Ambiguidade romântica

Se você observar a paixão com um olhar “neutro” perceberá que na verdade ela só é um catalisador de emoções e sentimentos. Tendemos a pensar na paixão como um elemento novo em nossas vidas… algo que não estava lá, e de repente surgiu e mudou tudo. Não é bem assim…

Qualquer sentimento/emoção existe como uma ferramenta. A tristeza, a alegria, a raiva, dor, compaixão, etc. Tudo isso não acontece por acaso. Eles possuem aplicações prática e só existem por essas razões. Quando um sentimento/emoção se torna instável – durando muito pouco ou demais – temos aí um problema psicológico ou até mesmo de saúde física. Por exemplo, a tristeza é um sentimento bom. Digo bom porque ela tem efeito produtivo nas nossas vidas. Contudo a depressão não tem um efeito produtivo… ela pode levar uma pessoa até mesmo ao suicídio. Pessoas que sofrem de transtorno bi-polar entendem bem como os sentimentos/emoções devem ser equilibrados para a vida seja suave e agradável.

A pergunta é: a paixão é um estado bom ou ruim?

É importante entender que a paixão só existe como catalisadora. Naturalmente somos levados a gostar e desgostar de certas coisas nas outras pessoas. Alguns desses elementos são instintivos, já outros unicamente racionais. Mas na maioria dos casos há uma mistura entre instintividade e racionalidade. Por exemplo: a beleza. Avaliar se alguém é bonito ou feio é uma característica natural de qualquer ser humano. Agora que elementos vão dar beleza ou feiura vai depender (em parte) da cultura na qual ele está envolvido. No ser humano nenhum elemento é apreciado unicamente pelo seu instinto ou unicamente pela sua razão.

Abaixo estão algumas coisas que apreciamos em outras pessoas:

  • A sua cultura;
  • Seu tom de voz;
  • A língua falada;
  • Seu sotaque;
  • Sua inteligência;
  • Sua delicadeza;
  • Seu humor;
  • Seu carisma;
  • A beleza do corpo (ou alguma parte dele);
  • As experiências de vida;
  • Agradabilidade

Todas essas coisas são apreciadas por nós. Mesmo que seja num nível imperceptível. A comunicação não é restrita ao que é dito verbalmente. Todos os elementos acima são formas de comunicação. A forma como uma pessoa fala pode dizer qual seu nível social, sua cultura, nível de instrução, região de origem, etc. Sua inteligência diz sobre sua capacidade de sobrevivência, assimilação de novas informações, adaptabilidade com o ambiente, etc. A beleza do corpo diz sobre sua vitalidade, idade, comportamento, etc.

Todas essas informações são extremamente importantes para a relação dessas duas pessoas. Quanto mais elementos positivos (aqueles que gostamos) maior será o sentimento de empatia, admiração, afeto, compaixão, etc. Os elementos negativos produzem justamente o inverso: cinismo, desprezo, raiva, rancor, etc.

O que isso tem há ver com a paixão? Tudo…

É impossível ser totalmente positivo para uma pessoa. Porque temos somos diferentes e temos gostos diferentes. Achar alguém totalmente compatível (dentre quase 7 bilhões de pessoas) é impossível. Na imagem abaixo você pode ver o caso de duas pessoas e a relação entre elas. Observe como os gostos são diferentes e observe o que um não gosta no outro.

Entre essas duas pessoas é possível que haja uma amizade, ainda que superficial, mas impossível que exista um relacionamento romântico sem interferência da paixão. Então, como é que muitas vezes pessoas (aparentemente) completamente incompatíveis namoram e até se casam?

O que é importante para a paixão muitas vezes não é importante para a pessoa. O que a paixão quer é dar continuidade para a espécie. Ou seja, a reprodução. E para isso ela vai avaliar os conceitos que ela acredita serem os mais interessantes para tal obra. Ora, a paixão não tem inteligência própria, logo ela vai usar o que a pessoa acredita (de forma inconsciente ou até mesmo instintiva) ser o mais viável para esse trabalho.

Mas o que acontece com os elementos negativos? Simples… lembre-se que a paixão distorce a percepção de uma pessoa. Algumas vezes ela gera uma admiração abstrata inexplicável. A pessoa gosta da outra sem ter a menor razão para isso. Em outras vezes a paixão catalisa todos os elementos positivos e “esconde” todos os elementos negativos da percepção.

