Matando a saudade

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Um dos aspectos mais intrigantes do sexo (e de alguns outros intentos sexuais) é a sua incrível capacidade de se tornar um rito de passagem ou complexo de realização. Já vi a mesma história milhares de vezes na minha vida: duas pessoas sentem profunda falta um do outro e matam essa saudade quando se encontram e fazem sexo.

Como minha mente não parece funcionar majoritariamente em cima das convenções normais não adotei o sexo como um elemento de percepção (transitória) na minha vida.

O que me deixou e deixa confuso sobre sentir a falta de alguém. Porque a percepção de uma realidade não é sempre instantânea… principalmente quando falamos da presença não só física mas também emocional, afetiva e intelectual de outra pessoa. Muitas vezes essa percepção se dá através de gatilhos que ativam ou ligam ideias ao ponto em que aceitamos ou percebemos uma dada realidade.

Sentimos falta de alguém pela sua (óbvia) ausência. Não estritamente física, mas sim de todo seu conteúdo intelectual, emocional, afetivo, etc. Precisamos sentir para acreditar. Não importa a presença física-geográfica, mas sim o contato direto dos intelectos, emoções e afetos. Quanto mais profundo for esse contato mais consciência teremos dessa realidade.

Interessantemente minha percepção dessa realidade leva um tempo consideravelmente maior do que o das demais pessoas – ao menos pelo que aparentam. Já que eu não recorro aos recursos transitórios-sexuais para “matar” essa saudade. Logicamente existem ritos e complexos comuns como abraços, apertos de mão, palavras de saudação entre outras coisas que também possuem uma função análoga, mas não possuem a intensidade dos envolvimentos sexuais. Principalmente quando tais atos afetivos não pretendem criar um envolvimento sexual e a cópula.

Aqui também acontece uma certa emulação. Já que o mesmo ato – abraços, beijos, etc – possuem efeitos completamente diferentes pela sua intenção sexual. Logo o conteúdo e seu efeito psicológico não está necessariamente no ato em si (ao menos para tais envolvimentos não genitais), mas sim no seu conteúdo (de intenção) psicológico.

Acredito que os princípios emocionais são basicamente sempre os mesmos. E portanto os mecanismos neurológicos também. Os mecanismos hormonais e psicológicos que trarão essa percepção da realidade parecem ser os mesmos para envolvimentos sexuais ou não sexuais. Mas existem três fatores diferenciais: conteúdo pré-estabelecido, conteúdo estabelecido e efeitos hormonais.

Os conteúdos pré-estabelecidos são aqueles majoritariamente pré-programados, instintivos. Eles já existiam em considerável manifestação espontânea antes mesmo da nossa consciência própria. O conteúdos estabelecidos são aqueles inseridos em nossa mente pelo ambiente social. Isso é, família, amigos, mídia, etc. Aquilo que aprendemos ser significativo, bom, satisfatório, produtivo, etc. E por fim os efeitos hormonais sobre os quais pouco sabemos. Mas que parecem exercer o papel principal nessa história.

A única comparação que posso fazer, para que fique claro, é entre drogas e sexo. O nível de “envolvimento” entre usuários e a droga é proporcional ao nível de hormônios de satisfação e condicionamento. Quanto mais “pesada” for a droga mais envolvido estará o usuário e mais complexa e custosa será sua abstinência. Ou seja… o usuário morre de saudades da droga. O que pode facilmente ser resolvido… com uma nova dose… que trará novamente todo o envolvimento e satisfação de antes, nas mesmas categorias emocionais. Instantaneamente – por assim dizer – uma única dose é capaz de matar essa saudade tão pulsante do usuário.

O usuário não precisa da presença física-geográfica da droga para se sentir preenchido. Ele precisa sentir/usar a substância, como que tornando-a parte de si mesmo. Como que ingerindo, comendo. Não quero com isso dizer que pessoas sexuais tratam seus parceiros como objetos de prazer. Apenas estou mostrando as óbvias analogias.

Até mesmo porque o processe de realização não-sexual entre pessoas usa basicamente o mesmo mecanismo, diferenciando na intensidade (talvez) provocada por diferentes mecanismos de satisfação. É como se eu tomasse a cada dia uma fração consideravelmente pequena da mesma dose da mesma droga que uma pessoa sexual toma regularmente várias vezes num dia.

