eu queria colocar aquele vídeo no seu devido lugar e ir dormir em paz. Ou no que eu poderia chamar de paz. Mas não… eu não conseguia… minha mão tremia de ansiedade. Eu tinha que assistir.

A cozinha era o local ideal… a porta poderia ser trancada e ninguém iria imaginar. Coloquei o vídeo para tocar. E me sentei numa cadeira. Meu corpo todo demonstrava minha ansiedade… aquilo me empolgava… me fazia querer mais. Eu não sabia porque estava alí… mas eu já estava…

As cenas me causavam sentimentos ambíguos. Ao mesmo tempo que eu odiava o que estava fazendo… eu me sentia profundamente em paz… esquecia de tudo… e tomo meu corpo parecia se deliciar. Ou ao menos… não se importar. E por aquele pequeno tempo… eu me sentia outra mulher… uma mulher com poucos sentimentos, sim. Mas me sentia tudo. Eu gostava de ver até o fim… assim eu poderia sentir ao máximo… e me sentir viva por alguns minutos.

Quando tudo termina, e eu finalmente chego ao orgasmo. Eu sinto nojo. Eu tento continuar assistindo. Mas aquelas cenas são patéticas. Agora não me suscitam qualquer ansiedade… não me fazem idealizar qualquer prazer. Me sinto o mesmo pedaço de merda de sempre…

Eu não me movo por um longo tempo… talvez tentando fazer meu coração parar… e ter uma morte suave. Não sei… mas eu prefiro não mover… Mas nada muda… agora está feito. E eu agora posse me odiar em paz… odiar meu marido em paz… odiar até meu filho com grande satisfação. O que eu quero mesmo é todo esse ódio. Toda essa raiva. Depois da loucura… a raiva é minha melhor amiga… ela me faz sentir viva… ter um propósito, um sentido. Uma razão para ser.

Eu não percebi o tempo passar… me esqueci de olhar o relógio. E fui para cama. Não me importava mais com nada… eu sentia tanta raiva que o que mais queria mesmo era uma boa briga.

Mas eu não sabia o que dizia… quando cheguei no quarto a luz do banheiro estava acessa. Ele estava acordado. Corri e me escondi debaixo dos cobertores. Talvez ele não percebesse minha ausência. Mas não adiantou muito. Ele subiu por cima de mim… sabia que eu estava acordada. E tentou me beijar… sua respiração quente me sufocava. Seu hálito tinha cheiro de remorso.

Seu corpo se contraia contra o meu… enquanto eu tentava não sentir… ou sentir… seria bom. Seria bom, não é mesmo? Mas eu não sabia exatamente o que queria naquele momento. Mas haviam sentimentos em mim que nem eu mesma poderia controlar… e isso me fazia sentir medo… eu queria controlar… e tudo isso me fazia controlar ele. Controlar o que estávamos tendo alí.

Segurei sua mão… e o puxei… o beijei com muita raiva. Senti seu corpo amolecer. Ele estava se entregando. O puxei para o lado… e desde então tudo que eu fazia era tentar controlar… e tudo que ele fazia era tentar possuir. Passamos algum tempo naquela disputa de pulsõs e desejos de ódios e remorsos.

Até que ele chegou ao orgasmo… eu pude me sentir vitoriosa. Me senti incrivelmente vitoriosa…

Uma brisa fria fez meu corpo se arrepiar… o presságio de algo que eu sabia que era inevitável. Então me entreguei a mim mesma. E por fim cai no sono.

No dia seguinte eu pude me acordar com o mesmo remorso de sempre. Ele não estava mais em casa… e meu filho já estava na escola. O sol brilhava… era lindo. Mas eu não conseguia sentir o sol. Um passarinho cantava sarcasticamente na minha janela… mas eu não conseguia ouvir. Meu cachorro me fazia um carinho gostoso nas pernas… que eu não conseguia sentir.

Depois de um bom tempo… meu corpo zumbificado se levantou… e se sentou no sofá da sala… automaticamente liguei a TV. E fui mudando de canal em canal tentando procurar algo interessante. Num programa de auditório muitas mulheres semi-nuas dançavam… seus belos corpos e sorrisos radiantes me faziam querer ser feliz como elas. Todos os homens as admiravam… isso devia ser bom. Devia fazer a vida ter algum sentido. Eu não sei… mas queria aquilo.

Num outro canal… alguns jovens revesavam pela disputa de uma garota. Ela parecia radiante… ria o tempo todo, estava feliz. Eu queria ser como aquela garota… tantas pessoas se importando comigo. O que eu mais gosto na TV é que eu não pensar… ela me ensina exatamente como posso ser feliz… pena que eu nunca entendo exatamente como chegar lá… talvez eu seja burra demais.

O telefone tocou! Eu tomei um susto… meu coração começou a bater sem parar… será que era ela? Será que ela se lembrou de mim?… Algum movimento ninja me fez agarrar aquele telefone de onde eu estava… atendi com tanta força e energia que pude ouvir minha própria voz retornando.

Mas era apenas uma cobrança de dívidas. Eu não pago as contas sabia?

Se há um sentimento que faz parte de mim é a frustração… o dia já havia começado e eu já podia me sentir eu mesma… a velha desgraça ambulante que habita esse miserável mundo.

Por que as pessoas são assim? Por que ela não me ligava… será que ela não sabe como mudaria meu dia? Enquanto pensava a campainha tocou… era Marta. Ver seu rosto me deu um profundo cansaço… eu não consegui ao menos dar um oi. Ela me abraçou… com se quisesse me fazer acordar… olhou para os meus olhos profundamente… acariciou meu rosto com sua mão macia… e sem mais palavras me deu um beijo e foi embora.

Minha comunicação está ficando mais efusiva a cada dia. Em breve não precisarei mais falar palavra alguma.

E ainda me pergunto porque as pessoas fogem de mim…

Eu não mereço pessoa alguma… o mundo não me merece. Eu sou a condensação de toda a desgraça existente. A campainha tocou novamente… era Jesus, o jardineiro. Mas que deveria trabalhar como ator… ironicamente foi isso que ele tentou fazer antes de entrar no fundo do poço.

Ele me cumprimenta com toda sua educação formal… não olha nos meus olhos e segue seu caminho. Enquanto eu assisto TV Jesus faz seu trabalho suado no nosso jardim… ver todo aquele esforço me fez sentir pena dele… o convidei para tomar um banho e almoçar comigo. Eu estava tão sozinha… e Jesus era uma das únicas pessoas que me faziam alguma companhia.

Em pouco tempo estávamos atracados fazendo algo que chamamos de sexo, no banheiro. A única diferença entre Jesus e meu marido estava no quanto eu o odiava… Jesus me trazia uma certa paz… uma certeza de que eu não teria muito com o que me preocupar. Falávamos pouco… eu não me sentia segura com Jesus, mas me sentia segura comigo mesma. E isso bastava para querer sua presença.

Por algum tempo eu pude me sentir aquilo que minha mãe sempre sonhou para mim. E isso me fazia muito feliz… Eu pude cuidar de um homem, como ela sempre me disse que eu deveria. Meu marido não me dava esse gosto… na verdade ele não me dava gosto algum. Enquanto eu estava com Jesus eu podia sonhar…

Uma ilha tropical, uma pequena casa de madeira, um lindo mar, nenhuma TV e nenhum ser humano por perto. Esse era meu sonho. Um sonho perfeito. As vezes penso que o que eu mais gosto em Jesus é o fato de que com ele eu posso sonhar… não ligo para sexo… não ligo para seus beijos… Jesus para mim servia como um objeto. Como tudo em nossas vidas. Um objeto que me dava o prazer de sonhar.

