Amigos que beijam… parte III

Vamos falar sobre a complexidade de algo que parece ser simples… o beijo. Mas antes lembre-se que esse artigo faz parte de uma série de artigos.

Eu acredito que o beijo envolve um conjunto de emoções mais complexas do que o próprio sexo. O beijo envolve praticamente todos os sentidos (audição, visão, tato, paladar e olfato). Contudo não é impulsionado pelo êxtase do orgasmo… toda emoção é emulada sem qualquer recurso fisiológico.

Existem várias formas de contato labial… que mudaram muito durante a história… mas aqui falaremos do beijo comum dentro da nossa cultura. Logicamente o beijo não é intrínseco ao ser humano… seu significado, forma e emoção varia de uma cultura para outra, passando até mesmo a não existir.

O ponto central sobre o beijo é emoção. E também por isso é impossível falar sobre sobre o beijo nesse post. É interessante observar aqui apenas alguns aspectos preliminares.

Por que o beijo é bom? É bom mesmo? Cada pessoa tem uma forma diferente de encarar emocionalmente um beijo. Algumas pessoas são indiferentes, outras se sentem desconfortáveis e outras adoram. Não podemos dizer que o beijo é bom ou ruim… porque ele sempre terá significado individual.

O processo do beijo é bastante complexo e, até certo ponto, indescritível. Os fatores gestuais são basicamente expressões afetivas ou apenas mecanismos de contenção e catalização.

É comum encontrar pessoas que fecham os olhos quando beijam. Isso pode acontecer naturalmente como uma forma de evitar o desconforto ao se observar um objeto muito próximo aos nossos olhos. Mas na verdade o objetivo é de contenção da emoção. Quanto mais dedicados ao beijo mais dedicados estaremos do ponto de vista psicológico e fisiológico. E assim cada sentido deverá estar focado naquele momento.

Os olhos possuem um importante papel na comunicação entre as duas pessoas quando ainda não há o contato labial. Mas ao contato ele é automaticamente fechado para evitar que outros objetos no ambiente interfiram na focalização emocional.

A audição, o paladar e o olfato não podem ser “desligados”. Então eles poderão interferir negativamente na contenção e catalização da emoção. Ao mesmo tempo que se manipulados (com boa música, perfume, etc) poderão estimular ainda mais a contenção da emoção a empatia e ainda criar um memória inconsciente do ambiente emocional mais intensa.

O tato por sua vez é totalmente manipulável e é parte fundamental do beijo. Após o trabalho preliminar composto pelos olhos e pelas expressões faciais e verbais o tato entra em cena como a principal e até única forma de comunicação. Existe um óbvio limite para estímulos táteis que podem ser transmitidos e compreendidos com simplicidade. Em geral o próprio beijo já requer uma coordenação motora bem desenvolvida. O uso de outras partes do corpo para envolver e acariciar pode tanto servir para catalizar a emoção quanto prejudicá-la totalmente, até mesmo criando um total desconforto.

Logicamente isso varia de acordo com o “tipo” de beijo praticado. Alguns beijos não passam de contato labial, outros envolvem um pouco da língua, enquanto outros envolvem uma troca total de fluídos (saliva). A intensidade do beijo não está na quantidade da saliva trocada ou na sua “agressividade”, mas sim no seu significado subjetivo.

Porque nada disso teria qualquer valor se não houvesse um contexto psicológico-emocional. É preciso que uma pessoa além de conhecer a cultura do beijo também compartilhe de seus sentimentos. Por ser cultura o beijo, como ato, precisa ser aprendido e o seu sentimento precisa ser construído. A aprendizagem mecânica é prática, mas a aprendizagem teórica não acontece de maneira deliberada… a pessoa aprende a partir da observação do ambiente… e isso nunca acontece de forma plana para todas as pessoas.

Por isso o significado do beijo varia de uma pessoa para outra, assim como a forma com a qual ele é praticado. Algumas pessoas só sentem alguma emoção no beijo labial de curta curação sem o envolvimento de saliva (selinho)… e sentem nojo do beijo francês (colado/de língua), enquanto outras pessoas só se emocionam intensamente com o beijo francês e pouco sentem com um beijo rápido.

Na prática a emoção criada pelo beijo é um construtivista. Ela pode se desenvolver ou não… varia de pessoa para pessoa… de ambiente para ambiente… de horário para horário… e até com a temperatura! Porque não é o simples fato de beijar que causa a emoção do beijo… mas sim seu significado.

Ninguém precisa beijar e essa necessidade não é uma pulsão natural. As pessoas só querem beijar quando estimuladas para isso. Há quem consiga provocar as emoções do beijo dentro de quase qualquer contexto… e há quem só consiga sentir alguma emoção dentro de um ambiente estrito e bem desenvolvido.

De qualquer maneira a individualidade de cada um deve ser respeitada… e ninguém deve se preocupar com seus hábitos osculares. Ninguém precisa tratar o beijo como um aspecto “religioso” de suas vidas. Se você não sente vontade… simplesmente não beije e deixe de se preocupar com isso. Se você sente vontade, procure entender exatamente o que quer antes de fazer algo que talvez se arrependa. E se um dia suas ideias mudarem… se um dia você quiser… ou não quiser mais… que assim seja. Sem preocupações, neuroses e qualquer outra coisa que não contribuirá em nada.

C’est la vie.

Ainda há muito há ser dito sobre esse assunto… envie seu depoimento para nosso e-mail.

Amigos que beijam… Parte II

Se você ainda não leu a parte I é melhor que leia antes de prosseguir.

Sexo é afeto? Para responder essa pergunta primeiro temos que ter ao menos uma noção básica do que é afeto… Vamos aos sentidos originais da palavra e suas variações:

Latim afficere, afectum produzir impressão. Composto da partícula ad = em, para; e facere = fazer, operar, agir, produzir.

