Complexo de inferioridade

O ser humano possui um complexo de inferioridade crescente. A cada dia as pessoas se sentem mais desvalorizadas e insignificantes… Para compensar o sentimento de insignificância usamos artifícios que chamaremos de acessórios. Tais acessórios podem ser qualquer coisa, apenas precisam desempenhar o papel de valor. E não necessariamente precisa ser um valor positivo. Muitas vezes um valor negativo é tão importante para o saciamento do vazio existencial quanto um valor positivo.

Poderíamos separar os acessórios em três categorias:

Objetos: vestimenta (camisas, sapatos, calças, saias, brincos, colares, pulseiras, etc), maquiagem, carros, motos, computadores, óculos, casas, relógios e por aí vai. Todas essas coisas são visíveis e ,como diz a categoria, objetivas.

Subjetivos: sotaque, país de origem, país de naturalização, experiências de vida (sexual, social, profissional, romântica, etc), conhecimento científico, marcas (nike, Apple, Ford, etc), nacionalismo, filosofia de vida, religião, e por aí vai. Todas essas coisas são abstratas (conceitos) e só se manifestam quando incorporadas em objetos (roupas, computadores, automóveis, hábitos diários, etc).

Quase sempre usamos acessórios objetivos subjetivos de forma híbrida criando um conceito único.

Você compraria um carro sem marca? A marca (conceito) é fundamental quando vamos comprar sapatos, relógios, roupas, computadores e até um lápis de pintar! Na grande maioria das vezes nem sabemos de qual material é feito tal produto ou se ele realmente vale o preço cobrado, mas compramos porque maior do que o produto é o conceito que a marca estampada nele trás.

Quanto mais insignificante uma pessoa se sentir mais ela precisará de acessórios para compensar a própria imagem. Mas na verdade não é a imagem que a pessoa tem de si para si, mas de si para os demais. Julgar a si próprio é uma tarefa que requer ousadia, coragem e determinação… e isso cansa porque precisamos fazer isso diariamente, a cada momento. Então preferimos o julgamento dos outros que é mais prático e objetivo.

Por isso os acessórios sempre precisam da “revelação”. É quase impossível encontrar uma pessoa que use acessórios subjetivos, mas que não os revele as demais pessoas a sua volta. Já viu alguém que adora uma marca não estampá-la em suas camisas e adesivos? Ou que aderiu a uma religião e faz segredo? Ou que possui uma filosofia de vida, mas não a torna visível as demais pessoas?

Usar acessórios como forma de expressão do que se já sou é algo contraditório. Visto que se sou por que precisaria expressar isso? Ninguém veste camisas com dizer: “Sou humano, com orgulho”. Na grande maioria dos casos o acessório serve para dar um valor até então inexiste. Em alguns outros casos o acessório serve como afirmação do que se acredita ser. Mas mesmo nesse caso o acessório acaba se tornando um a imagem do objetivo/objeto a se ser.

Mas afinal, qual o problema dos acessórios? São problemas evidentes que decorrem da desassociação do ser, ou seja, a falta de auto-identificação. O velho “quem-sou-eu?”. Disso pode suscitar:

  • Síndrome do pânico;

  • Distúrbio de personalidade dependente;

  • Complexos de inferioridade cada vez maiores;

  • Depressão;

  • Ansiedade – e problemas decorrentes;

  • Entre muitos outros problemas que podem resultar em suicídio.

Contudo é praticamente impossível ser humano e não usar acessórios objetivos, subjetivos ou híbridos. Somos frágeis em nossas convicções e precisamos da aceitação da sociedade. O mínimo que se pode fazer é tratar com a auto-identificação o sentimento de desprezamento e insignificância. Daí tirar um equilíbrio estável da visão de si próprio, diminuindo assim a necessidade (como algo essencial) de acessórios.

O ideal é que se busque um equilíbrio (como em tudo) entre a visão de si e os acessórios, quando necessário, para que a pessoa possa viver igualmente equilibrada consigo mesma e com a sociedade.

Resumindo: tente não usar a sua assexualidade como um acessório… ou você correrá grandes riscos.