Por que então eu fazia sexo com Jesus? Ora… o que faria? Como teria sua atenção? Como teria sua presença? Mas logo ele teve que ir. Meu filho estava chegando… um garoto de 14 anos. Que em muito parecia com o pai. E tolo o bastante para ter o mesmo fim. Uma de suas gavetas é lotada de cartas de amor… de uma garotas mais estúpidas do que eu. Uma outra é lotada de bonecos, revistas e livros dos seus ídolos. Homens que não eram humanos… gente que nunca viveu. Mas que alimentava as fantasias do mais novo produto da fábrica humana, meu filho.

De longe eu não me importava. Em casa ele tinha apenas um regra: nunca, em hipótese alguma, trazer pornografia. Isso o fazia ter uma imagem puritana dos seus pais. Mas o que eu queria mesmo era não ter que adoecer todas as noites. E poder fingir que sou diferente.

A tarde passo fazendo as tarefas de uma boa dona de casa… isso me faz esquecer da vida. Me faz pensar na minha mãe… em tudo que ela me ensinou. Boa parte de toda essa merda que chamam de minha vida é graças à ela. Mas eu não ligo. Contraditoriamente me sinto bem em me lembrar de todos os seus ensinamentos. E assim as horas passam… até que meu marido chegou do trabalho… e eu não o percebo… na verdade não me importo, a não ser pela sensação de sufocamento constante.

Prefiro ir dormir… assim nos desencontramos na cama… ele não perde seu tempo falando comigo, felizmente. As vezes me pergunto se gostaria de ser tratada como um ser humano… e não como um mero objetivo de sua vida pública ou de seus fetiches sexuais. Mas no fim eu não me importo… não sei o que quero. Ou melhor… sei sim! Quero dormir e se possível não acordar.

Boa noite.

E se eu não gostar?

Anteriormente eu falei sobre uma das primeiras dúvidas que uma pessoa assexual tem quando busca fazer sexo. Em seguida a dúvida que surge é justamente “e se eu não gostar?”.

A grande questão é porque essa dúvida existe. Afinal… o que eu perderia por não sentir muito prazer ou por não gostar no conjunto completo?

O problema é simples: as pessoas não buscam o sexo por si só. Buscam o que o sexo significa… e para mais esse significa é a normalidade. Falei sobre isso num post anterior, assim como tenho falado em todo o site.

Esse medo sempre vai existir quando o sexo for desejo por conteúdos que não fazem necessariamente parte dele. O que acontece quase sempre.

O maior medo das pessoas na hora do sexo é simplesmente não satisfazer o parceiro. Quanto altruísmo! A humanidade está mudando tanto assim? Não… satisfazer o parceiro não é sobre amor… é sobre a nossa boa e velha amiga insegurança.

As pessoas vivem num clima constante de insegurança… e todas as soluções são longas e não muito práticas. Enquanto a normalidade sempre oferece uma solução rápida e prática. Basta ser normal!

Mas uma pessoa normal gosta de sexo… e se eu não gostar? Será que posso fingir e meu parceiro nem vai perceber? Mas e se eu não conseguir fingir? E se eu não aguentar fingir para sempre? Quero ser normal!!!

Amarga agonia…

Bem… eu já disse que esse é um caminho vão… mas para aqueles que realmente acham que vale a pena “mudar” e buscam uma vida normal através de uma vida sexual… o caminho é o mesmo do proposto anteriormente.

Não existe solução mágica. Você terá que encarar de frente… ou seja: fazer sexo. E talvez consiga gostar. Ou não. E talvez consiga se sentir normal. Ou não.

Mas é o único caminho possível.

Mas se você realmente não gostar… existem dois outros novos caminhos: (1) procurar mudar esse sentimento através de terapias, drogas, etc. Ou (2) parar de tentar ser normal.

E se eu gostar?

A partir desse post começarei uma série de artigos sobre a transição do pleno desinteresse sexual para um total interesse sexual. Com isso quero atingir o maior número possível de pessoas que se encontram nas diversas variações de intensidade da sexualidade.

Muitas pessoas conflituam com a sua própria sexualidade. E para muitos a assexualidade acaba se tornando uma religião. Algo que faz parte de suas vidas… algo que é inútil e apenas retrógrado.

Logicamente uma pessoa pode querer deliberadamente evitar qualquer estímulo ao seu comportamento sexual. Isso feito de uma maneira consciente e sem neuroses pode ser bastante produtivo e tornar a vida muito mais simples.

Mas nem todos escolhem esse caminho. Muitos querem realmente mudar… mesmo que seja só um pouco. Normalmente o suficiente para satisfazer seus parceiros sexuais. E para esses vou começar uma série de textos que tentarão ajudar com os conflitos mais comuns.

Inicialmente um dos conflitos mais comuns é o “e se eu gostar?”. Mesmo os assexuais que querem fazer sexo para satisfazer alguém… ou por qualquer outra razão ainda mais boba… ficam extremamente preocupados acerca de algo tão bobo

Antes de mais nada a grande questão é entender que o processo da relação sexual é exageradamente vasto. E raramente duas pessoas gostarão do sexo pela mesma razão. Alguns gostam até mesmo porque sentem que estão fazendo o devido trabalho de homem, ou de mulher. Se sentem satisfeitos por conseguirem atingir a normalidade. Outros gostam de estar no controle de uma situação… e por aí vai. Existem milhares de razão… e prazer nunca é uma delas.

O prazer que o sexo realmente pode fornecer é efêmero e relativamente insignificante. O estímulo das áreas erógenas… é só um estímulo… esses estímulos não podem por si só dar um grande prazer e muito menos mudar o estado de percepção, humor e consciência de uma pessoa. Algo que faz parte da relação sexual.

Particularmente acho esse ponto interessante. Muitos sentem emoções que variam entre medo e nojo quando são tocados em suas áreas erógenas. Ou mesmo quando são tocados de maneira “provocativa”, em qualquer parte do corpo. Como se esse toque… por si só… fosse levar a pessoa a esse estado alterado.

Na série de artigos sobre a afetividade eu falei um pouco sobre a dedicação necessária para certas emoções. Em geral… quanto maior a intensidade do sentimento… mais dedicada nossa mente estará. O que pode dar uma impressão de transe. Mas na verdade tanto uma depressão profunda quanto o sexo mais selvagens são estados de quase total exclusivamente mental.

É praticamente impossível ler um livro e sentir prazer no sexo ao mesmo tempo. E ler ainda é uma capacidade cognitiva… mas pior ainda seria experimentar dois sentimentos específicos ao mesmo tempo. A excitação sexual, pela sua intensidade, não consegue coabitar com praticamente nenhum outro sentimento. O que muitas vezes acontece é que um sentimento se torna parte de outro sentimento maior. Por exemplo… o medo, mais especificamente a ansiedade, pode fazer parte do desejo sexual. E assim catalizar sua intensidade. Mas um medo intenso jamais coabitaria com um desejo sexual intenso. Salvo se a pessoa tiver algum distúrbio mental.

Esse estado exclusivo de consciência, humor e percepção que o desejo sexual requer é algo que quase todos os assexuais temem. Alguns apenas evitam… e outros realmente odeiam. É muito comum que projetem um sentimento de imundice sobre aquilo. Já que esse sentimento parece criar uma reação fisiológica oposta ao esperado.

Ora, o que gera toda essa rejeição é difícil dizer. Mas em geral tudo remete a sair de sua zona de conforto e entrar num território inexplorado.

Acontece que diferentes estados emocionais possuem diferentes níveis de sugestibilidade, emotividade, sensibilidade, etc. Os hipinóticos sabem muito bem sobre isso… e sabem que o ambiente emocional de uma pessoa é fundamental para o sucesso do transe. Na vida real nosso humor interfere de forma bastante prática, tanto de forma direta quanto indireta.

Diretamente um estado de humor mudará nossas capacidades cognitivas e até físicas. Indiretamente mudará a percepção sobre quem somos.

Em ambos os casos estamos lidando fortemente com nossa zona de conforto. O medo não é do sexo em si… muito menos do prazer… nem muito menos de gostar. No fim das contas o medo é sobre quem somos ou seremos para nós mesmos e para o mundo.

Afinal… quem sou eu?