É lógico que a pessoa não fica retardada… muitas vezes ela reconhece os principais defeitos do outro, mas é como se isso não tivesse valor algum para seu “moderador interno”.

Bem… a paixão não durar para sempre… e com o tempo ela vai perdendo seu poder de distorção da percepção. Isso não quer dizer que a relação vai acabar… só quer dizer que com o tempo um verá cada vez mais nitidamente o outro. E isso, na verdade é ótimo, reconhecer a pessoa como ela realmente é. O problema é que o que um sentia pelo outro era “artifical” visto que o que um via no outro na verdade estava distorcido ou até omitido.

Todo o problema está nesse processo de avaliar e sentir. O que aconteceria se você fosse amigo de uma pessoa e depois de anos descobrisse que ela não é nada do que você acreditava. Você se sentiria traído. É justamente isso que acontece em muitos relacionamentos. O problema é que no seu caso você sabe que seu amigo de fato traiu sua confiança. Já dentro do relacionamento romântico essa percepção da traição praticamente não existe… aí fica um tristeza sem “como?” nem “quando?”.

O que define se gostamos ou não de uma pessoa é o valor de seus elementos positivos. Cada elemento positivo tem um valor diferente. Para algumas pessoas, por exemplo, a fama é o maior elemento positivo. E como dito a presença desses elementos positivos influenciam no que sentimentos pela outra pessoa. O que poucas pessoas não sabem é que a paixão não só existe na sua forma avassaladora… na verdade a paixão, como catalizadora/supressora de elementos, está presente o tempo todo em nossas vidas.

Quantas vezes você já não ficou dias pensando numa pessoa só por conta de algo que ela disse; ou por causa da cor dos olhos; ou pela forma como ela te tratou, ou pelo seu carisma? Ou quem você admira (intensamente) por uma simples razão… pela inteligência ou pelo sotaque? E aquele cara/garota que até hoje está na sua memória pelo simples fato de terem passado algum momento agradável juntos?

Olhando por esse ângulo também podemos identificar fortes sentimentos por objetos: livros, revistas, filmes, computadores, carros, motos, casas e até mesmo marcas. Praticamente todas as pessoas também possuem um forte ligação com tais coisas inanimadas. E como explicar isso se não como uma paixão? Podemos também ter paixão por alguma atividade. Grandes pintores, músicos e arquitetos eram na verdade apaixonados pelo que faziam.

Então voltamos para a pergunta inicial: a paixão é um estado bom ou ruim? A resposta é: nem um, nem o outro. Seria impossível viver sem paixão. Um ser humano sem paixão (entenda o sentido abrangente que estou usando) seria insignificante até para ele mesmo. A paixão, na verdade, é um estado de potencialidades…

A grande sacada aqui é saber lidar com a paixão. Seja pelo que for. Identificar quando essa paixão é pura ilusão, ou se ela está apenas catalizando o que realmente há na pessoa ou objeto. É fundamental fazer essa análise para que não haja frustrações. É como o garoto que sonho com um brinquedo, passa anos sonhando com isso, e quando recebe percebe que o brinquedo não ter valor algum. Ou a moça que sonha com certo rapaz e ao finalmente conseguir namorá-lo percebe que ele não tem valor algum.

Tudo é uma questão de valor… qual é o real valor disso? Como essa minha paixão por tal coisa pode potencializar o seu valor? O melhor reflexo disso está nas artes… o que é feito com paixão e com consciência é até hoje admirado pela sociedade. O que é feito unicamente com paixão e sem moderação acaba por nem existir.

Quanto maior for a moderação da paixão, melhores serão os seus resultados. Isso se aplica a qualquer coisa. E no nosso caso, inclusive nos relacionamentos…

Quando as pessoas escutam falar de arromantismo pensam logo em pessoas que são incapazes de se apaixonar. Ou que se ao se apaixonarem rejeitam tal estado como todas as suas forças. E não é nada disso… ao menos para mim, a paixão não é uma inimiga, mas sim uma amiga irresponsável e cega, na maioria dos casos. Tudo que faço e que tem algum valor foi feito com paixão. Ela me deu a motivação e a alegria necessária para trabalhar em coisas que “racionalmente” eu não veria valor algum.

Arromantismo dentro do romantismo

Como a ideologia arromântica poderia ajudar um relacionamento romântico? Não é tão impossível quanto você imagina! Vamos lá!