Mas isso tudo é apenas uma reflexão. E sinta-se livre para fazer a sua.

Até a próxima.

:*

Assexualidade, solidão, relacionamentos e vida

O tempo vai passando e a assexualidade vai se tornando mais conhecida. Isso quer dizer que um maior número de pessoas vai descobrir que é possível viver sem sexo. E assim toda a pressão em cima da sexualidade vai diminuir gradativamente e mais pessoas poderão se identificar enquanto outros poderão se sentir mais leves e seguras.

Na verdade ninguém sabe o que o futuro espera. Há quem acredite que o crescimento da assexualidade é um movimento do inconsciente coletivo inconformado com a erotização da vida, dos paradoxos do sexo e do consumismo humano. Enquanto outros acreditam que a assexualidade sempre esteve presente nas mesmas proporções atuais, mas não tinha a divulgação que temos hoje. Não temos como saber agora… o que temos é esse fato. Mas ao mesmo tempo que mais e mais pessoas estão se identificando muitos (a maioria) deixa passar o mais importante: a auto-análise.

A sexualidade está aí a milênios. Na verdade essa forma de comportamento foi a principal responsável por todo nosso mundo atual. A forma como vivemos, compramos, nos relacionamentos, crescemos, pensamos, desejamos, trabalhamos, estudamos, etc. De uma maneira geral tudo converge para o erocentrismo, a sexualidade. Por isso toda pessoa que segue o rumo da sexualidade está trilhando um caminho já traçado. Com regras, padrões e modos estabelecidos. Ela não precisa pensar muito por conta própria sobre como será sua vida sexual, social, familiar, financeira, etc. Ela só precisa seguir o caminho mais ou menos claro estabelecido culturalmente pelos seus ancestrais.

Mas o que acontece quando essa pessoa segue um caminho diferente? O que acontece quando ela acorda e percebe: “eu sou diferente”?

Existem várias abordagens. Há quem rejeite esse pensamento e queira ser igual. Há quem entenda que é completamente diferente das outras pessoas e deve buscar uma vida compulsoriamente diferente. Há quem entenda que deve ser diferente exclusivamente nos aspectos popularmente conhecidos como sexuais. E por aí vai.

Por isso estou cansado de ver pessoas associando a falta de desejo/atração/interesse por sexo (assexualidade) com infelicidade, solidão, isolamento, inferioridade, etc. Mas é pela falta de auto-conhecimento que a grande maioria das pessoas segue exatamente por esse caminho.

Ora, quem disse que viver é fácil? Viver implica em pensar a vida. Não podemos nos ater a padrões, rótulos, modelos, modos, etc. Tais coisas não possuem valor por si só. Mas nos apegamos a elas na nossa eterna busca pelo sentido cósmico. Quando descobri a assexualidade me apaguei (assim como quase todo mundo) aos padrões encontrados. Por um lado me senti extremamente leve, mas por outro tinha um peso que eu sentia não fazer parte de mim.

Praticamente toda minha vida futura havia perdido o sentido. Os modelos comuns perderam seu sentido e eu não sabia mais o que fazer. Por algum tempo fiquei anestesiado. Sem sentir a dor da incerteza. Dos relacionamentos sociais eu não esperava muito. Já que considera que quase tudo nesse campo estava erotizado. Acreditava que não me incomodava em não ter pessoas que me amassem. Praticamente não tinha amigos. Minha carreira profissional havia perdido o brilho da sensualidade. Até os estudos perderam o sentido. Poucas coisas me traziam alguma satisfação.

Mas, assim como antes, eu não parei de pensar. Foi o pensamento que havia me levado até lá… e era certo que eu não ficaria no mesmo lugar por muito tempo. Aos poucos fui redescobrindo os sentidos da minha vida. E na verdade isso nunca terminou e nunca vai terminar. Toda minha viagem até aqui tem sido descobrir o que realmente me satisfaz e como posso viver melhor essas experiências.

A primeira que entendi foi que o problema quase nunca está no processo si, mas sim nos padrões e roteiros estabelecidos pela minha cultura. Assim descobri que ao contrário do que pensava eu não era anti-social. Minha evasão dos relacionamentos basicamente se fundamentava em dois aspectos: minha extrema sensibilidade e inconformidade com os padrões estabelecidos. Minha isolação era um recurso de fuga, auto-segurança. O mundo me sufocava com seus hábitos, apatia, violência e cinismo… minha melhor defesa era o sarcasmo, a frieza e a passividade. Ou seja… ser completamente indiferente.