Um estado diferente de humor implica numa nova percepção de quem somos. Do que somos capazes, do que queremos, o que podemos fazer… tudo! Tudo muda! Assim como muda nossa sugestibilidade. Podemos fazer aquilo que nunca faríamos antes. Não sabemos como lidar com isso. E isso consequentemente cria muito medo.

A forma como as pessoas nos enxergarão também muda bastante. Muitas vezes, dentro de um namoro – por exemplo, o homem ou a mulher passa sempre uma imagem de “pureza” e “inocência”. E como o relacionamento foi construído em cima dessa imagem a pessoa teme desconstruí-la para seu parceiro e assim, consequentemente, mudar toda a mecânica de sua relação e até mesmo destruí-la.

Inicialmente começamos com uma dúvida e agora terminamos com outra ainda maior. No primeiro caso, quando estamos lidando com esse território inexplorado, a solução é relativamente simples. Não podemos fazer nada que não existe em nós mesmos. Ou seja… é impossível despertar uma devassa incontrolável que não existe em você. Logicamente existem certos “fantasmas” que nos habitam. E muitas vezes sabemos disso, mas escolhemos por escondê-los ao invés de tratá-los.

Nesses casos… quando se observa que existe algum comportamento realmente desagradável e indesejável dentro de um estado de excitação sexual… o ideia é buscar ajuda profissional.

Muitas pessoas propositalmente mudam completamente seu comportamento habitual dentro de uma relação sexual, mas fazem isso deliberadamente e de maneira controlável. Elas utilizam esse recurso para provocar um maior nível de excitação psicológica e suscitar alguns outros sentimentos que podem catalizar o prazer do ato. Mas sabem o que estão fazendo e se sentem no controle da situação.

Quando uma pessoa não tem toda essa consciência e não se sente no controle dessa situação ela realmente pode criar situações que podem chegar a agressão emocional ou até mesmo física. Em todo caso, deve-se buscar ajuda médica.

Além disso… aqueles que não observam esses “fantasmas”, mas apenas temem que eles surjam ou criem-se do nada… não precisam temer. O ideal é que quem está determinado a começar a ter uma vida sexualmente ativa tenha coragem suficiente de começar. Isso é: se dispor a ir progressivamente da excitação sexual ao orgasmo. É muito improvável que nesse processo a pessoa entre em algum transe e mude completamente de personalidade.

Logicamente não é tão simples assim… e existem várias etapas entre um beijo e um orgasmo e até o pós-sexo que é parte fundamental do processo.

Para aqueles que não buscam o orgasmo ou dificilmente o encontrarão com um parceiro… basta encarar esse medo inicial. Muitas pessoas possuem pouca sensibilidade emocional para o sexo. E assim dificilmente chegam ao orgasmo. Muitas não conseguem manter a excitação sexual por muito tempo, por exemplo. Essas pessoas praticamente não precisam se preocupar com o estado alterado de humor… já que ele pouco existirá ou não existirá mesmo.

Aqueles que realmente buscam sentir o prazer sexual em todas as suas formas precisam aprender a desenvolver sua sensibilidade emocional para o sexo. Algo que pode levar muito tempo. Ou não. Depende da pessoa. Mas que nem sempre é 100% possível. E por ser um processo tão complexo sempre é indicado o acompanhamento de um profissional na área.

O outro problema é como nosso parceiro e as demais pessoas nos verão a partir daquele momento. O que é, na verdade, o maior desafio. Já que muitas vezes não há uma solução viável. E a única opção viável é realmente terminar com o relacionamento romântico e começar um novo, dentro de uma nova compreensão do que somos, queremos e como nos comportamos dentro daquela situação. E para as demais pessoas… apenas muito “jogo de cintura” e paciência.

E por aí vai.

Bem… espero ter sido claro, apesar da complexidade do tema. Qualquer dúvida podem deixar um comentário.

E só para constar: eu não apoio essa mudança comportamental (de assexual para sexual). E sempre aconselho que antes de tudo a pessoa passe um bom tempo se entendendo… e entendo tudo sobre assexual. Para só então tomar uma decisão que pode não ter retorno. Pense nisso!

A complexidade da Pedofilia

Se há uma coisa paradoxa e incompreensível é o comportamento da sociedade diante de alguns dos tabus mais antigos da humanidade e pedofilia e incesto. Ambos historicamente sempre conviveram juntos. O incesto ainda continua sendo muito descriminado… mas não com todo o ódio da pedofilia.

A pedofilia na verdade hoje apenas categoriza uma doença psicológico. E de fato… as características da pedofilia clínica são de uma doença mental. Mas a pedofilia como interesse romântico/sexual por crianças sempre existiu e nem sempre foi tão repudiada.

Na verdade toda a descriminação está sobre dois pilares: o abuso e o violência. O abuso se dá porque “teoricamente” pessoas com menos de 14 não possuem total consciência dos seus atos e não podem consentir em tudo que fazem. E a violência física ou psicológica que sempre ou quase sempre está presente nas reportagens sobre isso.

O que me intriga é que não existem grandes diferenças sensitivas entre adultos e crianças. Crianças inclusive podem chegar ao orgasmo ainda nos seus primeiros dias de vida. E isso acontece com grande frequência… muito mais do que adultos que praticam sexo com regularidade. Toda a diferença está no sistema reprodutor propriamente dito. Uma criança de 8 anos ou mulher de 30 anos poderão sentir um orgasmo na mesma intensidade.

É claro que nossa cultura ao mesmo tempo que tornou o sexo algo “nojento” colocou sobre as crianças a graça de serem puras. Então nos condicionamos a acreditar que crianças são incapazes de ter uma sensibilidade tão estimulante… e de que não fazem ideia do que é um orgasmo. Na verdade muitos nem querem aceitar isso… odeiam apenas essa ideia. Mas os fatos são fatos.

Agora, se uma criança pode sentir o mesmo que o um adulto senti… e aproveitar esse momento e ainda quererê-lo novamente… por que não aceitamos a ideia de um adulta fazendo sexo com uma criança?

É até comum encontrar casos nos jornais de pessoas entre 8-12 anos que fazem sexo com outras com mais de 20. E esses casos são chamados de pedofilia. Mesmo quando o menor possui total consciência do que está fazendo, gostou do que fez e se sente totalmente confortável para continuar sua relação com o adulto. Não foi violentado e não se sente abusado… e muitas vezes o adulto realmente não abusou da criança em momento algum e também nem chegou a manipulá-la com ilusões ou presentes de segundas intenções.

O que me intriga é que se sexo é algo bom… algo que deve ser cultivado… que até trás benefícios para a saúde… que ajuda a relaxar… que ajuda em praticamente tudo na vida(!)… por que tratamos a relação sexual/romântica entre crianças e adultos dessa maneira?

Será que vemos nessas relações tudo que não vemos numa relação “normal”? O que seria?

Obviamente não apoio a pedofilia… assim como não apoio a sexualidade… mas são perguntas as quais gostaria de ouvir respostas.

E conhecereis a igualdade…

Vamos lá, novamente…

Rafael:

Olá Julio, não faz muito tempo que eu descubri seu blog ( na verdade alguns dias ) e estou extasiado com tudo que vi e li.

Bom, eu não sei exatamente se sou ou não assexuado, se tenho problemas piscologicos ou não, problemas de saúde ou não, mais o que acontece comigo é um tanto engraçado (pelo mens eu vejo graça nisso ). É o seguinte, tudo começou quando eu tinha por volta dos 15 anos, eu sempre fui uma criança normal, com uma educação normal, pais normais, e vida normal, tinha amigos e tinha uma relação normal com todos (percebi que você não gosta muito da palavra normal mais é a unica que eu conheço).