A grande erro da maioria das pessoas românticas é se deixar levar pela paixão… o maior problema da paixão é que ela distorce sua percepção de tal forma que toda sua vida muda…

Socialização, quando você se apaixonou provavelmente esqueceu de seus amigos (ou de quase todos). Isso foi um grande erro! É muito importante que você refaça a amizade. E se prepare para pedir muitas desculpas… muitos dos seus amigos ficaram magoados com seu “esquecimento”.

Dependência, as vezes a paixão catalisa o sentimento de dependência de uma pessoa. Ela assim fica extremamente dependente da outra. Outro grande erro. Se você é o dependente procure juntar forças para buscar a própria independência (de tudo). Se você é o suporte então busque ajudar seu parceiro dizendo que ele pode viver por conta própria. Algumas vezes a pessoa do suporte também acaba se deixando levar pelo sentimento de satisfação por estar sendo o “tudo” para a outra pessoa. Mas isso é extremamente problemático. Procure reverter essa situação.

Algumas áreas de dependência:

  1. Financeira – quando a pessoa é a única responsável pelo dinheiro;
  2. Social – quando a outra pessoa é sua única amiga;
  3. Afetiva – quando o desejo por carinho se torna uma dependência (carinho é bom, mas ninguém deve ficar dependente dele);
  4. Auto-imagem – um caso mais complexo, quando uma pessoa sustenta a sua auto-imagem a partir do outro. “Sem ela sou nada”;
  5. Objetivista – quando o único foco do parceiro é o outro. Esquece de todos os seus outros objetivos;
  6. Obsessiva – quando a vida só tem cor com o outro.
  7. Intelectual – quando um parceiro esquece do seu próprio desenvolvimento intelectual e se segura à inteligência/conhecimento do outro;

A mentira em nome do bem, em qualquer relacionamento há mentiras. Mas nunca relacionamento amoroso há muita coisa em jogo e por isso, muitas vezes, mentir é crucial! Mas como então não mentir? Simples… não provocando a situação onde seja necessário mentir. Contar a verdade muitas vezes é insuportável… então que tal cortar o mal pela raiz? Nunca esconda uma verdade sobre você do seu parceiro. E evite ao máximo provocar situações onde no futuro será necessário mentir. Saiba que se a mentira trará dor para o seu parceiro ela trará infinitamente mais sobre você.

Elogios, você já viu dois amigos que vivem se elogiando? Pode até existir… mas eu nunca conheci algum caso assim. A verdade é que em muitos casos os amigos estão errados… os namorados se elogiam demais… e os amigos de menos. Grande erro! Deve haver um equilíbrio aí. Você deve elogiar qualquer pessoa na medida certa. Mais do que isso parecerá falso, e com o tempo perderá o “efeito”. Quarde os elogios para os momentos certos.

Amor temporário, as vezes (mas não sempre) um casal de apaixonados pode entrar num incrível amor entre eles… são pacientes, prestativos, bondosos, sinceros, etc… Isso é ótimo. Se não fosse por dois problemas: Amor exclusivista (”só amo quem me ama” ou “só amo XYZ) nunca dá certo, esse amor só dura pelo tempo que dura a paixão. Conheço muitas esposas que vivem amarguradas porque perderam o amante (literalmente) que tinham e hoje vivem com uma sangue-suga.

Como reverter essa situação? Só existe uma solução… se você ainda está nesse amor temporário simplesmente passe a oferecer esse amor para outras pessoas. Isso vai ajudar a solidificar o que está sendo em você superficial. Assim com o passar dos anos as qualidades do amor nunca deixarão seus relacionamentos. Obs: Em alguns casos o casal desenvolvem algum tipo de bloqueio, onde conseguem amar os outros, exceto o parceiro. Nesse caso é necessário fazer uma auto-análise. Mas fuja dos terapeutas de casais que “prescrevem” sexo para tudo. É só placebo.

Sexo, dentro de um relacionamento sexo pode ser tudo, exceto fundamental. O problema é que (não imagino como) os terapeutas de casais entenderam que tudo dentro de uma relacionamento romântico se resumo em sexo! Toda confusão acontece porque alguns inverteram a ordem… colocaram os efeitos na frente da causa. Por exemplo, quando um parceiro magoa o outro é provável que eles não se sintam a vontade para fazer sexo… isso é lógico. Mas alguns “especialistas” invertem a ordem. Dizem que por não fazer sexo eles irão se magoar (de alguma maneira mágica). Então eles recomendam sexo para um bom relacionamento.