Então eu tive que aceitar que na verdade eu era um ser sensível. O que não foi fácil. Já que nossa norma (a normalidade) implica em ser insensível. Minha sensibilidade me dava uma grande sensação de total desamparo e fragilidade. Então tive que descobrir os recursos certos (e automaticamente anormais) para viver dessa maneira – com a minha sensibilidade. Com o tempo percebi que a sensibilidade na verdade me abria a uma compreensão mais profunda da vida. O que chamamos de empatia. E isso me fazia sentir mais dor naquilo que antes já doía, e mais desconforto naquilo que já incomodava e mais desespero para aquilo que era urgente. Mas isso era bom. Porque ao mesmo tempo os sentimentos positivos eram igualmente mais profundos e sinceros. E isso tudo me ajudava a mudar ainda mais. A agir. A fazer coisas o que eu sabia que deveria fazer.

Então deixei de ter medo da sensibilidade. E não me senti mais frágil. Porque isso me tornava ainda mais forte e efetivo na minha vida. Em um pouco mais de um ano minha vida mudou mais do que em todo meu passado. Consegui realizar muitos sonhos do passado. E tive novos sonhos. Enquanto vive coisas que nem tive tempo de sonhar! A fragilidade se desfez, mas paralelamente também existia o sentimento de desamparo. Não era mais tão fácil ignorar as outras pessoas. Eu não sabia como me relacionar. Se deveria ter pessoas realmente importantes na minha vida. Afinal essa abertura também me fragilizaria. Eu poderia continuar fechado? E como me relacionaria com essas pessoas? O que elas iriam esperar de mim? Será que eu conseguiria suprir todas as suas expectativas? Será que me magoariam? Que tipo de envolvimento teríamos? Durante toda minha vida provavelmente conheci milhares de pessoas… mas tanto tempo depois quantos estão do meu lado? Quantos se importam comigo?

Eu tinha medo de que isso acontecesse novamente. Confiar não era fácil. Eu já conhecia o incrível poder humano de me frustrar. Então deduzi que eu estava sendo egocêntrico. Por que só eu poderia ser assim? Por que todas as pessoas teriam que ser hostis e insensíveis? “Não… deve haver mais alguém”. Assim descobri, através do site, algumas poucas pessoas (realmente poucas) que faziam uma viagem parecida com a minha.

E naturalmente não tive medo de me abrir para essas pessoas. Na verdade eu nem ao menos percebi que isso estava acontecendo. Quando me dei conta elas já estavam lá. E com o tempo me senti… como “normalmente” se diz… amado. Na verdade, sendo mais específico, senti que havia encontrado pessoas que realmente se importavam comigo; gostavam de mim pelo que sou; não viviam em cima de expectativas que eu nunca poderia suprir 100%; eram carinhosas e compartilhavam de minhas dores e alegrias; etc.

Principalmente eram pessoas reais isso é, haviam pontos positivos e negativos. Em muito me faziam feliz e em alguns casos me deixavam tristes. Me encantavam mas também podiam me frustrar. E isso era bom. Pois, não importava a circunstância, sempre havia um equilíbrio. Sempre havia um compromisso consigo mesmo de fazer o melhor. Chegou um momento em que eu percebi que havia algo “errado” om meus relacionamentos. Eles não estavam padronizados. O nível de intimidade e de “amor” que tínhamos não caberia naquilo que chamamos de amizade. Na verdade não caberia nem mesmo dentro de um namoro.

Foi aí que percebi que meu problema com os relacionamentos não estava em mim ou mesmo nas outras pessoas. Mas sim nos padrões e roteiros estabelecidos.

Aos poucos fui desconstruindo esse pré-conceitos e fui (e ainda estou) explorando novos caminhos. E o fruto dessas descobertas sempre trazia mais intimidade e criava uma relação mais madura e sólida.