Latim affectus particípio passado do verbo afficere. Tocar, comover o espírito e, por extensão, unir, fixar (it. attaccare), também no sentido de “adoecer”.

Afetividade, Afecção, do Latim afficere ad actio, onde o sujeito se fixa, onde o sujeito se liga.

Extraído da Wikipedia.

Como podemos ver temos aí dois sentidos básicos: o de transmitir uma determinada imagem e/ou informação e a relação empática entre os indivíduos.

Nem sempre quem transmite uma informação ou imagem está criando um ambiente emocional (clima) com a outra pessoa. Contudo sempre que um ambiente é criado há alí alguma informação e/ou imagem sendo utilizada. Logicamente a compreensão das imagens e informações é complexa e nem sempre acontece. Na verdade a compreensão ou total alienação em relação ao sentido lógico do afeto muda totalmente suas perspectivas individuais. Ou seja, a maneira como entendemos o que fazemos – dentro de uma relação interpessoal – varia de pessoa para pessoa e possui conteúdos distintos. Porque cada um avalia tudo de uma forma singular, de acordo com sua própria vida. É impossível julgar os sentimentos das outras pessoas em relação ao que acontece dentro de uma relação.

A (in)compreensão do ambiente também muda todo seu sentido. Duas pessoas jamais sentirão exatamente os mesmos sentimentos. Elas poderão sentir emoções semelhantes, que se expressam no corpo e na fala e assim vão assimilando mutuamente de forma progressiva. Normalmente com a continuidade e aperfeiçoamento da relação esse processo de empatia torna-se cada vez mais rápido e descomplicado.

A habilidade de reconhecer sentimentos é uma capacidade humana intrínseca. Mas ela precisa ser aperfeiçoada progressivamente. Por isso algumas pessoas são melhores em entender situações emocionais do que outras. Utilizamos esse recurso de reconhecimento emocional com tanta habitualidade que nem o percebemos. Em geral, os sentimentos negativos possuem um maior poder de comunicação.

O medo, por exemplo, é um sentimento que pode ser transmitido com grande facilidade. A neurose terrorista nos EUA é um outro bom exemplo de como o medo pode se espalhar com facilidade por um longe período de tempo. Os sentimentos positivos são mais complexos… até porque possuem elementos culturais que não fazem parte da biologia básica. E assim não são tão facilmente comunicáveis, duráveis e intensos.

O sentimento de desejo sexual é um sentimento complexo. Porque é composto por outros sentimentos que criam um aspecto único, mas não fixo. Esse sentimento é facilmente percebido pela sua peculiaridade, mas sua assimilação é relativa ao observador. Algumas pessoas respondem intensamente a qualquer projeção de sentimento sexual, enquanto outras possuem uma resposta muito baixo ou insignificante, ou mesmo adversa.

A distinção do sentimento é diferente de sua assimilação. Perceber e identificar o sentimento é um processo totalmente diferente do processo de assimilá-lo. Cada pessoa projetará sobre si mesma esse sentimento de uma maneira diferente. Porque esse processo depende do contexto histórico-psicológico de cada um, e assim ele poderá se concretizar como qualquer sentimento.

Quando uma pessoa sente um desejo sexual seu corpo automaticamente expressa isso. A intensidade varia de acordo com o quanto a pessoa se sente confortável com aquele desejo e com suas intenções. Todo o corpo cuida de comunicar-se, mas é o rosto onde se encontram as principais informações. Muitas vezes com detalhes quase imperceptíveis que podem nem passar pela nossa consciência.

Nunca vamos expressar um desejo “puro”… toda expressão sentimental é carregada de muitos outros sentimentos. Que podem até serem opostos. Uma pessoa pode ser agressiva com outra, ao mesmo tempo que com isso quer expressar que se importa com ela. Ou pode lhe dar total atenção, ao mesmo tempo que com isso expressa um desejo de controlá-la.

Os sentimentos de desejo sexual são, na sua expressão, criações de nossa cultura. Mas em essência fazem parte do nosso corpo. Existem alguns fatores básicos do desejo sexual que o tornam relativamente simples de ser percebido. Mas a assimilação só acontecerá se a outra pessoa já estiver predisposta para isso.

Por isso tudo e um pouco mais o sexo é uma forma de afeto. Porque com eles estamos querendo transmitir alguma informação e/ou imagem ao mesmo tempo que desenvolvemos um ambiente emocional.

Numa comunicação entre pessoas há o que queremos transmitir de maneira superficial, clara e evidente. E também há o que queremos transmitir como conteúdo subjetivo e secundário. O afeto é aquilo que transmitimos paralelamente ao que expressamos superficial. Não é a simples expressão que vai gerar afeto, são necessários diversos fatores que juntos colaboram para a outra pessoa compreenda e assimile o que foi colocado.

Logicamente é impossível se comunicar sem afeto. Tudo que fazemos expressa nossos sentimentos superficiais e subjetivos. Mesmo que a expressão afetiva seja, na verdade, um desafeto.

Na verdade o sexo pode ser afetivo e/ou desafetivo. A positividade ou negatividade das nossas expressão é avaliada pelo seu conteúdo altruísta. Quanto mais egoísta, limitado e restrito forem nossos sentimentos mais eles serão interpretados como desafeto.

As expressões afetivas, em geral, sempre provocam satisfação (prazer) ou insatisfação (desconforto). A intensidade vai depender do quanto estamos envolvidos no sentimento. As expressões (des)afetivas requerem total exclusividade mental. Toda nossa mente deve estar dedicada, mesmo que por poucos segundos, para criar determinada emoção em si mesma e expressar isso de maneira que ela também seja assimilada pela outra pessoa. Quando uma pessoa está furiosa, por exemplo, fica evidente o quanto ela está completamente dedicada ao seu sentimento. Temos inclusive a impressão de que ela está fora de si.