Mas basta consulta o rapaziada da boa idade pra saber como é que as coisas realmente funcionam. Sexo é um elemento que deve ser opcional num relacionamento romântico. O que é fundamental é: sinceridade, apoio, paciência, companheirismo, humildade, bondade, etc. Muitos casais desde cedo vão pelo caminho do fundamentalismo do sexo… provavelmente a grande maioria segue por essa rota… bem todos sabem o que acontecem com a grande maioria dos relacionamentos românticos…

Afeto, o afeto/carinho é uma forma de comunicação mais objetiva do que a comunicação verbal. Digamos que um abraço pode dizer mais do que um livro. Muitas vezes um casal (pelas razões citadas acima) deixam o afeto de lado. Isso é o começo do fim. Mas não se iluda… não saia fazendo carinho no seu parceiro… isso não vai mudar muita coisa. Primeiro resolva tudo que já foi dito (e o que ainda será)… daí, muito provavelmente o carinho virá naturalmente. Se você partir para o carinho sem antes resolver os problemas o que pode acontecer é: O parceiro interpretar seu carinho como um ato de falsidade, como se você quisesse algo dele, ou como uma sedução sexual, como se você o estivesse chamando para fazer sexo.

É muito importante para um casal (para qualquer pessoa na verdade) desvincular sexo de carinho. É um pouco complicado, principalmente dentro desse tipo de relacionamento. Mas é fundamental. Um abraço não quer dizer “vamos para a cama”, assim como um beijo não quer dizer “quero aqui e agora”. É importante saber separar essas coisas. Um modo produtivo para um casal fazer isso é criar seu “código interno” de carinhos… criar um beijo especial que quer dizer “vamos vamos vamos!” ou um certo tipo de abraço no mesmo sentido. Não sei se é o ideal, mas por via das dúvidas resolverá 90% do problema.

Ser carinhoso com os amigos também é importantíssimo. As vezes um casal se isola do universo até na forma como trata as outras pessoas. Só existe comunicação verbal. Isso prejudica muitos os relacionamentos. Tente, juntamente com seu parceiro, re-desenvolver (ou criar, se nunca houve) o carinho pelos seus amigos. Na frente do outro mesmo para que o ciúme bobo vá minguando. Não se preocupe… se o outro realmente está com você pode você então não há o que temer… ou há? (vide A mentira em nome do bem) Com o tempo haverá um equilíbrio na comunicação não verbal (carinho) que tornará a relação interna (entre o casal) e externa (com amigos) muito melhor.

Ciúmes, o ciúme não surge por acaso… as vezes ele já está em grande nível potencial dentro do parceiro. Mas na grande maioria dos casos ele é desenvolvido dentro do próprio relacionamento. Tudo que foi dito acima contribui para que o casal (ou um parceiro) seja ciumento. Pode parecer fofinho… mas ciúme nunca é legal. Nunca! Ciúme é nada menos do que a desconfiança no parceiro. Agora, em que inferno desconfiança é algo bom?

A primeira barreira que deve ser ultrapassada é a dependência. Ambos devem se tornar independentes… isso pode parecer que vai tornar a relação fraca, mas na verdade só irá unir ainda mais o casal. E em seguida deve-se por TUDO em pratos limpos. Acredite… ganhá-lo como seu amigo e perdê-lo como seu namorado/esposo pode ser a melhor coisa que tenha acontecido na sua vida.

Um fim, muitos relacionamentos românticos são auto-destrutivos. Na verdade parece que os dois nasceram para destruir a vida do outro. É algo aterrorizante e incontrolável. Em outros casos os desejos, comportamentos e objetivos com completamente diferentes. Infelizmente, em tais casos o melhor a se fazer é por um fim… na relação romântica e se tornarem unicamente amigos (com suas devidas restrições). Aproveite para desenvolver, dentro da amizade, o que vocês não conseguiram dentro do relacionamento romântico. Isso pode/deve levar um bom tempo… mas será o tempo necessário para que vocês amadureçam… e se for viável, que voltem à relação romântica. Obs: se continuar do mesmo jeito procure ajuda profissional… se mesmo assim não mudar…