Primeiramente descobri que a erotização está em nossa própria mente. Se eu erotizo um abraço… logo ele sempre será erótico. O mesmo vale para as palavras e tudo na vida. Assim fui desconvertendo tudo aquilo que a minha cultura havia trazido para o Maculado Caminho da Erotização e descobrindo como a afetividade pode ser doce, pura, sincera e desejável. Sem que tudo se transforme numa compulsória busca por prazer, numa objetificação do outro ou mesmo num processo de auto-engano. E na verdade, nesse processo, tive que reformular o próprio conceito de afetividade.

Mas claro que nada disso foi tão fácil quanto pode parecer. Como disse já se passou um pouco mais de um ano… e nesse processo tive que errar muito (leia sofrer) e reaprender a fazer a coisa certa.

E assim como o que foi dito até aqui toda a minha vida foi ganhando forma. E esse processo não terminou. E espero que nunca termine!

Eu poderia falar muito mais sobre minha vida. Mas concluindo digo que hoje não vivo mais em cima de uma pseudo-satisfação pela indiferença. Nem vivo fantasias hollywoodianas. Mas me sinto profundamente satisfeito com tudo que vivi e com a proposta do que viverei.

Com isso não quero dizer que as demais pessoas devem fazer o que fiz. Não… esse foi o meu caminho. Não tente seguir o meu caminho. Procure o seu, mesmo que esse seja idêntico ao meu, mas tenha consciência de que ele é seu.

Todo esse triste estereótipo em cima dos assexuais é apenas um retrato do que muitos vivem. Não por acasos da vida, ou pelo próprio efeito da assexualidade. Mas sim por que esse foi o caminho que escolheram seguir.

Por mais óbvio que possa parecer uma mudança de vida requer uma mudança de atitude. A assexualidade não trás qualquer problema para a vida, pelo contrário! O que falta não é uma receita mágica de um livro de auto-ajuda sobre como ser feliz. O que falta é uma simples, profunda e interminável mudança de atitude.

Os esterótipos mudam quando mudamos. Se os assexuais continuarem por trás dos seus rótulos e “critérios” inúteis… sempre serão conhecidos como atualmente são. A melhor maneira de mudar isso é descobrindo seu próprio caminho.

O auto-engano como pseudo-vida

O Bruno nos enviou um email com uma situação bastante interessante:

Pessoal

Tenho uma pergunta que para mim é muito séria, e gostaria de ser respondido o mais rápido possivel.

Eu tenho 26 anos e não me sinto atraido por nenhum endividuo (homem ou mulher), as vezes tenho sonhos erótico e ate pratico a mastrubação ao ver um vídeo, mas isso acontece muito raramente. As vezes sinto falta de uma pessoa do meu lado, mas fico muito tempo sem pensar nesse assunto.

Existe muita presão de amigos e parentes pelo fato de ainda ser virgem, alguns até me roturam como gay, mas não me sinto atraido por ninguém. Por outro lado tenho o desejo de formar uma familia e ter filhos, mas não me imagino se relacionando com alguem.

Será que eu poderia ser um assexual? Uma pessoa que nunca namorou, que é virgem, que não sente atração por ninguém, mas que sabe que há prazer no sexo e as vezes sente até esses desejos, mas não concegue se imaginar fazendo uma relação sexual, será que isso é assexualidade?

Aguardo resposta!

Att

Já recebi comentários e emails de várias pessoas em situações parecidas com a do Bruno. Mas ele sintetizou tudo de uma forma simples e objetiva.

“Uma pessoa que nunca namorou, que é virgem, que não sente atração por ninguém, mas que sabe que há prazer no sexo e as vezes sente até esses desejos, mas não concegue se imaginar fazendo uma relação sexual”, que tipo de pessoa é essa?

O Bruno fez uma grande confusão aqui… Primeiramente é bom repensar o que é prazer. Eu não gosto desse termo. Prazer é uma palavra muito vaga. Poder ser qualquer coisa. E quando falamos em prazer logo associamos a algo agradável. E não é bem assim. Alguns narcóticos produzem prazer e mesmo assim boa parte da população os repudia, mesmo conhecendo seus incondicionais efeitos.

Por isso prefiro o termo satisfação. Por ser uma palavra que envolve uma perspectiva mais holística do que prazer. O que as pessoas (em geral) buscam no sexo não é prazer. Se assim fosse elas usariam as drogas. As pessoas buscam a satisfação Tanto que muitas pessoas fazem sexo, mesmo sem orgasmo, e ainda assim se sentem totalmente satisfeitas.

