Desenvolvimento x Sexo – Parte I

Originalmente eu pretendia falar, nesse artigo, sobre o mito da energia sexual, mas ao decorrer do assunto achei mais importante falar sobre o problema do desenvolvimento humano paralelo ao que chamamos de vida sexual. Um assunto que acho fundamental desde que escrevi o primeiro artigo sobre assexualidade. Mas sem mais delongas…

Eu não sou pró-sexo, muito menos sou anti-sexual. Mas estando no meio termo, o qual analisa tudo e retem o que é bom, vejo que de sexo se fala muita bobagem e pouca ou nenhuma informação realmente útil para a sociedade. O que muitas pessoas não perceberam ainda é que falar de sexo, sexo de verdade, é tabu. O que as pessoas falam não é de sexo, mas sim de elementos eróticos isolados:

Seios, bundas, cinturas, quadris, anus, vagina, pênis, boca, fezes, urina e todas as outras partes e secreções do corpo. Tudo que tenha algo há ver com sexo. Mas que sobre o sexo não diz nada.

Sobre esses “elementos” estamos saturados de ver em comerciais e programas de TV. O problema é que estamos cheios de produtos e sem nenhuma substância. Não adianta falar sobre elementos sexuais para entreter as pessoas e de tais se saber pouco ou nada. Temos um ganho em entretenimento e uma perda vertiginosa em saúde psicológica e física.

O ser humano tente a criar respostas e ligar eventos de forma incrível. Sem um sistema de comprovação científica dos fatos nossa imaginação vai voar solta e voltaremos aos tempos medievais onde a terra era plana… Hoje nosso problema não é com a falta de análises científicas, mas sim com a divulgação da mesma. Na verdade o problema está em quem deveria e quem quer difundir esse conhecimento tão básico sobre o funcionamento do nosso corpo.

Quem deveria difundir esse conhecimento são a família primária, família secundária, professores e por fim os políticos, os quais são colocados em sua cargo pelo povo para representar os desejos do povo para o bem do povo, na nossa democracia representativa.

Contudo os políticos não estão em seus lugares pelo desejo de fazer um mundo melhor, mas sim pelo mórbido desejo de ver seu nome citado em todos os jornais, sua carinha estampada na TV, seus terrenos se multiplicando, sua mansão se tornando continental, etc.

Já os professores não estão em seus interessados em produzir nas pessoas os frutos da boa educação que além de gerar o conhecimento técnico necessário para construir um mundo melhor também gera um cidadão responsável por si e pelos demais. O próprio sistema de ensino visa uma “educação” cega em conhecimentos técnicos completamente desfocados e incoerentes de qualquer objetivo, que não é transmitido ao aluno. E além do mais não há formação de vida, na verdade o “centro educacional” serve mais como um inferno para as mentes ainda mais ou menos saudáveis desses novos humanos. Os professores, diretores, administradores e outros estão interessados na manutenção de sua própria sub-existência

A família secundária e primária (infelizmente na maioria das vezes, como nos casos acima) pouco se importa com o desenvolvimento do filho, desde que seja o desenvolvimento que eles idealizaram (uma casinha de bonecas com gente de verdade).

Infelizmente essa é a situação do mundo todo em relação a educação primária.

É lógico que existem pessoas fortemente interessadas em mudar esse quadro. Mas mesmos suas vitórias se transformam em sistemas doentes em mãos irresponsáveis. Vide Gilberto Freire.

Mas o que isso tudo tem há ver com sexo e desenvolvimento humano?

Na 2ª parte desse artigo falaremos sobre como as construções fantasiosas influenciam nossa sociedade trazendo sofrimento e involução psicológica e física para uma pessoa.

p.s.: Apenas uma observação necessária. Alguns dos textos escritos aqui falam sobre sofrimento, dor, perda, carência, solidão, etc. Todos são temas desagradáveis, mas não são dispensáveis. Em parte escrevo isso para as pessoas que passam por isso, que são muitas, e em parte escrevo isso para que essas pessoas possam entender sua própria situação e tomar uma atitude de mudança e reconciliação (consigo mesmo, sociedade, família, amigos, etc.)
Enfim… doi… mas é necessário. Queria eu poder escrever apenas sobre coisas boas e agradáveis.

Você está doente… não importa quão saudável seja

Segue um texto do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.

Os vendedores de doenças

As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa “síndrome” que exige tratamento

Ray Moynihan, Alan Cassels

Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às… pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.

A fabricação das “síndromes”

A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.

Médicos orientados por marqueteiros

Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.
Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.

Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.

Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.

Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.

Quanto mais alienados, mais consumistas

A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.

As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo demarketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro.

O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.

A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas demarketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.

O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.

A “medicalização” interesseira da vida

A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.

Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão doestablishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias”.

Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido domarketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.

Fonte: Psicologia dos psicólogos

Quando a falta de desejo sexual é uma doença

Umas das primeiras coisas que as pessoas imaginam diante da falta de desejo sexual é que se trata de uma doença. Aqui no site tento exaustivamente separar as duas coisas.. Mas não posso deixar de falar que sim, a falta de desejo sexual pode ser uma doença, no caso consequência de uma doença.

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Assexualidade não é uma doença

Para esse tipo de assunto as pessoas costumam escrever bastante. Não não vou gastar mais do que algumas poucas linhas.

Imagine que você não gosta de sorvete, então um amigo seu ao saber disse diz que você é doente e precisa se tratar “disso”. Se fosse comigo eu no mínimo riria da cara dessa pessoa. Afinal não gostar de sorvete é uma coisa tão boba, não é? É só uma questão de gosto. Isso não te torna melhor nem pior que qualquer pessoa.

Da mesma forma é um assexuado. Ele simplesmente não sente desejo por sexo. Alguns realmente não gostam de sexo, para outros tanto faz. De uma forma geral um assexuado se importa muito pouco com sexo. Para ele é como não gostar de tomar sorvete, tanto faz. Sua vida não mudará depois de provar o delicioso sabor do sorvete de baunilha. A vida do assexuado também não.

Querer classificar a assexualidade como uma doença é o mesmo que tentar “elevar” as pessoas que não suportam comer carne à gente com “transtorno alimentar” ou até mesmo “transtorno psicológico”. A pessoinha só quer que o boizinho fique no pasto dele, quietinho. Ela não quer comer o boizinho. Da mesma forma é um assexuado. Ele não se importa com o sexo, ele não está nem aí pra isso.

Um assexuado só demonstra interesse em sexologia quando é para falar sobre o assunto, como faço agora. Ou então para saber lidar com pessoas interessadas em sexo (como também faço). Pode parecer brincadeira, mas muitas vezes um assexuado não sabe lidar com essas pessoas. As vezes parecem morar em mundos diferentes.

E falando em sexologia, aqui vai um conselho: Tome (muito) cuidado com os sexólogos. Até sua vó tem mais sabedoria que a maioria deles. Muitos sexólogos tratam os assexuados como tratavam os homossexuais, “Você tem um distúrbio (é doente) e precisa se tratar”. Ora, acerca disso digo que é da consciência da cada um.

Se um homossexual quiser deixar de se sentir como tal ele tem total direito, o mesmo vale para qualquer assexuado. E se ele quiser continuar sendo, também. Engraçado que hoje o quadro se inverteu, um homossexual não pode deixar de ser homossexual (saiba mais). Espero que isso nunca aconteça com os assex.

Não trate a si mesmo (sr./sra. assex) como alguém doente. Nem trate os que não são assex como doentes ou pessoas inferiores.