Percepções, é muito comum que um parceiro se esqueça que o outro tem o direito de ter sua particularidades. Ele pode não ter interesse sexual, não gostar de beijar, preferir ficar em casa a sair, odiar TV, etc. São coisas grande e microscópicas que são fundamentos em relacionamentos. Esquecer que o outro tem o direito de ter suas particularidades é chamar o Diabo pra luta mano-a-mano. Não dá…

Recebo vários e-mails de pessoas com relacionamento românticos até que sem muitos problemas… mas tem uma coisa… uma coisinha só que ele não suporta. E em TODAS AS VEZES essa coisa é algo totalmente fútil, ou no mínimo dispensável. Só que nesse momento ambos devem usar do bom senso para saber quem deve ser flexível e abandonar ou mudar um hábito. Por exemplo, um puzinho aqui… ou alí… pode parecer besteira… mas quem gosta disso? Não dá, não é? O flatulento deve ter consciência que ele vai aborrecer o parceiro e vai prejudicar a relação. Em outros casos, como quando o outro não gosta tanto assim de sexo (ou em casos mais complexos quando a relação causa muita dor), é importa que o parceiro tome consciência disso e mude seus interesses… ou então quem vai mudar (de casa) é o outro.

Romance, o problema do relacionamento romântico… é o romance. A grande sacada é que é impossível ser romântico 24/7… impossível! O que muitas casais fazem? Eles vivem num sistema de múltiplas personalidades. De dia eles são “normais”, mas a noite eles encarnam o amante perfeito. Ótimo… tudo bem… e o que você faz com as outras 14 outras do dia em que ele está “normal”? Deu pra sacar que fica difícil… Então, qual é a solução?! Ora, meu caro, isso é lógico…

Simplesmente seja “natural”. Então você vai me dizer… “ah mas se eu for ‘natural’ o tempo todo nosso relacionamento entrará na rotina”…. hum… de fato… esse é o problema… você é insuportável! A única forma de mudar esse quadro é mudando quem você é!

Você não precisa entregar flores para ela no trabalho. Você tem que ser a flor que ela vai encontrar ao chegar em casa. Sacou? Você não tem que ficar 24 horas por dia de bom humor… só precisa ficar 24 horas por dia apito para ser amado; Você não tem que chamar ela pra jantar fora num restaurante caríssimo… estar com você, em qualquer momento deve ser uma experiência única, você deve ser uma experiência única; Você não tem que deixá-la louca de prazer… estar com você já é um estado de conforto inestimável; Você não precisa criar poemas e canções, sua própria voz deve ser uma doce e delicada melodia a qual será acompanhada com a mesma intensidade pela dela; Mas nunca deixe de entregar chocolates… O segredo está nos chocolates :P

Existem muitas outras coisas que podem ser ditas… mas ficarão para depois… enfim… aproveitem um pouco da sabedoria arromântica. ;)

Asexual romântico?

“Asexual people can love others for the wrong reasons, sexual attraction just isn’t one of them.”
Tradução: Pessoas assexuais podem amar outras pessoas pelas razões erradas, mas sexual realmente não será uma delas.

Comentando a declaração que é bastante comum e tem me feito parar a edição da FAQ:

Primeiro, como eu já venho dizendo aqui no site AMOR não existe como sentimento. Já estou cansado de repetir isso.

Segundo, O que temos nesse caso é PAIXÃO.

Terceiro, a paixão é um processo sexual que acontece em muitos animais, principalmente entre mamíferos (alguns até com semelhanças assustadoras com os seres humanos).

Quarto, um relacionamento íntimo nada mais é do que um relacionamento comum no qual tenta-se estimular a paixão (a fim de manter seus efeitos quase alucinógenos por mais tempo) através de estímulos. Estimular a paixão é o mesmo que estimular o processo sexual.

Quinto, concluindo uma pessoa que tenta estimular um processo sexual não pode ser assexual.

O problema é que a grande maioria dos assexuais românticos são mulheres (não me pergunte por quê!). E as mulheres possuem reações à excitação sexual diferente dos homens. Muitas (mais de 50%), de acordo com um estudo recente mostraram não saber que estavam excitadas sexualmente, quando realmente estavam.

No homem a excitação sexual é “alarmada” pelo pênis. Tanto que muitos homens que o perdem (é… existem esses casos) acabam também perdendo boa parte do seu interesse sexual e auto-erótico.