Então a primeira coisa que você deveria fazer é reavaliar se o sexo é uma emoção de prazer ou sentimento de satisfação. O orgasmo em si parece produzir algum tipo de prazer. Mas isso não necessariamente quer dizer que você gosta de todo o processo. Isso é o ANTES (tudo que te leva ao desejo e a efetuação da masturbação ou de qualquer ato sexual até a preparação para o ato), AGORA (o processo do ato propriamente) e DEPOIS (o momento posterior ao orgasmo ou que seja entendido como o termino do AGORA).

Todo esse processo (do ANTES, AGORA e DEPOIS) é extremamente complexo e não tem um momento certo para começar ou terminar. Na verdade ele é fluído, acontece durante toda sua vida ou mesmo paralelos a outros processos sexuais.

O que você pode fazer é analisar suas motivações (ANTES), atos (AGORA) e reflexos (DEPOIS) e então tirar uma conclusão: isso me satisfaz?

Cada pessoa passa por um processo único. Por isso é perda de tempo olhar para as receitas prontas da mídia. Algumas pessoas dizem que se sentem péssimas após o sexo (DEPOIS). Outras dizem que adoram todo o jogo das conquistas e as palavras sugestivas (ANTES), mas que não suportam o sexo propriamente dito (AGORA). Outros dizem que realmente não importam com o ANTES ou com o AGORA, desde que elas se sintam bem no DEPOIS.

E muitos nem ao menos fazem essa reflexão. Enquanto outros escondem a própria verdade.

Todas as suas experiências sexuais foram com a “auto-experimentação”, a masturbação. Você (o que inclui uma “extensão” sua como a imaginação) foi o objeto causador, realizador e contemplador da sua experiência sexual. Logo não se trata de você e outro ser humano, mas sim… você e você mesmo.

Sendo assim, até certo ponto, você não sabe o que é sexo inter-pessoal. Todas as suas concepções são projeções daquilo que você já experimenta. O que você deseja não é necessariamente o sexo. O que você deseja é um projeção do que você imagina ser o sexo.

Na verdade essa projeção é tão bem estruturada e alimentada que facilmente passa desapercebida como algo real. Assim é possível que você nunca saia desse ciclo de projeções emocionais de desejo e satisfação. Vindo a fazer sexo… e dizer que adora… dizer que fica louco na cama… ou seja lá que expressão ultra-satisfatória você encontre.

Mas é claro que não se tratando de algo real – isso é condizente com o que você realmente sente, deseja, experimenta, gosta, etc. – irá lhe prejudicar, mesmo que seja de uma maneira imperceptível a curto prazo.

Então… “Uma pessoa que nunca namorou, que é virgem, que não sente atração por ninguém, mas que sabe que há prazer no sexo e as vezes sente até esses desejos, mas não concegue se imaginar fazendo uma relação sexual”, que tipo de pessoa é essa? É você?

Namorar e ser virgem não tem qualquer relação com a assexualidade. Não conseguir imaginar-se num ato sexual também pouco diz por si só. E como disse antes você precisa refazer a sua avaliação sobre suas experiências com a masturbação.

Agora, é lógico que você é uma pessoa oprimida. Aos 26 anos é homem e virgem. Tudo e todos te oprimem, dizem que você é inferior, é nada. E você faz uma re-projeção num dos mais velhos arquétipos de realização e sucesso: a família. Ainda assim você acha impossível… porque família implica em sexo. E o ciclo continua sem fim.

Como parar com isso?

A resposta é bastante simples. Liberte-se e padrões e expectativas. Compreenda que você não deve ser aquilo que seus “amigos” dizem, ou o que a mídia induz. Você não precisa comprar os produtos da moda, assim como não precisa comer a mesma comida. Você pode fazer a sua vida. Sem rótulos, padrões, pré-conceitos, etc.

“Mas como fica a questão da assexualidade?”, você deve ficar se perguntando. Como tudo. Você só precisa analisar. Não precisa se encaixar em rótulos, definir-se em padrões. Só precisa analisar. Isso me faz bem? Devo continuar fazendo isso? Até onde isso me trouxe? Estou satisfeito com que faço? Estou satisfeito com o futuro ao qual isso me leva?

Viver dá trabalho, meu amigo.

Boa sorte. ;)

Bem… e se…?