Como o desejo sexual é um conjunto de sentimentos ele pode ser formado por sentimentos altruístas e egoístas. Existe intrinsecamente uma tendência natural ao egoísmo dentro do desejo sexual. Quanto maior o prazer (satisfação) mais dedicados estaremos a determinado sentimento. O sexo talvez seja o maior sentimento de satisfação que um ser humano pode sentir. E para tanto precisamos de total dedicação física e emocional. Também por isso somos estimulados ao imediatismo e egoísmo. Pensamos exclusivamente na nossa pŕopria satisfação e queremos que isso se realize da maneira mais rápida que for possível.

Em teoria é possível que o sexo seja majoritariamente altruísta, ou ao menos igualitário. Mas o que vemos no dia a dia é uma relação de egoísmo “equilibrada” e conformista…

No fim… depois de tudo isso… o que fica é a consciência de cada um sobre o que faz.

Somos amigos

Você não planeja… simplesmente acontece. E tudo acontece tão rápido… você não esperava que fosse acontecer… muito menos dessa maneira.

Você não planejou… apenas está qui: somos amigos.

O mais incrível na amizade é que você não faz propostas…

Você não idealiza…

Você não cria fantasias que busca realizar.

Está aqui, é real!

As vezes nem percebemos, afial é suave e perfeito… Não há como comparar… é real, inquestionável. Apenas é…

E se não fosse?

Apenas o perfeito desejo de amar…

A perfeita melodia do saber…

Porque somos amigos.

É tão bom conhecer você… é tão bom poder ser.

Amigos que beijam… Parte I

Como muito em breve estarei publicando um extenso artigo sobre arromantismo teremos que fazer “algumas” considerações sobre o afeto. Um tema que é fundamental para a compreensão da assexualidade.

Tudo que fazemos conscientemente possui algum significado consciente ou inconsciente que será ao mesm o tempo será projeto sobre mim e sobre as demais pessoas.. Nosso atos afetivos, mesmo os mais banais como um aperto de mão, estão carregados de significado. Compreender a mecânica da nossa relação interpessoal é um processo progressivo e eterno, por isso nada é absoluto. Mas tudo isso é fundamental para o adoçamento das nossas relações. (clique em More para continuar lendo) (more…)

Ambiguidade romântica

Se você observar a paixão com um olhar “neutro” perceberá que na verdade ela só é um catalisador de emoções e sentimentos. Tendemos a pensar na paixão como um elemento novo em nossas vidas… algo que não estava lá, e de repente surgiu e mudou tudo. Não é bem assim…

Qualquer sentimento/emoção existe como uma ferramenta. A tristeza, a alegria, a raiva, dor, compaixão, etc. Tudo isso não acontece por acaso. Eles possuem aplicações prática e só existem por essas razões. Quando um sentimento/emoção se torna instável – durando muito pouco ou demais – temos aí um problema psicológico ou até mesmo de saúde física. Por exemplo, a tristeza é um sentimento bom. Digo bom porque ela tem efeito produtivo nas nossas vidas. Contudo a depressão não tem um efeito produtivo… ela pode levar uma pessoa até mesmo ao suicídio. Pessoas que sofrem de transtorno bi-polar entendem bem como os sentimentos/emoções devem ser equilibrados para a vida seja suave e agradável.

A pergunta é: a paixão é um estado bom ou ruim?

É importante entender que a paixão só existe como catalisadora. Naturalmente somos levados a gostar e desgostar de certas coisas nas outras pessoas. Alguns desses elementos são instintivos, já outros unicamente racionais. Mas na maioria dos casos há uma mistura entre instintividade e racionalidade. Por exemplo: a beleza. Avaliar se alguém é bonito ou feio é uma característica natural de qualquer ser humano. Agora que elementos vão dar beleza ou feiura vai depender (em parte) da cultura na qual ele está envolvido. No ser humano nenhum elemento é apreciado unicamente pelo seu instinto ou unicamente pela sua razão.

Abaixo estão algumas coisas que apreciamos em outras pessoas:

  • A sua cultura;
  • Seu tom de voz;
  • A língua falada;
  • Seu sotaque;
  • Sua inteligência;
  • Sua delicadeza;
  • Seu humor;
  • Seu carisma;
  • A beleza do corpo (ou alguma parte dele);
  • As experiências de vida;
  • Agradabilidade

Todas essas coisas são apreciadas por nós. Mesmo que seja num nível imperceptível. A comunicação não é restrita ao que é dito verbalmente. Todos os elementos acima são formas de comunicação. A forma como uma pessoa fala pode dizer qual seu nível social, sua cultura, nível de instrução, região de origem, etc. Sua inteligência diz sobre sua capacidade de sobrevivência, assimilação de novas informações, adaptabilidade com o ambiente, etc. A beleza do corpo diz sobre sua vitalidade, idade, comportamento, etc.

Todas essas informações são extremamente importantes para a relação dessas duas pessoas. Quanto mais elementos positivos (aqueles que gostamos) maior será o sentimento de empatia, admiração, afeto, compaixão, etc. Os elementos negativos produzem justamente o inverso: cinismo, desprezo, raiva, rancor, etc.

O que isso tem há ver com a paixão? Tudo…

É impossível ser totalmente positivo para uma pessoa. Porque temos somos diferentes e temos gostos diferentes. Achar alguém totalmente compatível (dentre quase 7 bilhões de pessoas) é impossível. Na imagem abaixo você pode ver o caso de duas pessoas e a relação entre elas. Observe como os gostos são diferentes e observe o que um não gosta no outro.