Isso é um processo bastante interessante o qual vou comentar com mais detalhes em posts futuros…

Mas voltando ao assunto… é importante entender que todo o processo da paixão é contrário à assexualidade. Isso não quer dizer que quem se apaixona deixa de ser assexual. Apenas é importantíssimo observar duas coisas:

  • Onde há fumaça há fogo
  • A essência da assexualidade não está nas pulsões do seu corpo, mas sim no seu “estilo de vida”.

Tal pensamento tem me feito reconsiderar a linha divisória entre assexuais e celibatários.

Mas esse é um assunto bastante interessante para outros post!

Pense no assunto ;)

Se você acha que o conhecimento vai tirar sua razão de viver… tenho que lhe dizer… você já não tem uma razão para viver.

Qual o problema com o amor?

Amor… a mais ou menos um ano atrás eu fiquei pensando no significado dessa palavra. Foi quando alguém me disse que não acreditava no amor. Eu como qualquer outra pessoa fiquei assustado… mas de qualquer forma isso foi bom porque me fez pensar sobre isso.

Sempre escutamos as pessoas falando de amor o tempo todo. Em todos os aspectos possíveis. Mas depois de algum tempo observei que quando as pessoas estão falando de amor elas estão falando na verdade de duas coisas: gostar ou paixão. É por isso que costumamos dizer que amamos um determinado objeto quando na verdade gostamos muito dele.

A verdade é que convencionamos que o amor é algo “especial”. Algum tipo de sentimento sublime, maior que a paixão. E não é bem assim. Na verdade quem sabe dizer o que é o amor? Qualquer tentativa vai sugerir uma paixão (mais sólida) que nunca acaba.

Sobre a paixão eu já falei muitas vezes aqui no site. Mas acho que todo mundo já sabe que se trata de uma ilusão, que goste ou não. O problema é que as pessoas nunca querem acreditar que o que sentem é paixão (ou só paixão), porque soa mal… é melhor dizer que é amor.

Amor só existe como habilidade. Amar é fazer, nunca sentir. O pior é que muitas pessoas ficam com raiva, enfurecidas porque estou dizendo o que todo mundo já sabe.

Bem… na falta de ter mais coisas óbvias para falar, vou parando aqui.

Mitos sobre paixão e atração

As pessoas as vezes fazem certas colocações que só não são tristes porque são muito engraçadas.

Outro dia estava sendo entrevistado, conversando com a jornalista ela me fez a clássica pergunta sobre atração: “Você sente atração pelas pessoas?”. Eu realmente não sei o que as pessoas querem dizer com isso. Ela tentou me explicar mostrando o exemplo de quando um homem chama a atenção de uma mulher e ela fica olhando para ele…

Bem… pelo que entendi… isso seria uma forma de atração…

Então tenho atração por gatos, cachorros, plantas, homens, mulheres, meninos, meninas, bebês, quadros, mar, pássaros e tudo mais que existe e me deixa desnorteado pela sua beleza.

Essa colocação da jornalista realmente me fez pensar… muitas pessoas acham que atração sexual/romântica é admirar alguém! Na verdade não só isso… mas muitas pessoas acham que beijos, abraços, carinhos, namoro, ou qualquer outra coisa “íntima” desclassifica alguém como assexual! Já falei com várias pessoas que se justificaram sexuais porque sentia essa “atração” por outras pessoas. Ou porque ainda faziam sexo… mesmo sem querer/gostar.

Pessoal… uma pessoa pode ser assexual mesmo fazendo sexo 24 horas por dia. Pode ficar congelada ao ver um super gato(a)… pode dar beijos ardentes… ou o que quer que seja! Nada disso prova o interesse sexual de pessoa alguma. A melhor – e na verdade a única – forma de saber o que se é é olhando para si mesmo. Mas esse não é um exercício simples.

Eu mesmo não pensando em mim mesmo como assexual até ler a vida de outros assexuais e ver como a mentalidade de muitos deles era igual ou muito semelhante a minha.

Lembre-se que assexual é só um rótulo e como qualquer outro rótulo ele não é absoluto, mas sim relativo. Por isso só você pode se definir como assexual.