O sexo é algo que mexe com quase todas as pessoas pessoas. Não pela mecânica da excitação sexual e do orgasmo. Mas sim pelos seus valores e significados que não são claros, mas estão há tanto tempo na nossa sociedade que muitas vezes não são questionados.

Você até então não teve interesse por sexo… sempre achou algo banal… algo irrelevante para um relacionamento. Até que seu pensamento começa a mudar. Mas novamente de uma maneira não muito clara. Você começa a imaginar como seria importante ou significante fazer sexo com alguém que você gosta muito, ou com alguém que potencialmente você gostaria muito. Ou mesmo com um desconhecido ou com um amigo colorido…

Então você começa a se questionar: será que realmente não gosto de sexo? Será que vou gostar? E se eu não gostar?! Será que vou ficar dependente disso? Será que não conseguirei mais viver sem sexo?… Realmente é uma situação confusa.

Mas talvez você nunca tenha parado para pensar no esse desejo quer dizer…

Vamos pensar um pouco. Será que seu desejo tem fundamento? Suponto que seu interesse inconsciente seja pelo prazer… o que faz você pensar que o prazer sexual é tão poderoso assim? Até uma montanha russa pode provocar um conjunto de emoções muito mais intenso! Qualquer droga “ilícita” pode criar um prazer incomparável… e eu não acho que você tenha uma fixação em montanhas russas e espero que não use drogas.

Pense bem… é o prazer que você procura? É lógico que não. Então… o que seria?

Poríamos ficar falando aqui sobre as mais diversas ilusões que nos (assexuais) fazem sentir um estranho desejo por sexo. Mas eu acredito que existe dois grandes fatores:

Rito de passagem; o rito de passagem pelo sexo é uma das coisas mais antigas que a humanidade já inventou. Ele foi perdendo suas formas mais espalhafatosas, mas foi progressivamente vez se infiltrando mais e mais dentro da nossa mentalidade comum. O que antes era um evento extremamente organizado e evidente hoje faz parte da vida de uma maneira que nem percebemos.

Logicamente esse é um rito desnecessário, como tantos outros. Mas até o momento em que o identificamos e o neutralizamos ele fará parte de nossas vidas e até certo ponto nos controlará.

Quase todos os produtos da nossa sociedade usam o sexo em algum aspecto. Até comerciais de colchão usam sexo para vender! É um ciclo vicioso, impessoal e incontrolável.

Na prática tudo se transforma numa grande pressão inconsciente sobre nós, e por nós me refiro a todas as pessoas. Então oprimidos por vocês que não sabemos a orgiem… e não sabemos suas formas… somos acuados e fragilizados.

As pessoas reagem das mais diversas maneiras diante de todo esse processo. Muitos entram em depressão, outros se matam (literalmente) e tantos outros sentem uma forte pulsão pelo sexo. Sem falar nas parafilias mais diversas que podem se desenvolver.

Valor emocional-relacional; no caso do rito de passagem, dito acima, a pessoa idealiza o sexo como um obstáculo/evento que acontecerá… e muitas vezes nem consegue imaginar aquele mesmo evento acontecendo 3 vezes ao dia… todos os dias durante quase toda a vida. Outros já conseguem…

Esses encaram o sexo como algum objeto de valor nas suas vidas. Enquanto uns imaginam que uma vez perdendo a virgindade poderão enfim ser felizes… outros encaram o que chamamos de “vida sexual”. Bem… se realmente o sexo tem tantos valores para você… tudo bem. Faz sentido que você o desej tanto. Mas o problema é justamente se esse valor realmente existe e se ele é real!

Ou seja… se você realmente pensa dessa maneira, ou está apenas projetando algum outro problema sobre o sexo. E se esse valor é coerente com o que você é.

Pense nisso! ;)

E sempre lembre-se que a frustração por não fazer sempre é bem menor do aquela pelo que foi feito e é irreversível. Por isso… tenha calma.

Auto-traição

É bem provável que 99% das pessoas que começaram a entender sua falta de interesse sexual estavam, antes disso, tentando ser algo que elas não se sentiam.

Como assim?

Em geral as pessoas mentem sobre o que pensam e sentem. Mas antes de mentirem para as demais pessoas elas mentem para si mesmas.