Quando criança eu tinha um certo sobre-peso, na verdade mesmo eu era bemmmmm gordo kkkk, mais isso não era o problema, como disse…tinha uma vida normal. Mais tinha algo errado e isso começo a surgir e as coisas começaram a não ser tão normais assim, porque? Por que eu ouvia meus amigos falarem de sexo, de garotas, de beja na boca com 12 anos, e eu nem sabia o que era isso, ficava pensando como era essas coisas, tipo beja, namorar e tudo aquilo, e não entendia absolutamente nada. Os meses se passando e o ano indo embora eu acabei me interessando por uma certa menina que estudava comigo no primario (amor de adolecente) na verdade nem sabia se gostava mesmo dela porque eu nem sabia o que era gostar e tudo mais. Só que essa brincadeira de gostar mudou minha infancia, porque um dia eu resolvi contar a essa certa menina que eu gostava dela, mais ela disse que jamais ficaria comigo por que era gordo, vai vendu que vaca!!! Isso definitivamente acabo comigo, eu me senti um idiota por ter dito aquilo pra ela e por ouvir ela dizendo tudo aquilo pra mim, acabei ficando ruim, e entrei num estado de ”anorexia’ por assim dizer, e perdi simples 15kg em apenas 7 dias =D fiquei lisinho!!! Depois de dias internado e algumas sessões com piscologo eu melhorei e muito, porque havia perdido 15 enormes kilos e estava bem de saude.

Alguns meses depois de tudo isso eu acabei ficando com uma amiga minha que ja nos conheciamos desde criança, ela sempre gosto de mim, mais como ela era cerca de 2 anos mais velha do que eu, acho que pegava mal ser ”papa anjo”, e certamente ela espero eu ”crescer” um pouquinho mais para tentar algo diferente, ela foi minha primeira namorada e consequentemente meu primeiro beijo tambem foi com ela, e nessa altura eu ja passava dos 16 anos, e foi ai que a coisa começo a feder meu caro JULIO, porque eramos socios de um clube e ficavamos ate tarde na piscina e sabe né piscina, sunga, biquini, pouca roupa, muito contado, escuro, e bla bla bla, só que eu não sentia nada, eu não tinha ereção e estar la dentro da piscina com ela era ”normal” não sentia absolutamente nada, nem com toque, nem com nada, era como se eu estive a 200 m de distancia dela, não sentia a presença dela, em casa era a mesma coisa, em festas era a mesma coisa, bebado, não bebado, nada fazia diferença, eu não me exitava de forma alguma, o mais engraçado disso tudo é que eu conseguia me masturba perfeitamente quando asssitia filmes porno no computador ou quando tomava banho e pensava nela!! Mais a coisa começo a ficar feia, porque ela começou a me questionar o porque que eu não sentia atração por ela, e eu não sabia o que responder, foi quando a cobrança ficou muito forte eu resolvi inventar uma dsculpa pra ela, disse que não estava preparado para ter namorada, que eu era muito novo e bla bla bla, ela acabo ficando pessima mais eu resolvi o problema com ela.

Mais logo vieram outras meninas, e outras, e mais outras, e com todas a mesma coisa, alias a falta da coisa, eu não sentia absolutamente nada com nenhuma delas, podiam ser bonitas, feias, gordas, magras, modelos, nenhuma menina me dispertava, mais sempre ficava o dilema do porque eu tinha uma ereção quando me masturbava mais não conseguia me excitar com uma garota, comecei a me questionar se o meu negocio não era garota e isso me deixva muito louco, porque sempre fui idolatrado por meninas,e sempre tinha agluma querendo ficar comigo, mais eu nunca tive medo de fazer as coisas, sempre fui livre para fazer o que me bem entender, e ficar com homens por mais que fosse ruim naquela epoca era melhor do que continuar na duvida por anos e anos.Não foi dificil, pelo motivo que, do mesmo jeito que haviam meninas afim de mim, eu descubri que existia o dobro de ”meninos’ afim tambem. E eu tentei, eu falhei, porque com meninos tambem não senti absolutamente nada, nem mais velhos, nem mais novos, nem com fortes e nem com fracos, e isso me deixo muitooooo confuso, por que se meu negocio não era homens e nem mulheres era o que intão? Quando eu comecei a ficar com homens a coisa ja tinha se elevado a um patamar um pouco maior, porque eu ja estava com 18 anos e nessa fase eu não tinha nenhum amigo virgem, a não ser os mais novinhos, mais o sexo em si nunca foi uma grande dor de cabeça, o que me deixava muito ruim mesmo era as conversas que rolava entre eles e que eu era obrigado a ouvir eles dizendo que ficavam molhados de tanto tesão, ou ouvir os mais velhos e de mesma idade que a minha dizendo que ”gosaram” 2x, 3x, e que foram na zona e faziam orgias e bla bla bla. Eu simplismente não tinha assunto, não tinha nem a mesma experiencia que as crianças tinham, e na idade deles ao inves de eu estar me melando nas calsas por ficar com uma menina eu estava aprendendo a me masturbar e dando meu primeiro beijo na boca.

Essa hitoria de sexo estava de me deixando louco e isso se prorrogou por mais 2 anos chegando aos dias de hoje, depois de muito barulho na minha cabeça e muita coisa rolando na minha vida, ( tive um namoro hetero e um namoro homo para tentar discubrir na intimidade diaria algumas coisas, mais tambem não deram certo ) tive varias oportunidades de fazer sexo, com pessoas desconhecidas tanto com homens tanto com mulheres, e com pessoas amigas, mais de nada adiantou, fui em puteiros, casas e boates gls mais de nada adianta meu caro amigo, e hoje com 22 anos a unica coisa que me motiva a continuar é um grande amigo que nos momentos de angustia por não conseguir, me abraça, me apoia, e nunca me faz desisitir com suas doces palavras de amizade. Infelismente não sei explicar, mais não sinto atração, vontade, nem tesão na hora que estou com alguem, acariciando, beijando, tocando, ou qualquer tipo de coisa, mais sinto tesão me masturbando, seja com filmes heteros ou homo.Isso que torna engraçado para mim.

Ps: desculpe pelos erros de portugues, não sou muito fã disso =]

agradeço desde já

abraços

meu nome é rafael

Júlio:

Olá Rafael… eu não sei se existe termo técnico para isso… Mas para você entender melhor a coisa funciona mais ou menos assim…

Nossa resposta meramente fisiologica aos toques na pele para a excitação sexual… é muito pouca, lenta e com baixa intensidade. Ao menos 90% de todo nosso desempenho sexual está na cabeça. O resto depende do funcionamento normal do nosso corpo. Como no seu caso você felizmente me esclareceu que fisicamente está tudo bem… então todo seu “problema” é meramente psicológico.

Mas como isso acontece?

Ninguém sabe exatamente como funciona… mas tudo é basicamente uma questão de reflexo condicionado…

Um exemplo bem simples é a salivação… salivar é um processo FISIOLÓGICO que acontece quando a comida entra em contato com a língua e provoca sabor… assim começamos a salivar… mas com o anos de desenvolvimento passamos a salivar SÓ DE VER uma foto de uma comida… A mesma coisa acontece com o sexo… o processo é parecido, mas não é igual.

Durante nossos primeiros anos de vida construímos ELOS entre imagens (ideais, sons, palavras, etc)… com nosso processo de excitação sexual e psicológica.

Só pra constar: existe exitação sexual-fisiológica e sexual-psicológica… ambas são diferentes entre si… a fisiológica é o processo de ereção, por exemplo… enquanto o processo psicológico é o desejo, o tesão, o estado de euforia, etc… Uma pessoa pode se excitar fisiologicamente e não ter excitação psicológica. Seu pênis fica ereto… mas ele não tem o menor desejo… Enquanto outras podem ter o maior desejo… mas nenhuma disposição fisiológica.

Outras pessoas são como você… desepempenham uma função fisiológica e psicológica muita baixa ou até inexistente…

O que acontece é que… teoriacamente… você não desenvolveu um elo entre a pessoas REAIS e o erotismo. Ao mesmo tempo que desenvolveu esse elo com a pornografia ou mesmo com a imaginação. Uma coisa é um produção fantasiosa… e outra é a realidade…

Por exemplo… na fantasia (num video-game) podemos matar monstros… degolar pessoas… atirar no presidente… mas na realidade… temos medo de moscas!