Entre essas duas pessoas é possível que haja uma amizade, ainda que superficial, mas impossível que exista um relacionamento romântico sem interferência da paixão. Então, como é que muitas vezes pessoas (aparentemente) completamente incompatíveis namoram e até se casam?

O que é importante para a paixão muitas vezes não é importante para a pessoa. O que a paixão quer é dar continuidade para a espécie. Ou seja, a reprodução. E para isso ela vai avaliar os conceitos que ela acredita serem os mais interessantes para tal obra. Ora, a paixão não tem inteligência própria, logo ela vai usar o que a pessoa acredita (de forma inconsciente ou até mesmo instintiva) ser o mais viável para esse trabalho.

Mas o que acontece com os elementos negativos? Simples… lembre-se que a paixão distorce a percepção de uma pessoa. Algumas vezes ela gera uma admiração abstrata inexplicável. A pessoa gosta da outra sem ter a menor razão para isso. Em outras vezes a paixão catalisa todos os elementos positivos e “esconde” todos os elementos negativos da percepção.

É lógico que a pessoa não fica retardada… muitas vezes ela reconhece os principais defeitos do outro, mas é como se isso não tivesse valor algum para seu “moderador interno”.

Bem… a paixão não durar para sempre… e com o tempo ela vai perdendo seu poder de distorção da percepção. Isso não quer dizer que a relação vai acabar… só quer dizer que com o tempo um verá cada vez mais nitidamente o outro. E isso, na verdade é ótimo, reconhecer a pessoa como ela realmente é. O problema é que o que um sentia pelo outro era “artifical” visto que o que um via no outro na verdade estava distorcido ou até omitido.

Todo o problema está nesse processo de avaliar e sentir. O que aconteceria se você fosse amigo de uma pessoa e depois de anos descobrisse que ela não é nada do que você acreditava. Você se sentiria traído. É justamente isso que acontece em muitos relacionamentos. O problema é que no seu caso você sabe que seu amigo de fato traiu sua confiança. Já dentro do relacionamento romântico essa percepção da traição praticamente não existe… aí fica um tristeza sem “como?” nem “quando?”.

O que define se gostamos ou não de uma pessoa é o valor de seus elementos positivos. Cada elemento positivo tem um valor diferente. Para algumas pessoas, por exemplo, a fama é o maior elemento positivo. E como dito a presença desses elementos positivos influenciam no que sentimentos pela outra pessoa. O que poucas pessoas não sabem é que a paixão não só existe na sua forma avassaladora… na verdade a paixão, como catalizadora/supressora de elementos, está presente o tempo todo em nossas vidas.

Quantas vezes você já não ficou dias pensando numa pessoa só por conta de algo que ela disse; ou por causa da cor dos olhos; ou pela forma como ela te tratou, ou pelo seu carisma? Ou quem você admira (intensamente) por uma simples razão… pela inteligência ou pelo sotaque? E aquele cara/garota que até hoje está na sua memória pelo simples fato de terem passado algum momento agradável juntos?

Olhando por esse ângulo também podemos identificar fortes sentimentos por objetos: livros, revistas, filmes, computadores, carros, motos, casas e até mesmo marcas. Praticamente todas as pessoas também possuem um forte ligação com tais coisas inanimadas. E como explicar isso se não como uma paixão? Podemos também ter paixão por alguma atividade. Grandes pintores, músicos e arquitetos eram na verdade apaixonados pelo que faziam.

Então voltamos para a pergunta inicial: a paixão é um estado bom ou ruim? A resposta é: nem um, nem o outro. Seria impossível viver sem paixão. Um ser humano sem paixão (entenda o sentido abrangente que estou usando) seria insignificante até para ele mesmo. A paixão, na verdade, é um estado de potencialidades…

A grande sacada aqui é saber lidar com a paixão. Seja pelo que for. Identificar quando essa paixão é pura ilusão, ou se ela está apenas catalizando o que realmente há na pessoa ou objeto. É fundamental fazer essa análise para que não haja frustrações. É como o garoto que sonho com um brinquedo, passa anos sonhando com isso, e quando recebe percebe que o brinquedo não ter valor algum. Ou a moça que sonha com certo rapaz e ao finalmente conseguir namorá-lo percebe que ele não tem valor algum.

Tudo é uma questão de valor… qual é o real valor disso? Como essa minha paixão por tal coisa pode potencializar o seu valor? O melhor reflexo disso está nas artes… o que é feito com paixão e com consciência é até hoje admirado pela sociedade. O que é feito unicamente com paixão e sem moderação acaba por nem existir.

Quanto maior for a moderação da paixão, melhores serão os seus resultados. Isso se aplica a qualquer coisa. E no nosso caso, inclusive nos relacionamentos…

Quando as pessoas escutam falar de arromantismo pensam logo em pessoas que são incapazes de se apaixonar. Ou que se ao se apaixonarem rejeitam tal estado como todas as suas forças. E não é nada disso… ao menos para mim, a paixão não é uma inimiga, mas sim uma amiga irresponsável e cega, na maioria dos casos. Tudo que faço e que tem algum valor foi feito com paixão. Ela me deu a motivação e a alegria necessária para trabalhar em coisas que “racionalmente” eu não veria valor algum.

Arromantismo dentro do romantismo

Como a ideologia arromântica poderia ajudar um relacionamento romântico? Não é tão impossível quanto você imagina! Vamos lá!

A grande erro da maioria das pessoas românticas é se deixar levar pela paixão… o maior problema da paixão é que ela distorce sua percepção de tal forma que toda sua vida muda…

Socialização, quando você se apaixonou provavelmente esqueceu de seus amigos (ou de quase todos). Isso foi um grande erro! É muito importante que você refaça a amizade. E se prepare para pedir muitas desculpas… muitos dos seus amigos ficaram magoados com seu “esquecimento”.