A falta de interesse por sexo é algo que a sociedade não aceita. Não porque implica em algo que desagrade as demais pessoas diretamente. É irritante a partir do momento em que prova que a vida pode ser diferente.

Mas a grande maioria nunca acreditou nisso… nunca consideraram a possibilidade de ser aquilo que são. Sempre tentaram se adaptar… se abster de viver suas vidas para se encaixarem em padrões sociais pré-estabelecidos.

A assexualidade prova para muitas pessoas que boa parte de suas vidas foi vã. Sim… vão… sem significado, sem conteúdo, incipiente, superficial, etc.

É revoltante!

Muitos assexuais tentam ser aquilo que não são… mas poucos chegam a realmente viver aquilo que não faz parte de suas vidas. Ficam num limbo entre sua vida e aquela idealizada pela nossa cultura.

Para esses, do limbo, é muito fácil ir para o “céu”. Mas o que vemos é aparentemente o contrário. A grande maioria dos assexuais sempre reluta em ser o que são… querem ser aquilo que o esposo deseja, que a namorada reclama, que os pais idealizaram, que os amigos invejam, etc. Diante de tanta relutância ainda digo que é muito mais fácil do que para aqueles que estão no “inferno” da não existência.

Sim… porque para muitas pessoas a assexualidade implica em sua própria inexistência! Já que toda sua vida foi formada e desenvolvida em cima de conceitos que nunca fizeram parte daquilo que elas entendiam por Eu.

Quem está nesse “inferno” é revoltado mesmo com as coisas mais bobas. Mesmo aquilo que não tem nada há ver com a assexualidade… mas que é na prática uma antítese de suas vidas. Não importa o que seja. Qualquer coisa! Basta que você seja a prova vive de que sua vida foi uma (in)completa mentira.

E diante disso não espere compreensão. Não espere paciência. Muito menos empatia.

Existe uma única saída viável: eliminar aquilo que me trás desconforto.

Ora, eliminar não implica necessariamente em destruir/matar. Implicar em fazer ineficiente, nulo, vão, etc.

Assim a luta não é contra você diretamente, mas sim contra tudo que faz parte de você como um conteúdo de vida. Que seja simplesmente tirando esse conteúdo, provando ser falso ou simplesmente convertendo-o para um sistema “normal”.

De todos esses o mais sorrateiro é aquele que visa converter você num ser “normal”. Sim… porque ser normal implica em fazer parte do mesmo sistema de vida ao qual aqueles outros fazem parte. Logo você deixa ser aquilo que contrariava-os e passa a corroborar! Sim… mesmo sem perceber! Você NUNCA perceberá naturalmente.

E tudo isso acontece de uma maneira muito simples. Tão simples é incoerente. Porque tudo consiste em fazer de você tudo aquilo que você nunca foi.

Tão simples… mas muito mais perigoso do que se pode imaginar.

Temos uma pulsão natural para a “normalidade”. Para nos encaixarmos naquilo que a Maioria idealiza como o modelo correto. Para agradar essa Maioria sendo aquilo que se idealizou como o modelo padrão de vida.

Porque ser normal é a forma mais simples e prática de se sentir seguro. E assim se sentir feliz.

Contudo a felicidade que a normalidade pode trazer além de ser efêmera é extremamente frágil. Ao ponto de ser completamente abalada pela simples existência de alguém que não a segue, um anormal.

Mas é uma doce ilusão… e não é fácil resistir.

Por isso enquanto as pessoas “normais” se preocupam com os pecados da luxúria, mentira, cobiça, preguiça, etc… nosso pecado latente é o da auto-traição. Ser seu próprio Judas! Judas traiu Jesus porque Ele nunca ter sido aquilo que o seu povo imaginava que o Messias seria. Jesus era a antítese de suas fantasias. E você é a antítese da sociedade.

Mas em você habita Jesus e o Judas. Ao mesmo tempo você é a antítese também é aquilo que não a admite. O pensamento coletivo inconsciente de todo o povo cai sobre seu Judas. Ele por sua vez trocaria o Jesus-Eu por qualquer quantia irrisória de normal-felicidade.

Na prática você é impelido (sem entender de que maneira, a razão, a motivação… nada!) a ser-fazer tudo aquilo que não faz parte de você.

Mas como alguém pode cair em algo tão bobo… afinal… sabemos muito bem o que somos ou não. Não é mesmo?