O que você faz quando está imaginando sexo, é totalmente diferente, psicologicamente falando, daquilo que você experimente na vida real.

Por isso você sente pouca ou nenha excitação de qualquer ordem… Bem… poderíamos falar disso por horas… Mas a questão é que tudo pode mudar… ou não…

Existem diversas pessoas e empresas especializadas em “programar” o cérebro humano para o processo sexual… Se você quiser… pode procurar o Boston Medical Group e eles “resolvem” isso em dois tempos…

Outra opção é apenas verificar se talvez exista algo realmente errado com seu corpo… e havendo (e corrigindo) ou não havendo… continuar sua vida numa nova perspectiva, já que agora você sabe o que acontece com você e o que é assexualidade… e terá a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

Não é uma questão entre escolher o céu ou o inferno. É apenas o que você quer… milhões de pessoas todos os dias escolhem a “normalidade”… entram nos consultórios e saem “curadas”… ou se não conseguirem a “cura” entram em depressão ou algo pior… outros preferem viver ao seu modo…

Aí é com você. Continue lendo o site… qualquer coisa estou por aqui ;)

Um abraço!

Rafael:

Ola meu caro Julio, quanto mais leio o seu blog mais fico extasiado com tudo que vejo, mais uma duvida que eu tenho e a seguinte.

Você axa que o fato de eu não ter desenvolvdo esse ”elo” com o real pode ser considerado por eu não ter tentado nada com alguem um tanto mais intimo? como um amigo ou uma amiga? alguem de confiança, que me passe confiança não somente em termos de sexo mais sim de vida?

Não sei, me parece tão vago essa ”coisa”, sua explicação não poderia ser a melhor, e eu concordo com isso que vc disse sobre criar elo com o imaginario e não com o real, não creio que eu tenha problemas fisicos ou fisiologicos, tão pouco creio que tenho traumas piscologicos, penso mesmo que me apeguei tanto a imaginação e a fantasia que me esqueci de viver o real, e agora que necessito do real, não sei como obter prazer nisso.

Como havia lhe dito no outro e-mail, nunca tive medo das coisas..mais nunca procurei um medico ou especialista porque como eu afirmei, não acredito ter problemas fisicos ou pisicologicos, não sei se eh legal pergunta isso a você mais queria que me falasse ao menos um certo caminho a seguir, ou quais opções eu tenho, ou ao menos se existe um tipo de pessoa certa com que meu ”cerebro” pode concorda entende? Não faço ideia o tipo de pessoa que devo procurar para tentar ter um prazer!!!

Eu esqueci e lhe mensionar um detalhe, tem certos tipos de pessoas que com o toque me estimulam, tenho um amigo que com um simples abraço, e o toque do corpo me estimula, me exita. Mais mesmo assim é somente com o toque, somos bons amigos e ele sempre dorme em casa, durmimos e dividimos a mesma cama, tomamos banho junto, e toda vez ele pega no sono mais rapido do que eu, PS: ele curte que eu faço cafune nele ¬¬, quando ele dorme eu paro e fico admirando ele, pensando como eu poderia me atrair fisicamente por alguem se nem por ele eu sinto desejo, o vejo no banho e participo do banho, porra velho, não faz sentido algum entende? Ta é claro que meu sentimento por ele é de totalmente fraterno, mais se alguem que depois de anos nunca me exitou, como alguem do nada faria isso? Como depois de anos e anos vendo-o nu e deitando com ele na mesma cama nunca surgiu absolutamente desejo algum, meu corpo só responde se ele me tocar.

É estranho para minha cabeça, esse é só um exemplo, outro exemplo tambem é que eu me exito muito mais rapido vendo filmes lesbicos ou gays do que filmes heteros. Axo que eu realmente curto essa parada de 2 mulheres ou 2 homens =D só pode.

Mais não sei meu querido Julio, só queria discubrir a pessoa certa, porque quando eu discubrir quem é essa pessoa, ela sera a 2 pessoa mais feliz do mundo, porque ela me fara a pessoa mais feliz do mundo

obrigado

kalleu

Ly

Olá Rafael. Meu nome é Ly e eu ajudo o Julio lá no site. Espero que possa ajudar.

Primeiramente, acredito que seria interessante que você lesse o e-mail resposta do Julio, com mais atenção.

Até onde pude entender seu relato, o que te incomoda principalmente é a falta de prazer, no caso,o sexual; o qual você tem buscado de todos os meios.
Como já lhe foi dito, somos, desde a mais tenra infancia, levados a associar o prazer a determinadas manifestaçoes fisiologicas, com destaque para a pratica do ato sexual. Tal informação está gravada de tal forma em nosso subconciente que acreditamos que isso é extremamente ‘necessario’. Mas será que é mesmo? Ou você foi simplesmente levado a acreditar nisso? Pense nisso.

Você pode encontrar prazer num chocolate, numa musica, num sorriso carinhoso,com o vento tocando o seu rosto. Depende do valor/significação/peso que dá as coisas. Posso garantir que se pode ser feliz sem sexo. A amizade pode ser uma das fontes mais abundantes da vida. E isso você já parece ter. Preste mais atenção nisso tambem.

Mas se isso (sexo) realmente lhe faz tanta falta, acredito que sejá aconselhavel a ida a um médico; um especialista poderia ajudar. Talvez você tenha deixado passar algo, como por exemplo a não superação total da rejeição sofrida no passado, que te leva a um bloquei inconsciente.

A resposta poderia estar em você parar de buscar essa sensação em outras pessoas, no toque de alguem em especial, na visão de uma beleza em particular. Quando você parar de ter em mente sempre a perspectiva de ter ou não uma ereção, ou se sentir exitado com isso ou aquilo, pode ser que isso ocorra naturalmente. Não tenha pressa.

Tente se manter afastado um pouco de coisas que o estimulem artificialmente (sites de conteudo adulto, filmes, novelas). Elas podem te condicionar a um vicio nesse sentido. Direcione sua atenção a outras coisas, distraia sua mente desse assunto. Pode aliviar a pressão interna a esse respeito.

Quanto ao descobrir alguem… Não coloque as suas espectativas em terceiros. Não existe a pessoa certa. Todo mundo pode ser o certo. Mas vai depender do que vem de você mesmo. Ninguem fora de você pode lhe fazer feliz. Está tudo em sua propria mente.

Sei que não sou tão ‘tecnica’ e/ou ‘cientifica’ como o Julio, mas espero que sirva de alguma ajuda.

Se precisar, é só falar.

Atenciosamente:

Ly

Rafael:

Ly meu velho, eu entendi com maxia clareza o que você e o Julio tem passado, só quero que entendam ( vocês ja sabem disso ) o quao eu tenho sofrido com isso, sexo esta em toda a parte, e eu acho que tive mais ‘’sorte” ainda por que ao meu redor parece que só existe sexo, eu reLMENTE NÃO ME IMPORTO com o ato sexual em si, nao de forma alguma cara, a unica coisa que eu quero é desejar alguem, querer alguem, enlouquecer por alguem, o ato sexual é consequencia,é o fim da linha.

Meu caro Ly, tenho 22 anos e nunca olhei para nenhuma mulher e nenhum homem com olhares de posseçao, com vontade de ter, sentir seus corpos, eu observo as pessoas na rua e nao vejo mais q pessoas bonitas, saldaveis e nada mais. Não quero sexo em si, mais sim o prazer de desejar alguem, sentir o aperto no coração e a respiração almentar, os batimentos acelerar e tudo mais, isso eu não sinto, nem quando eu vejo filmes pornos. entende onde quero chegar? eu nao sinto atração alguma, se essa é a palavra certa. Isso que você e o Julio vem me falado estao me ajudando muito, me dando uma perpesctiva imensa e uma esperança que nunca havia experimentado. O unico problema é isso, eu só queria desejar alguem. =\

Sou uma das pessoas mais completas em termos de vida que eu conheço, tenho amigos que me amam, e eu os amos, tenho um bom empego, tenho uma vida muuito farta, mais nao sou completo, pois nao consigo desejar ninguem…

obrigado Ly, você e o Julio tem sido de extrema importancia, vou anexar uma foto minha para que vocês possam ver quem eu sou

abração se cuida

Ly

Olá de novo Rafael.

