Desenvolvimento x Sexo – Parte II
No artigo anterior eu dei um introdução sobre o assunto mais importante aqui no site. O mito da involução sexual está impregnando em nossa sociedade… os mitos já estão tão bem concretizados que nem precisam de representante… cada pessoa faz sua pequena parte na estagnação psicológica. Mas o que há de tão louco nessa construção cultural?
Como eu venho dizendo a busca neurótica pela felicidade é a marca desse século. As pessoas nem sabem o que é felicidade, mas buscam isso frenética e compulsoriamente. Quem nunca sofreu por causa da busca pela felicidade de alguém? O filho abortado; a namorada traída; a mãe esquecida; o amigo abandonado; o esposo assassinado; o emprego perdido; o emprego desejado; e tantos outros casos que fazem parte das nossas vidas… mas que são todos “normais”. E de fato é… a norma social é buscar a felicidade a todo custo.
Todo esse processo começa no nascimento. Temos objetivos que são estabelecidos por convenção social… a princípio os objetivos são apenas das habilidades corporais e intelectuais… mas em pouco tempo os objetivos para o campo minado da sexualidade. Todos os dias as crianças são estupradas (figurativamente) pelos fetiches dos adultos a sua volta. Os pequenos mal nascem e já são violentados por sentimentos, imagens e pesos complexos até mesmo para um senhor de 90 anos.
Os agressores estão (principalmente) no entretenimento eletrônico (TV/Cinema/Jogos/etc) forçando as crianças a assimilarem estados que não são compreendidos, apenas copiados. Os pequenos são copiadores… eles precisam aprender com os mais velhos a lidar com o ambiente. Os objetivos da tribo serão seus objetivos. Esse é um processo fundamental da psique humana… só que o que existe como ferramenta de sobrevivência acaba se tornando uma ferramenta de morte.
O objetivo do herói; o esperança da mocinha; a salvação do mundo; o inimigo; os fracos; os tolos; os perdedores; os falidos; os impotentes; os vitoriosos; os sábios; os queridos; os adorados; o rumo da vida; as aventuras; a morte; o fim; e por aí vai.
Tais conceitos são absorvidos pelas pequeninas mentes como um estupro psicológico. É contra sua vontade, mas o medo de resistir é maior do que o medo de reagir. Vai passando quando nem ainda começou… e assim você segue… cínico e indolor.
Ao menos sobre isso todos temos consciência: a cada dia a humanidade adoece psicologicamente e não há indicador de mudanças.
Muitas vezes os pequenos projetam no crescimento a salvação para o enforcamento nosso de cada dia. Eles imaginam que ao crescerem vão poder escolher… em sua progressiva independência. Mas inevitavelmente descobrimos que quanto mais crescemos menos escolhemos… e mais dependentes ficamos.
O que há é apenas uma transferência dos responsabilidades. Não são mais os pais que dizem como vamos nos vestir, são os amigos e a mídia. A diferença é que os pais, mesmo com todos seus fetiches projetados sobre os filhos, reconhecem (infelizmente nem sempre) no pequeno um ser humano. Ele é REAL! Com o mínimo senso de responsabilidade os pais tentam (nem sempre) fazer o melhor pelo desenvolvimento dos seus filhos (isso não exclui os fetiches). Mas os demais não se importam… aquele outro é apenas mais um consumidor para a mídia e para seu circulo social é apenas um fantasma entre milhares de outros.