Dependência, as vezes a paixão catalisa o sentimento de dependência de uma pessoa. Ela assim fica extremamente dependente da outra. Outro grande erro. Se você é o dependente procure juntar forças para buscar a própria independência (de tudo). Se você é o suporte então busque ajudar seu parceiro dizendo que ele pode viver por conta própria. Algumas vezes a pessoa do suporte também acaba se deixando levar pelo sentimento de satisfação por estar sendo o “tudo” para a outra pessoa. Mas isso é extremamente problemático. Procure reverter essa situação.

Algumas áreas de dependência:

  1. Financeira – quando a pessoa é a única responsável pelo dinheiro;
  2. Social – quando a outra pessoa é sua única amiga;
  3. Afetiva – quando o desejo por carinho se torna uma dependência (carinho é bom, mas ninguém deve ficar dependente dele);
  4. Auto-imagem – um caso mais complexo, quando uma pessoa sustenta a sua auto-imagem a partir do outro. “Sem ela sou nada”;
  5. Objetivista – quando o único foco do parceiro é o outro. Esquece de todos os seus outros objetivos;
  6. Obsessiva – quando a vida só tem cor com o outro.
  7. Intelectual – quando um parceiro esquece do seu próprio desenvolvimento intelectual e se segura à inteligência/conhecimento do outro;

A mentira em nome do bem, em qualquer relacionamento há mentiras. Mas nunca relacionamento amoroso há muita coisa em jogo e por isso, muitas vezes, mentir é crucial! Mas como então não mentir? Simples… não provocando a situação onde seja necessário mentir. Contar a verdade muitas vezes é insuportável… então que tal cortar o mal pela raiz? Nunca esconda uma verdade sobre você do seu parceiro. E evite ao máximo provocar situações onde no futuro será necessário mentir. Saiba que se a mentira trará dor para o seu parceiro ela trará infinitamente mais sobre você.

Elogios, você já viu dois amigos que vivem se elogiando? Pode até existir… mas eu nunca conheci algum caso assim. A verdade é que em muitos casos os amigos estão errados… os namorados se elogiam demais… e os amigos de menos. Grande erro! Deve haver um equilíbrio aí. Você deve elogiar qualquer pessoa na medida certa. Mais do que isso parecerá falso, e com o tempo perderá o “efeito”. Quarde os elogios para os momentos certos.

Amor temporário, as vezes (mas não sempre) um casal de apaixonados pode entrar num incrível amor entre eles… são pacientes, prestativos, bondosos, sinceros, etc… Isso é ótimo. Se não fosse por dois problemas: Amor exclusivista (”só amo quem me ama” ou “só amo XYZ) nunca dá certo, esse amor só dura pelo tempo que dura a paixão. Conheço muitas esposas que vivem amarguradas porque perderam o amante (literalmente) que tinham e hoje vivem com uma sangue-suga.

Como reverter essa situação? Só existe uma solução… se você ainda está nesse amor temporário simplesmente passe a oferecer esse amor para outras pessoas. Isso vai ajudar a solidificar o que está sendo em você superficial. Assim com o passar dos anos as qualidades do amor nunca deixarão seus relacionamentos. Obs: Em alguns casos o casal desenvolvem algum tipo de bloqueio, onde conseguem amar os outros, exceto o parceiro. Nesse caso é necessário fazer uma auto-análise. Mas fuja dos terapeutas de casais que “prescrevem” sexo para tudo. É só placebo.

Sexo, dentro de um relacionamento sexo pode ser tudo, exceto fundamental. O problema é que (não imagino como) os terapeutas de casais entenderam que tudo dentro de uma relacionamento romântico se resumo em sexo! Toda confusão acontece porque alguns inverteram a ordem… colocaram os efeitos na frente da causa. Por exemplo, quando um parceiro magoa o outro é provável que eles não se sintam a vontade para fazer sexo… isso é lógico. Mas alguns “especialistas” invertem a ordem. Dizem que por não fazer sexo eles irão se magoar (de alguma maneira mágica). Então eles recomendam sexo para um bom relacionamento.

Mas basta consulta o rapaziada da boa idade pra saber como é que as coisas realmente funcionam. Sexo é um elemento que deve ser opcional num relacionamento romântico. O que é fundamental é: sinceridade, apoio, paciência, companheirismo, humildade, bondade, etc. Muitos casais desde cedo vão pelo caminho do fundamentalismo do sexo… provavelmente a grande maioria segue por essa rota… bem todos sabem o que acontecem com a grande maioria dos relacionamentos românticos…

Afeto, o afeto/carinho é uma forma de comunicação mais objetiva do que a comunicação verbal. Digamos que um abraço pode dizer mais do que um livro. Muitas vezes um casal (pelas razões citadas acima) deixam o afeto de lado. Isso é o começo do fim. Mas não se iluda… não saia fazendo carinho no seu parceiro… isso não vai mudar muita coisa. Primeiro resolva tudo que já foi dito (e o que ainda será)… daí, muito provavelmente o carinho virá naturalmente. Se você partir para o carinho sem antes resolver os problemas o que pode acontecer é: O parceiro interpretar seu carinho como um ato de falsidade, como se você quisesse algo dele, ou como uma sedução sexual, como se você o estivesse chamando para fazer sexo.

É muito importante para um casal (para qualquer pessoa na verdade) desvincular sexo de carinho. É um pouco complicado, principalmente dentro desse tipo de relacionamento. Mas é fundamental. Um abraço não quer dizer “vamos para a cama”, assim como um beijo não quer dizer “quero aqui e agora”. É importante saber separar essas coisas. Um modo produtivo para um casal fazer isso é criar seu “código interno” de carinhos… criar um beijo especial que quer dizer “vamos vamos vamos!” ou um certo tipo de abraço no mesmo sentido. Não sei se é o ideal, mas por via das dúvidas resolverá 90% do problema.