Bom, primeiro eu queria dizer que aqui é A Ly. Eu sou uma guria! rsrs Mas tudo bem, você não tinha como saber. Falha minha.

Agora vamos ao que interessa.

Novamente eu devo ressaltar a influencia externa que sofremos por parte de estimulos visuais que nos são continuamente enviados. Você diz querer se apaixonar por alguem, sentir o coração acelerar, até mesmo abdicar da razão por alguem.

Essa é a ideia/imagem que associamos a alguem que ama/está apaixonado. Ora, é essa a imagem que vemos na tv, no cinema. Casais que se olham, sentem-se como nunca antes quando juntos e vivem felizes para sempre. A personificação da felicidade. Que de certa forma esta muito arraigada na ideia de demonstração em atos com alguma conotação sexual. O beijo é um exemplo. Mas isso condiz com a realidade? Ou seria simples idealização?

E como quando vemos esse ou aquele produto que nos é interessante num anuncio comercial, compramos a ideia e ansiamos por algo igual/parecido. Idealizamos tais coisas, e sofremos quando não as temos.

Mais uma vez: está tudo na sua mente. Você foi levado a associar essas manifestaçoes com a sensação de prazer, que você, por sua vez, parece confundir com o gostar de alguem.

Ao que parece, sua ansia é por um amor/relacionamento romantico. Tente questionar então o que é o amor. Se ele está realmente em toda essa estrutura construida em volta dele. Se isso é realmente importante. Qual o real valor disso? Por que você quer isso?

Eu, como você, nunca, em tempo algum, senti qualquer dessas reaçoes tão comumente relacionadas ao ‘amar alguem’. E convivo muito bem com isso. E isso não implica necessariamente no fato de eu ser alguem sem sentimento. É justamente o contrario.

A sensação de completude que você diz querer não esta nisso ( desejar, querer, ter). Vem de dentro pra fora, e não o contrario.

O site tem um vasto conteudo que pode esclarecer melhor suas duvidas. Sugiro que leia.

Caso ainda assim precise de alguma ajuda, não exite em entrar em contato.

Atenciosamente:

Ly

Rafael:

Ei Ly me desculpe por confundi-la, nunca imaginaria =]

Mais vamos ao que interessa, eu agradeço de coração o apoio que você e o Julio me deram, e todas as explicações, claro que nem tudo que vocês disseram eu concordo, mais Ly você não tem noção a luz no fim do tunel que voces foram para mim. Me exclarecendo milhoes de duvidas, melhor, mostrando e explicando as verdades,tenho material didatico suficiente vindo de vcs para me superar, sabe é dificil coviver com tudo isso, é um ciclo vicioso, é como uma droga Ly, quando entra é dificil sair,e comigo é mais ou menos assim, estou tão focado na normalidade dos fatos que enxem nossos olhos e ouvidos, que muitas vezes eu esqueço do que é essencial para vida, mais num mundo onde a minoria sofre constantimente, é foda ( disculpa) encarar as coisas que fogem do padrão ( melhor palavra q eu encontrei) como eu. Não da para negar que eu fujo do padrão, ou melhor dizendo, fujo daquilo que é ”normal” me entende?

Conviver com as diferenças é o mais facil de tudo,desde que eu tenho 16 convivo com isso, todos nos convivemos com as diferenças porque se nao convivessemos nada existiria, mais é oque eu sempre falei e falo….entender é uma coisa aceitar é outra. Eu tinha um entendimento simples da minha condição, mais depois de ”conversar” com voces tenho total clareza de como as coisas funcionam.

Julio me disse mais ou menos assim : Que depois de anos me focando em coisas artificiais como pornografia, filmes, e ate mesmo minha propria imaginação, depois de anos me focando em fantasias, eu perdi o que é real, eu apaguei o real da minha cabeça, e nunca tinha pensado nisso, não pude deixar de concordar, desde que começei a entender meu corpo, a procurar prazer e tals sempre busquei prazer em formas artificiais como sites de conteudo adulto ( faço isso todos os dias), como eu lhe disse Ly é como um vicio.Hoje que necessito do real, não o possuo.

Já você Ly me mostrou o quanto pode se vivier sem isso, como pode-se encontrar prazer em varias outras formas de expressao, como na amizade, LY voce não faz ideia de como sou querido, seria impossivel descrever isso, estou repleto de pessoas de todas as classes formas,jeitos,orientaçoes,

estilos, tudo. Tenho os melhores amigos que poderia ter, e é claro tenho aqueles por quem me mataria para protege-los, os amos mais que a mim mesmo, os amos tanto que chego ao ponto de me abdicar para eles!!!!

Mais foi como eu disse anteriomente, ser a ”minoria” por assim dizer enxe minha cabeça de coisas que me deixam ruin, e a unica coisa que eu penso é em deixar de ser a minoria, poder entrar numa roda de amigos e conversar abertamente sobre sexo, ou poder chegar em um desses meus amigos que tanto amo e chorar porque acabei de discutir a relação com minha mulher. Só quero deixar de ser a minoria, já tenho personalidade forte, ja sou conhecido por todos na cidade por ser especial e unico por causa do meu jeito de agir com os outros, a unica coisa que realmente gostaria de experimentar era o prazer que gera a vida!!

Para mim é essencial sim, não tão como outras coisas, mais HOJE me faz falta e vou lutar por isso, vou lutar para conseguir isso com os meios mais puros e simples que possam existir, por isso agradeço imensalmente o que voces tem feito e dito por mim, de todo o coração, seus ensinamentos serão como um MANTRA para que eu possa conseguir finalizar minha jornada.

obrigado Ly e Julio

se quizerem contar minha historia no blog, fiquem a vontade eu ficaria feliz!!!

kalleu

É o que vocês podem ver… pensem nisso.

Amigos que beijam… Parte II

Se você ainda não leu a parte I é melhor que leia antes de prosseguir.

Sexo é afeto? Para responder essa pergunta primeiro temos que ter ao menos uma noção básica do que é afeto… Vamos aos sentidos originais da palavra e suas variações:

Latim afficere, afectum produzir impressão. Composto da partícula ad = em, para; e facere = fazer, operar, agir, produzir.

Latim affectus particípio passado do verbo afficere. Tocar, comover o espírito e, por extensão, unir, fixar (it. attaccare), também no sentido de “adoecer”.

Afetividade, Afecção, do Latim afficere ad actio, onde o sujeito se fixa, onde o sujeito se liga.

Extraído da Wikipedia.

Como podemos ver temos aí dois sentidos básicos: o de transmitir uma determinada imagem e/ou informação e a relação empática entre os indivíduos.

Nem sempre quem transmite uma informação ou imagem está criando um ambiente emocional (clima) com a outra pessoa. Contudo sempre que um ambiente é criado há alí alguma informação e/ou imagem sendo utilizada. Logicamente a compreensão das imagens e informações é complexa e nem sempre acontece. Na verdade a compreensão ou total alienação em relação ao sentido lógico do afeto muda totalmente suas perspectivas individuais. Ou seja, a maneira como entendemos o que fazemos – dentro de uma relação interpessoal – varia de pessoa para pessoa e possui conteúdos distintos. Porque cada um avalia tudo de uma forma singular, de acordo com sua própria vida. É impossível julgar os sentimentos das outras pessoas em relação ao que acontece dentro de uma relação.