Existem bilhões de razões para fazer sexo e só uma delas é a atração sexual ou interesse sexual. As pessoas fazem sexo por pressão social, por vício, por dinheiro, por status, por valorização, por auto-valorização, pelo mantimento da família, por motivos religiosos, por satisfação traumática-doentia, etc. Da mesma forma existem bilhões de razões para se apaixonar. Ambos – sexo e paixão – são mecanismos naturais do corpo. Eles existem por uma razão simples: reprodução.

O problema é que ambos são extremamente destrutivos em seres humanos. Os outros animais não pensam como pensamos. Eles não fazem as assimilações que fazemos. Não sentem o que sentimos. A maior estupidez moderna é querer fazer do homem um bicho instintivo. Essa mentalidade está se tornando tão sólida que tudo se justifica agora pelo instinto.

O mais engraçado é que o conteúdo desse site é loucura para muita gente. Como se o que eu falasse aqui fizesse parte de um mundo paralelo de uma mente criativa. NÃO É! Caiam na real! Isso é muito sério!

Eu recebo cada vez mais e-mails de pessoas sexuais me contando seus conflitos e me pedindo alguma ajuda. Veja… num site para assexuais pessoas sexuais estão buscando algum refugiu. E não pense que são problemas pequenos… alguns vivem em depressão por anos… outros já estão desenvolvendo algum tipo de comportamento bipolar… e os piores estão ficando cínicos que é o último estágio e o mais triste de todos – antes da morte. Mas não pense que os assexuais estão muito diferentes… nesse mundo ou você sofre por estar dentro ou sofre por estar fora.

Eu realmente gostaria que muitos de vocês acordassem e fizessem algo. Mas isso não depende de mim, somente de vocês.

Tirem essas ideias de suas cabeças… sexo é opção… paixão também. Não importa se você sente atração ou não… sempre vai ser uma opção. E se isso atrapalha sua vida… não se auto-engane. 99% das pessoas sofrem por recorrência.

Pense nisso tudo… e por favor… dê a você mesmo um INCRÍVEL presente de natal… leia esse site! Leia tudo… é de graça… não custa um centavo. E sua vida só vai enriquecer.

Você mesmo agradece! ;)

Paixão e assexualidade, uma mistura perigosa

Os assexuais carregam a imagem de pessoas com péssimos relacionamentos românticos. Pensei um pouco sobre isso e só encontrei resposta na paixão. O objetivo da paixão parece ser a cópula e por consequência a reprodução sexual. Mas os assexuais românticos não atingem esse objetivo. Ou se chegarem a atingir é indiferente para suas vidas. Mas como isso pode complicar tanto a vida de uma pessoa ao ponto dela até entrar em depressão?

Eu comecei a estudar sobre a paixão e o amor quando observei que não sentia esses sentimentos como supostamente deveríamos sentir. Eu tinha que me esforçar para sentir mais ou menos algo semelhante ao que era descrito. Eu tinha que deliberadamente querer sentir paixão para sentir qualquer coisa parecida com isso. Depois acabei me cansando disso e fiquei triste por não entender o que estava acontecendo.

Certo dia lendo o site da AVEN li o depoimento de um rapaz… ele não era exatamente igual a mim, ninguém é. Mas ele falou mais ou menos o mesmo que eu havia pensado sobre paixão e o amor. Aquilo me deu ânimo para me levanter e ler mais sobre o assunto. Descobri o termo arromântico (aromantic), no qual me enquadro e hoje lido muito melhor comigo mesmo.

O mínimo de sexualidade que restava em mim – que era o romantismo – deixou de existir (na verdade nunca existiu). Entendeu? As pessoas não acreditam… mas a paixão faz parte da sexualidade humana! Diferentemente de tudo que aprendemos até hoje, a paixão é a preliminar do sexo. Lógico que alguém pode fazer sexo sem paixão, assim como pode comer sem fome. Mas se existe sexo é porque existe paixão. Na verdade o que chamamos de “tesão” também faz parte da paixão.

É realmente complicado, depois de tantos anos, desmistificar a paixão. As pessoas não querem acreditar que algo aparentemente tão puro é só uma etapa para o sexo. Mas são os fatos.