Ser carinhoso com os amigos também é importantíssimo. As vezes um casal se isola do universo até na forma como trata as outras pessoas. Só existe comunicação verbal. Isso prejudica muitos os relacionamentos. Tente, juntamente com seu parceiro, re-desenvolver (ou criar, se nunca houve) o carinho pelos seus amigos. Na frente do outro mesmo para que o ciúme bobo vá minguando. Não se preocupe… se o outro realmente está com você pode você então não há o que temer… ou há? (vide A mentira em nome do bem) Com o tempo haverá um equilíbrio na comunicação não verbal (carinho) que tornará a relação interna (entre o casal) e externa (com amigos) muito melhor.

Ciúmes, o ciúme não surge por acaso… as vezes ele já está em grande nível potencial dentro do parceiro. Mas na grande maioria dos casos ele é desenvolvido dentro do próprio relacionamento. Tudo que foi dito acima contribui para que o casal (ou um parceiro) seja ciumento. Pode parecer fofinho… mas ciúme nunca é legal. Nunca! Ciúme é nada menos do que a desconfiança no parceiro. Agora, em que inferno desconfiança é algo bom?

A primeira barreira que deve ser ultrapassada é a dependência. Ambos devem se tornar independentes… isso pode parecer que vai tornar a relação fraca, mas na verdade só irá unir ainda mais o casal. E em seguida deve-se por TUDO em pratos limpos. Acredite… ganhá-lo como seu amigo e perdê-lo como seu namorado/esposo pode ser a melhor coisa que tenha acontecido na sua vida.

Um fim, muitos relacionamentos românticos são auto-destrutivos. Na verdade parece que os dois nasceram para destruir a vida do outro. É algo aterrorizante e incontrolável. Em outros casos os desejos, comportamentos e objetivos com completamente diferentes. Infelizmente, em tais casos o melhor a se fazer é por um fim… na relação romântica e se tornarem unicamente amigos (com suas devidas restrições). Aproveite para desenvolver, dentro da amizade, o que vocês não conseguiram dentro do relacionamento romântico. Isso pode/deve levar um bom tempo… mas será o tempo necessário para que vocês amadureçam… e se for viável, que voltem à relação romântica. Obs: se continuar do mesmo jeito procure ajuda profissional… se mesmo assim não mudar…

Percepções, é muito comum que um parceiro se esqueça que o outro tem o direito de ter sua particularidades. Ele pode não ter interesse sexual, não gostar de beijar, preferir ficar em casa a sair, odiar TV, etc. São coisas grande e microscópicas que são fundamentos em relacionamentos. Esquecer que o outro tem o direito de ter suas particularidades é chamar o Diabo pra luta mano-a-mano. Não dá…

Recebo vários e-mails de pessoas com relacionamento românticos até que sem muitos problemas… mas tem uma coisa… uma coisinha só que ele não suporta. E em TODAS AS VEZES essa coisa é algo totalmente fútil, ou no mínimo dispensável. Só que nesse momento ambos devem usar do bom senso para saber quem deve ser flexível e abandonar ou mudar um hábito. Por exemplo, um puzinho aqui… ou alí… pode parecer besteira… mas quem gosta disso? Não dá, não é? O flatulento deve ter consciência que ele vai aborrecer o parceiro e vai prejudicar a relação. Em outros casos, como quando o outro não gosta tanto assim de sexo (ou em casos mais complexos quando a relação causa muita dor), é importa que o parceiro tome consciência disso e mude seus interesses… ou então quem vai mudar (de casa) é o outro.

Romance, o problema do relacionamento romântico… é o romance. A grande sacada é que é impossível ser romântico 24/7… impossível! O que muitas casais fazem? Eles vivem num sistema de múltiplas personalidades. De dia eles são “normais”, mas a noite eles encarnam o amante perfeito. Ótimo… tudo bem… e o que você faz com as outras 14 outras do dia em que ele está “normal”? Deu pra sacar que fica difícil… Então, qual é a solução?! Ora, meu caro, isso é lógico…

Simplesmente seja “natural”. Então você vai me dizer… “ah mas se eu for ‘natural’ o tempo todo nosso relacionamento entrará na rotina”…. hum… de fato… esse é o problema… você é insuportável! A única forma de mudar esse quadro é mudando quem você é!

Você não precisa entregar flores para ela no trabalho. Você tem que ser a flor que ela vai encontrar ao chegar em casa. Sacou? Você não tem que ficar 24 horas por dia de bom humor… só precisa ficar 24 horas por dia apito para ser amado; Você não tem que chamar ela pra jantar fora num restaurante caríssimo… estar com você, em qualquer momento deve ser uma experiência única, você deve ser uma experiência única; Você não tem que deixá-la louca de prazer… estar com você já é um estado de conforto inestimável; Você não precisa criar poemas e canções, sua própria voz deve ser uma doce e delicada melodia a qual será acompanhada com a mesma intensidade pela dela; Mas nunca deixe de entregar chocolates… O segredo está nos chocolates :P

Existem muitas outras coisas que podem ser ditas… mas ficarão para depois… enfim… aproveitem um pouco da sabedoria arromântica. ;)

Dos relacionamentos

Logo nos primeiros anos de vida ingressamos numa escola primária. Lá percebemos que nossas amizades são completamente descartáveis e instáveis. Sendo que nossa participação nelas é quase nula. Não decidimos com quem vamos conviver, quem serão nossos amigos, com quem podemos conversar, com quem podemos brincar, quem podemos visitar e principalmente não temos controle algum sobre a durabilidade desse relacionamento. Cabendo aos país e professores (ou qualquer “responsável”) a administração da nossa vida social.