A (in)compreensão do ambiente também muda todo seu sentido. Duas pessoas jamais sentirão exatamente os mesmos sentimentos. Elas poderão sentir emoções semelhantes, que se expressam no corpo e na fala e assim vão assimilando mutuamente de forma progressiva. Normalmente com a continuidade e aperfeiçoamento da relação esse processo de empatia torna-se cada vez mais rápido e descomplicado.

A habilidade de reconhecer sentimentos é uma capacidade humana intrínseca. Mas ela precisa ser aperfeiçoada progressivamente. Por isso algumas pessoas são melhores em entender situações emocionais do que outras. Utilizamos esse recurso de reconhecimento emocional com tanta habitualidade que nem o percebemos. Em geral, os sentimentos negativos possuem um maior poder de comunicação.

O medo, por exemplo, é um sentimento que pode ser transmitido com grande facilidade. A neurose terrorista nos EUA é um outro bom exemplo de como o medo pode se espalhar com facilidade por um longe período de tempo. Os sentimentos positivos são mais complexos… até porque possuem elementos culturais que não fazem parte da biologia básica. E assim não são tão facilmente comunicáveis, duráveis e intensos.

O sentimento de desejo sexual é um sentimento complexo. Porque é composto por outros sentimentos que criam um aspecto único, mas não fixo. Esse sentimento é facilmente percebido pela sua peculiaridade, mas sua assimilação é relativa ao observador. Algumas pessoas respondem intensamente a qualquer projeção de sentimento sexual, enquanto outras possuem uma resposta muito baixo ou insignificante, ou mesmo adversa.

A distinção do sentimento é diferente de sua assimilação. Perceber e identificar o sentimento é um processo totalmente diferente do processo de assimilá-lo. Cada pessoa projetará sobre si mesma esse sentimento de uma maneira diferente. Porque esse processo depende do contexto histórico-psicológico de cada um, e assim ele poderá se concretizar como qualquer sentimento.

Quando uma pessoa sente um desejo sexual seu corpo automaticamente expressa isso. A intensidade varia de acordo com o quanto a pessoa se sente confortável com aquele desejo e com suas intenções. Todo o corpo cuida de comunicar-se, mas é o rosto onde se encontram as principais informações. Muitas vezes com detalhes quase imperceptíveis que podem nem passar pela nossa consciência.

Nunca vamos expressar um desejo “puro”… toda expressão sentimental é carregada de muitos outros sentimentos. Que podem até serem opostos. Uma pessoa pode ser agressiva com outra, ao mesmo tempo que com isso quer expressar que se importa com ela. Ou pode lhe dar total atenção, ao mesmo tempo que com isso expressa um desejo de controlá-la.

Os sentimentos de desejo sexual são, na sua expressão, criações de nossa cultura. Mas em essência fazem parte do nosso corpo. Existem alguns fatores básicos do desejo sexual que o tornam relativamente simples de ser percebido. Mas a assimilação só acontecerá se a outra pessoa já estiver predisposta para isso.

Por isso tudo e um pouco mais o sexo é uma forma de afeto. Porque com eles estamos querendo transmitir alguma informação e/ou imagem ao mesmo tempo que desenvolvemos um ambiente emocional.

Numa comunicação entre pessoas há o que queremos transmitir de maneira superficial, clara e evidente. E também há o que queremos transmitir como conteúdo subjetivo e secundário. O afeto é aquilo que transmitimos paralelamente ao que expressamos superficial. Não é a simples expressão que vai gerar afeto, são necessários diversos fatores que juntos colaboram para a outra pessoa compreenda e assimile o que foi colocado.

Logicamente é impossível se comunicar sem afeto. Tudo que fazemos expressa nossos sentimentos superficiais e subjetivos. Mesmo que a expressão afetiva seja, na verdade, um desafeto.

Na verdade o sexo pode ser afetivo e/ou desafetivo. A positividade ou negatividade das nossas expressão é avaliada pelo seu conteúdo altruísta. Quanto mais egoísta, limitado e restrito forem nossos sentimentos mais eles serão interpretados como desafeto.

As expressões afetivas, em geral, sempre provocam satisfação (prazer) ou insatisfação (desconforto). A intensidade vai depender do quanto estamos envolvidos no sentimento. As expressões (des)afetivas requerem total exclusividade mental. Toda nossa mente deve estar dedicada, mesmo que por poucos segundos, para criar determinada emoção em si mesma e expressar isso de maneira que ela também seja assimilada pela outra pessoa. Quando uma pessoa está furiosa, por exemplo, fica evidente o quanto ela está completamente dedicada ao seu sentimento. Temos inclusive a impressão de que ela está fora de si.

Como o desejo sexual é um conjunto de sentimentos ele pode ser formado por sentimentos altruístas e egoístas. Existe intrinsecamente uma tendência natural ao egoísmo dentro do desejo sexual. Quanto maior o prazer (satisfação) mais dedicados estaremos a determinado sentimento. O sexo talvez seja o maior sentimento de satisfação que um ser humano pode sentir. E para tanto precisamos de total dedicação física e emocional. Também por isso somos estimulados ao imediatismo e egoísmo. Pensamos exclusivamente na nossa pŕopria satisfação e queremos que isso se realize da maneira mais rápida que for possível.

Em teoria é possível que o sexo seja majoritariamente altruísta, ou ao menos igualitário. Mas o que vemos no dia a dia é uma relação de egoísmo “equilibrada” e conformista…

No fim… depois de tudo isso… o que fica é a consciência de cada um sobre o que faz.

Direitos, descriminações, preconceitos, etc.

Orientação sexual é um termo para designar o sexo ao qual uma pessoa sente desejo sexual. Como o próprio nome indica, uma pessoa tem determinada forma de desejo porque foi orientada para isso. É evidente que existem diversos fatores internos e externos que muitas vezes estão interligados para criar o que nós sentimentos, nossos desejos, sonhos, medos, etc. A orientação sexual, então, seria o resultado de um conjunto de fatores que criariam numa pessoa um desejo sexual específico.

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Mas… sabe-se lá como… se convencionou popularmente que a orientação sexual de uma pessoa é um fator genético. Porque, dessa maneira, as pessoas não teriam “culpa” pelos seus desejos. É lógico que não existe conhecimento científico que possa provar isso. Essa “conclusão” foi tomada por mera conveniência.

Muitos homossexuais (não todos) adotaram a orientação sexual “determinista” nas suas vidas e alegam que não escolheram ser como são. E de fato… praticamente ninguém escolhe deliberadamente seus sentimentos. Sentimentos são construções extremamente complexas… formadas pelo nosso corpo e intelecto.

O desejo sexual por uma pessoa do mesmo sexo é a consequência de infinitos fatores que se sucedem durante toda a vida. Muitas pessoas passam a sentir desejo sexual exclusivo por pessoas do mesmo sexo quando já passaram dos quarenta. Outros passam a sentir desejo por pessoas de ambos os sexos… e por aí vai.

Algumas pessoas nunca passam a sentir desejo sexual por outras pessoas (assexuais persistentes), enquanto outras perdem novamente esse desejo em algum momento posterior de suas vidas (assexuais reincidentes).

Em todos casos não há necessariamente um desejo deliberado (e consequentemente consciente) do indivíduo. Por isso praticamente todos os assexuais se sentem confusos e solitários…

Contudo eu nunca acreditei que assexualidade fosse uma questão genética e imutável. Não há lógica numa explicação genética da assexualidade. A imutabilidade dos nossos desejos não é real… afinal existem diversas clínicas (médicas ou “místicas”) especializadas e criar, catalizar e modificar o desejos sexuais das pessoas.

Durante toda a história da humanidade nós criamos conceitos sobre a sexualidade humana… na verdade a humanidade só começou a se multiplicar consideravelmente depois que desenvolveu conceitos emocionais mais profundos sobre o sexo. Alguns médicos gregos “primitivos”, por exemplo, já acreditavam que o sexo poderia trazer mais alegria e vitalidade para uma mulher. Enquanto os indianos até hoje possuem uma cultura extremamente complexa e extensa sobre o sexo.