Em resumo, a paixão existe para que exista humanidade. Ela tem tempo de validade, dura até 3 anos. É burra, analisa mais critérios biológicos do que psicológicos. É cega, não enxerga os defeitos… mas para ilustrar melhor o que é a paixão vamos ver a letra de algumas músicas:

Abandonado, assim que eu me sinto longe de você,
Despreparado, meu coração dá pulo perto de você,
E quanto mais o tempo passa, mais aumenta essa vontade,
{constante oscilação do sentimento de solidão}
O que posso fazer?
Se quando beijo outra boca lembro sua voz tão rouca me pedindo pra fazer
Carinho gostoso, amor venenoso
{exclusividade temporária}

To preocupado, será que não consigo mais te esquecer?
Desesperado, procuro uma forma de não te querer
{fixação doentia}
Mas quando a gente se encontra, o amor sempre apronta
Não consigo conter
Por mais que eu diga que não quero
Toda noite te espero com vontade de fazer
Carinho gostoso, amor venenoso
{desejo sexual inconsciente e quase incontrolável}

Faz amor comigo, sem ter hora pra acabar
Mesmo que for só por essa noite
Eu não quero nem saber, quero amar você
Faz amor comigo até o dia clarear
To ligado, sei que vou sofrer
Mas eu não quero nem saber, quero amar você
{irresponsabilidade e despreocupação com o mundo exterior}

Mais uma…

Nunca pensei que você
Me deixaria desse jeito
Sem dormir direito
{dificuldade de concentração e desfocalização}
Imaginei que fosse um passatempo qualquer
Uma aventura de amor
Mas meu coração me enganou

E agora meu mundo é seu mundo
Seu corpo em meu corpo, é um só
É um sentimento maior
{sentimento de unidade}

Te amo como nunca amei ninguém
Te quero como nunca quis um dia alguém
Você mudou a minha história (2x)
{cada nova paixão é maior que a anterior}

Todo dia a todo o momento
Tá presente em meu pensamento
Perco a noção do tempo
Só por causa de você
{fixação neurótica e doentia}

Tá bom de pagode por hoje! Eu só queria com essas duas “músicas” demonstrar o problema original desse artigo. Paixão sem sexo não combinam. Nesses dois exemplos ambos falam de paixão e sexo, sendo praticamente a mesma coisa. Não foi por acaso. Se eu pegasse mais 100 músicas de “amor” 99 teriam o mesmo conteúdo, a mesma filosofia.

Em resumo o apaixonado sende uma forte necessidade de estar próxima a outra pessoa. Ele quer tocá-la, sentí-la. Sentir o calor do corpo dela. Num sentimento de união. Pouco a pouco isso vai avançando para a relação sexual em si. Na verdade se não fossem pelos tabus sociais no mesmo dia a pessoa se apaixonaria e teria relações sexuais. Toda essa “dança do acasalamento humano” foi uma invenção cultural.

Agora… o que acontece quando uma pessoa que se diz assexual sente essa paixão tão intensa por outra pessoa?

Pense nisso!

Por que nos apaixonamos

Porque_apaixonamosEssa recomendação é para todos aqueles que vivem “doentes de amor”. Sim… paradoxalmente essa é a melhor recomendação que posso dar para todos aqueles que vivem em conflitos de “amor” e paixão.

O livro “Por que nos apaixonamos” é minha primeira recomendação para qualquer pessoa que queira entender como funciona a paixão. Infelizmente temos nenhuma educação sobre isso no colégio. A mídia faz questão de esconder e tudo mundo faz questão de não se importar. Mas para os corajosos essa livro é minha recomendação.

Contudo o livro não é perfeito, claro. Por muitas vezes a autora confunde paixão com amor, misturando as duas coisas e usando alguns jargões bem conhecidos. Mas o que me importa nele é o conteúdo científico incontestável. Se você quer enteder porque quando nos apaixonamos ficamos quase que doentes, só pensamos naquela pessoa e nos sentimos bem juntos dela… leia esse livro.

Mas leia com o olhar atento porque a autora é tendenciosa ao lado “romântico” da coisa… então mesmo dizendo que é uma ilusão ela ainda sim quer viver nessa ilusão. Mas enfim… essa leitura é para os fortes… e quem for forte vai saber separar uma coisa da outra.

Ainda tenho muitas outras recomendações para fazer… em breve.

Você pode comprar esse livro nas livrarias e pela internet.

O cíclo da loucura

Uma querida leitora me enviou um ótimo vídeo. Na verdade acho que é o mais interessante que já vi na minha vida! Realmente fala de forma bastante cômica e resumida sobre o que venho falando no site e vou falar muito ainda.

É bastante simples, mas profundo e enriquecedor.