Por isso a escola primária é o maior campo de treinamento contra-amizade que existe. Boa parte dos nossos pré-conceitos sobre os relacionamentos sociais são formados lá. A outra parte (que basicamente é a mesma coisa) é formada entre nossa família principal (pai, mãe e irmãos) e secundária (tios, primos, vós, etc), com grande influência da mídia, claro.

Hoje, a criança crescida concebe o mundo como uma escola primária. E por lógica consequência aplica nos seus relacionamentos sociais o que “aprendeu” quando ainda era muito pequeno. Ou seja: que as pessoas estão apenas “passando” em suas vidas; os relacionamentos são estabelecidos pelo interesse dos outros; a interação social nada mais é do que dar e receber favores (barganha); as pessoas irão lhe valorizar de acordo com o você tem além de você para oferecer à elas; a sinceridade de sentimentos e percepções é quase nula, vivendo assim sempre com um Judas em potencial ao lado; et cetera.

Assim é inevitável que o que antes era um pré-conceito infantil se torne um conceito completamente convicto. E tal convicção pode acabar gerando alguns dos comportamentos descritos abaixo.

A criança crescida se torna um adulto frustrado que tenta encontrar no relacionamento romântico uma fuga. Visto que o relacionamento romântico pouco foi compreendido durante o período escolar ele não carrega todos os pré-conceitos da frustração, raiva, ilusão e traição que a “amizade” carrega. Pelo contrário, carrega todas as melhores perspectivas do sentir e ser: querido, acolhido, respeitado, entendido, perdoado e aceito. Ou seja, a realização do “amor” se torna seu novo objetivo de vida.

Numa outra ordem ainda pior, a pessoa projeta em todos os seres humanos – ou quase todos, sobrando o (grupo de) refúgio que pode ser algum amigo íntimo, ou um pequeno grupo de amigos íntimos ou simplesmente a família principal – a mesma perspectiva que aprendeu enquanto criança, mas ao invés de buscar a realização do “amor” ele nada mais faz do que reagir ao mundo assim como o mundo o tratou: como um objeto. Assim ele busca uma vingança compulsiva e insaciável por tudo que um dia foi feito com ele.

Tal refluxo quase sempre acontece nas interações sociais românticas, talvez por envolverem com maior intensidade tudo que foi sentido nos primeiros anos de vida. Assim todas as relações sociais são relações românticas sadomasoquistas e exploratórias (no sentido de “tirar proveito ou utilidade“) de curto prazo ou médio prazo – quando não, uma relação romântica estável paralela serve como ponto de refúgio das demais desventuras românticas que não deixam de acontecer.

Além do que foi dito o resultado da educação social na infância pode gerar graves transtornos de personalidades que podem ser lidos na Wikipedia.

O comportamento analisado friamente como está acima pode não exemplificar com clareza de que tipo de comportamento estou falando. Contudo essa é exatamente a intenção. Não há como esclarecer como é esse comportamento nos mínimos detalhes porque cada pessoa o demonstra de uma forma diferente.

O mundo (as pessoas) seguem num caminho de desvalorização dos relacionamentos. É algo agonizante que não imagino onde poderia parar. Hoje muitas pessoas projetam a “salvação” num relacionamento romântico, grande parte delas acabam frustradas e a outra parte parte finge que está tudo bem.

Espero que com você seja diferente,

Por fim um último pensamento:

A melhor avaliação seria a auto-avaliação. Seria olhar para si mesmo e identificar-se. Saber quem “sou”. Contudo aprendemos a saber quem somos através da perspectivas dos outros. Mas os outros sabem quem somos?

Well… think about it ;)

Haverá continuação

Ser solteiro não é ser sozinho

Ainda fico assustado quando vejo as pessoas assimilarem solidão à relacionamento romântico. É uma reação quase que automática. Sempre que falo que não tenho intenção de me casar um dia (e na verdade nunca tive) as pessoas dizem algo como: então você vai morrer sozinho; você realmente quer morrer sozinho?; vixi, (sou de Pernambuco) vai ficar sozinho; ah! só tu mesmo pra gostar de ficar sozinho; Deus me livre de viver sozinha para sempre!; e por aí vai…

Eu realmente não fico incomodado pessoalmente com essas declarações… eu fico triste ao ver como a mente dessas pessoas funciona. Tanto que eu muitas vezes prefiro não tocar no assunto.

O que eu realmente gostaria de entender é: como uma única pessoa poderia lhe preencher totalmente? Isso só é possível se você estiver apaixonado por aquela pessoa e isso não vai durar muito tempo (~ 3 anos). De outra maneira… ou depois de algum tempo… essa única pessoa não vai mais agradar você totalmente (na verdade mesmo quando agradava não passava de uma ilusão).

Existe muitos tipos de pessoas nesse contexto… mais os dois principais são: os que pensam assim por inércia. Se todo mundo pensa assim, eles vão com a maré. Mas na verdade eles não percebem que estão muito bem socialmente. Com alguns ótimos amigos de todos os momentos. É até engraçado ver essas pessoas falando sobre essa relação de solteiro/solidão… Mas isso não quer dizer que eles não sofram por conta disso.

E o outro tipo são as pessoas intragáveis… em todos os sentidos possíveis. Gente sem gosto, nem sal. Sem alegria ou qualquer outra forma de agrado. Gente que vive de picaretagem, malandragem, mentiras, falsidade e ilusões. Alguns mais, outros menos. Com essas pessoas eu me sinto impotente. Porque a solidão será inevitável.

Então para ser breve vou falar aqui a essência do conhecimento sobre a solidão…

Marcos contou que Jesus certa vez estava andando andando e (entre muitos eventos que aconteceram naquele dia) um homem chegou até ele e perguntou como poderia ganhar a vida eterna. Então Jesus mencionou os mandamentos já bem conhecidos por todos… mas o rapaz falou que já fazia tudo aquilo. Então Jesus o deu outra missão: Falta-te uma coisa. Venda tudo que você tem e dê aos pobres, e terás um tesouro no céu. Venha, tome sua cruz e siga-me.