Praticamente desenvolvemos e encaramos o sexo como um objeto em nossas vidas. Algo que poderíamos conquistar, lapidar, desenvolver, catalizar, etc. Contudo… nunca fizemos a viagem inversa. Falar sobre repressão sexual soa como algo antiético e ofensivo hoje em dia. O que é aceitável e apreciável é a indução sexual… falar sobre sexo como uma verdade absoluta e incondicional… para sempre perpetuando na mente humana os conceitos arcaicos e inúteis.

O maior problema dos assexuais é lidar com a possibilidade de ser. Nossa sociedade tente aos padrões, a mídia tem papel fundamental nisso. Setorizamos a vida em partições: vida sexual, amorosa, afetiva, profissional, familiar, etc. Os assexuais sofrem com esses padrões que não se encaixam em suas cabecinhas.

É difícil lidar com isso.

O maior sofrimento de um assexual é justamente o preconceito literal. É um conceito prévio, profundamente enraizado na mente de cada pessoa. Eles não se aceitam. Principalmente quando estamos falando de assexuais reincidentes.

A sociedade não consegue entender a possibilidade de ser em um mundo onde todos se conformaram com os inúteis padrões estabelecidos. Para um pessoa comum lidar com um assexual é como lidar a a antítese de sua vida. É a oposição a todas as suas crenças. Isso pode gerar insegurança que poderá criar medo e até atos de violência física ou verbal.

A descriminação contra os assexuais só existe como um ato de puro preconceito e remorso. Sim… remorso daqueles que não suportam a ideia de que suas vidas foram regidas por ilusões de uma cultura pervertida e cega. Assexuais ofendem pela sua própria existência.

Todas as pessoas possuem o direito intrínseco a liberdade de ser. Podem, inclusive, mudar. É um direito essencial. Ninguém pode forçar uma outra pessoa a adotar um comportamento que ela não deseja. Ninguém, por maior que sejam seus direitos legais, pode obrigar um estilo de vida indesejado.

É na família principal que esse direito básico deve ser respeitado. Hoje em dia é impossível criar uma pessoa isenta da influência de nossa educação sexual totalmente tendenciosa… mas é possível dar-lhe um grande apoio emocional e presencial. O que um criança mais precisa é de uma família que a compreenda… que perceba seu mundo… que compartilhe dos seus sonhos.

A grande maioria dos adultos estrupam suas vidas com seus conceitos agressivos e apático… as crianças crescem violentas, cínicas, indiferentes, egoístas, etc.

Se, ao menos, cada pai e mãe se comprometer em apoiar seu filho na individualidade dos seus desejos é muito provável que essa criança se tornará um adulto consciente, sério e respeitado.

A pior coisa que a família (tanto principal quanto secundária) pode fazer é humilhar a criança pelo seu comportamento. Especialmente no fim da infância a criança começa a sentir uma grande pressão sobre sua vida. São os aspectos da “vida adulta” que entram na sua mente de forma inesperada.

A essa altura o aspecto sexual é o mais gritante e sufocante. Muitas crianças não sabem como reagir diante disso… não encontram apoio emocional em suas famílias e praticamente todos os seus amigos estão igualmente confusos e solitários. Por isso existem tantas garotas com 10 ou 12 anos já gravidas. Numa cultura onde as crianças são vistas como “puras” e o sexo é ao mesmo tempo explorado e reprimido… esses pequenos são colocados como ratos de laboratório.

Por que continuar com isso? Já estou cansado de ver pessoas solteiras sendo ridicularizadas, estou cansado de ver crianças explorando-se sexualmente, estou cansado de ver pais estuprando a mente de seus filhos, cansado de ver gente “zumbificada”, gente que não sabe o que quer de sua vida, gente que nem sabe ao certo se está viva.

Por que não parar? Por que não permitir que vejam? Os pequenos precisam saber… eles podem ser o que quiserem ser. Eles não precisam se encaixar em padrões sociais. Eles não precisam ser iguais aos seus colegas. Eles podem viver suas próprias vidas!

Quem não está interessado nisso?

Toda criança tem direito ao próprio desenvolvimento psicológico e emocional.

O que é atração sexual?

É comum encontrar a seguinte definição para assexualidade: a falta de atração sexual por outras pessoas. Inicialmente foi Kinsey e sua equipe que primeiro observou “socialmente” a assexualidade. Nas suas análises eles consideraram a assexualidade como a falta de um desejo sexual específico.

Com o passar do tempo surgiu o conceito de orientação sexual, em oposição ao antigo conceito de opção sexual. Alguém achou que opção sexual era um termo inapropriado já que a pessoa não necessariamente escolhe como será seu desejo sexual. O termo orientação é mais conveniente, porque assim estamos considerando uma série de fatores externos e internos que podem moldar o comportamento sexual dessa pessoa.

Até aí tudo certo. Só que de alguma forma… nem imagino qual… se tornou do “senso comum” que orientação sexual é algo estritamente genético. Alguns cientistas até tentaram encontrar o “gene gay”, sem sucesso. Todo o esforço só criou conclusões ambíguas…

É incoerente dizer que os genes são os únicos responsáveis por algo tão complexo como os nossos desejos sexuais. Mas é extremamente coerente (e sensato) dizer que a sexualidade humana é o resultado de um conjunto bem amplo de fatores, e entre esses estão os fatores genéticos que podem influenciar a sua maneira. No demais… é insanidade ou irresponsabilidade chegar a uma conclusão “científica” sem a menor prova.

O termo atração sexual também surgiu no contexto da orientação sexual. Atração sexual se tornou um termo sem significado específico e bastante vago. Assim como excitação sexual e psicológica muitas vezes se confundem.

Podemos definir atrair como “Fazer voltar-se ou dirigir-se para si“. Logo atração sexual seria mais ou menos como: fazer voltar-se ou dirigir-se para si de maneira sexual. Mas como se define uma maneira sexual? Não existe definição clara do que é sexual ou não. É mais coerente dizer que atrair sexualmente é: atrair para si uma pessoa provocando-lhe desejo sexual. Nesse caso o desejo por ter relações sexuais.

Mais resumidamente ainda: é fazer com que outra pessoa lhe deseje sexualmente.

Se uma pessoa sente atração sexual por outra é porque aquela lhe provocou um desejo (pelo realização) sexual… Tem quem queira considerar quase tudo como atração sexual. Como já disse, diversos fatores estão interconectados para gerar o nosso comportamento, tornando impossível distinguir com precisão o que é um comportamento meramente sexual.

Contraditoriamente para falar de sexo precisamos de uma compreensão clara e concisa. Não podemos considerar que tudo é sexo… temos que ter um compreensão (mesmo que imperfeita) sobre isso.

O maior problema dessa distinção é que ela só pode ser feita pela própria pessoa. O que eu vou entender por sexo não será totalmente compatível com o que outra pessoa entenderá. É importante saber fazer uma distinção clara entre o que é sexual ou não.

Saber fazer essa distinção, que sempre é para si mesmo, é a melhor maneira de encontrar o equilíbrio nos seus desejos e nas suas atitudes, dentro das perspetivas da assexualidade.

Muitos assexuais sofrem por não entenderem o que é atração sexual. Também por não entenderem sobre o erotismo e suas expressões. Não compreendem seus próprios significados e se enxergam por espelhos. Acabam se frustrando e sofrendo em silêncio.

As coisas não possuem significado por conta própria. Nós damos os significados para tudo o que fazemos.

1 Fazer voltar-se ou dirigir-se para si: Ela atraía todas as atenções.”

Homossexualidade latente

Em 1996 Henry Adams e outros cientistas realizaram uma pesquisas que de certa forma confirmaram a teoria freudiana da homossexualidade latente. As análises realizadas por pletismografia peniana demonstraram que “24% dos homens não-homofóbicos demonstraram alguma nível de ‘excitação‘ em resposta a vídeos eróticos homossexuais, contra 54% dos homofóbicos”. (more…)