O rapaz que era muito rico, retirou-se triste.

Um pouco depois Pedro disse a Jesus: deixamos tudo que tínhamos e te seguimos. Então Jesus falou:

E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna.

Essa história pode parecer sem nexo com nosso assunto… mas é bastante lógica. No começo chega esse homem rico e pergunta o que precisa fazer para ter a vida eterna… então Jesus fala o óbvio (para qualquer Judeu da época)… mas ele disse que já fazia tudo isso. Ora, se ele já fazia porque estava perguntando? Então ainda faltava algo! E não era o ato em si de dar o que tinha aos pobres. Mas sim de desistir de seu “eu”, do seu egocentrismo.

Quando Pedro falou, Jesus mostra mais um de seus paradoxos… aquele que deixar acha. É óbvio que ele não estava falando de deixar literalmente, como os apóstolos fizeram, mas sim de deixar o próprio egocentrismo. Aquele que se desprender do “meu/eu” vai ter muito mais, numa perspectiva totalmente diferente. Quem antes tinha uma mãe… agora vai ter várias… quem antes tinha uma casa… agora vai ter casa aonde quer que vá…

Mas não é o simples ato de se desapegar de bens materiais e/ou do próprio ego… é fazer isso em prol do amor por Jesus. Aí é quando essa história começa fazer ainda mais sentido. João (irmão de Jesus) foi um dos que mais entenderam o que Jesus queria dizer com amá-lo. Principalmente depois da sua morte. Morto e agora já vivo, mas não entre nós, se torna impossível amar Jesus na forma a qual concebemos o amor. João evidencia exaustivamente que amar a Jesus é amar as outras pessoas.

Por isso que depois é dito: Se você não ama seu inimigo que , como pode amar a Jesus? O princípio é bastante simples, mas profundo.

O rapaz que falou com Jesus foi só uma alegoria “real” usada para nos ensinar essa “pequena” lição. O homem rico é como qualquer pessoa nos dias atuais… estamos demasiadamente preocupados com nosso nariz… não existe maior criador de buracos negros do que o ser humano. Somos verdadeiras dragas de vida. Isso é… se seguirmos como o homem rico.

Eu acredito que já falei sobre amor no site… e que amor é esse que devemos ter por outras pessoas. Não estou falando de afeto, mas sim de bondade… é fácil? Não. Para qualquer ser humano é impossível. Ninguém nunca (jamais!) vai amar perfeitamente… apenas tentamos… e muito mal… mas precisamos tentar. Sofrendo as temidas “perseguições”. Ah… mas a outra opção é ficar sozinho.

Qual você vai escolher? :}

Até o dia 31, todos os dias teremos um post falando sobre o tema solidão. O que vou escrever pode não tornar você a pessoa mais social do mundo, mas no mínimo vai lhe trazer muito auto-entendimento. Isso por si só já é algo incrível. E o demais vai acontecendo com o tempo.

AME, não só no fim do ano… mas o ano INTEIRO!

Deixe-me ver se você entende

I don’t care.

I don’t care.

I don’t care.

Let me see if you understand…

I DON’T CARE!

Não importa quão sensual, doce, erótico, sincero, excitante, meigo, intenso, ardente ou o adjetivo que você quiser me induzir a pensar… Eu REALMENTE não me IMPORTO.

Eu não me importo se você “dá” a vagina, anus, boca, peitos ou o que quer que você erotizar. Eu não me importo. Eu não me importo se você beija mulheres ou homens, gatos ou cachorros. Eu não me importo. Quem você chupa? Eu não me importo!

Não faz diferença para mim… é tudo patético da mesma forma. Não é da minha conta o que você faz com quem quer que seja.

Eu amo as pessoas e quero o melhor para todos… mas não façam perguntas sobre orientação/identidade sexual. Eu acho esse circo todo completamente patético. Não quero participar desse show político doentio.

Não me interesso por beijos nem por sexo… nem por compromissos mesquinhos

Me deixem fora dessa “viagem”.

Se der saia também. Depois não diga que eu não falei. Estou ouvindo isso demais ultimamente.

Casamentos e afins

Um bom casamento é aquele no qual o parceiro é um amigo.

Não existe simbiose…

Não existe mística…

Não existe mágica…

Em relações pessoais sempre somos amigos. Não existe outra condição relacional.

Os filhos na verdade são amigos dos pais. O nível relacional filho só existe como elemento cultural. Mas o amigo é inerente à relação social humana.

Qualquer nível relacional criado pela nossa cultara só gera outros problemas sociais. Um filho amigo é um ótimo filho, mas um filho filho é um grande problema!

Um filho filho não gosta dos pais. Eles mal se conhecem. Não se gostam. Não se sentem. Há apatia, a indiferença. E toda relação é composta por pressões sociais e barganhas em investimentos financeiros e psicológicos.

Um bom casamento ocorre entre dois amigos.

Mas nunca na história humana o casamento funcionou nas bases do amor, da sinceridade, da pureza de coração, da empatia e da razão. Talvez… talvez tenha existido algum casamento assim… talvez.

O que vejo hoje são pessoas ligadas pela dependência financeira; pela opressão social; pelas leis dos homens; pelas leis das religiões; pelo medo da solidão; pelo “elo” familiar; pela normalidade; pela obrigação existêncial; pelo medo da felicidade; pelo medo da liberdade; pela ilusão e até mesmo… pela força.

Bem… não tendo forças para dizer mais do que o que foi dito…

PENSE NISSO!

Por todo aqueles que sofrem em silêncio.