Engano… se tivéssemos uma personalidade completamente concretizada seria tudo muito simples… Mas não temos! Somos flexíveis, mutáveis, renováveis, etc. Aquilo que entendemos por Eu são pequenos fragmentos de existência. É através desses pequenos fragmentos que desvendamos aquilo que fomos, somos e seremos. Nossos sonhos e medos, gostos e desgostos, raivas e felicidades, prazeres e desconfortos.

Por isso entender que se é assexual é como montar um quebra-cabeças com esses fragmentos. De uma maneira que eles formem uma imagem coerente daquilo que somos.

Mas como somos mutáveis, flexíveis e evolutivos precisamos constantemente manter esse quebra-cabeças do Eu organizado e revisado. É aqui onde está a brecha para a pulsão pela normalidade.

Nesse vai e vem de fragmentos naturais ou alienígenas podemos falhar na sua seleção e organização. E assim assimilar um desejo que não é nosso. Que não faz parte da imagem do nosso quebra-cabeças… que não se encaixa com as demais peças. Que não se encaixa no que somos.

Sendo prático, como então não assimilar os fragmentos alienígenas? Ora… se eu soubesse da resposta eu já não seria mais humano!

Viver também implica em aprender a distinguir aquilo que faz parte de nossas vidas e aquilo que não faz. E isso leva tempo e nem sempre poderemos prever sem causar danos. Muitas vezes iremos a fundo por um caminho que não é nosso e só lá na frente iremos descobrir a completa perda de vida.

Bem… e aqueles que estão no “inferno”, como ficam? Não tão diferentes. Apenas precisam de mais dedicação. E isso vale tanto para assexuais quanto para sexuais.

O inferno não é o sexo… se é nisso que você está pensando. O inferno é ser o que não é você. E sexo pode ou não fazer parte disso. Depende de você. Depende daqueles pequenos fragmentos que juntos chamamos de Eu.

E se eu gostar?

A partir desse post começarei uma série de artigos sobre a transição do pleno desinteresse sexual para um total interesse sexual. Com isso quero atingir o maior número possível de pessoas que se encontram nas diversas variações de intensidade da sexualidade.

Muitas pessoas conflituam com a sua própria sexualidade. E para muitos a assexualidade acaba se tornando uma religião. Algo que faz parte de suas vidas… algo que é inútil e apenas retrógrado.

Logicamente uma pessoa pode querer deliberadamente evitar qualquer estímulo ao seu comportamento sexual. Isso feito de uma maneira consciente e sem neuroses pode ser bastante produtivo e tornar a vida muito mais simples.

Mas nem todos escolhem esse caminho. Muitos querem realmente mudar… mesmo que seja só um pouco. Normalmente o suficiente para satisfazer seus parceiros sexuais. E para esses vou começar uma série de textos que tentarão ajudar com os conflitos mais comuns.

Inicialmente um dos conflitos mais comuns é o “e se eu gostar?”. Mesmo os assexuais que querem fazer sexo para satisfazer alguém… ou por qualquer outra razão ainda mais boba… ficam extremamente preocupados acerca de algo tão bobo

Antes de mais nada a grande questão é entender que o processo da relação sexual é exageradamente vasto. E raramente duas pessoas gostarão do sexo pela mesma razão. Alguns gostam até mesmo porque sentem que estão fazendo o devido trabalho de homem, ou de mulher. Se sentem satisfeitos por conseguirem atingir a normalidade. Outros gostam de estar no controle de uma situação… e por aí vai. Existem milhares de razão… e prazer nunca é uma delas.

O prazer que o sexo realmente pode fornecer é efêmero e relativamente insignificante. O estímulo das áreas erógenas… é só um estímulo… esses estímulos não podem por si só dar um grande prazer e muito menos mudar o estado de percepção, humor e consciência de uma pessoa. Algo que faz parte da relação sexual.

Particularmente acho esse ponto interessante. Muitos sentem emoções que variam entre medo e nojo quando são tocados em suas áreas erógenas. Ou mesmo quando são tocados de maneira “provocativa”, em qualquer parte do corpo. Como se esse toque… por si só… fosse levar a pessoa a esse estado alterado.

Na série de artigos sobre a afetividade eu falei um pouco sobre a dedicação necessária para certas emoções. Em geral… quanto maior a intensidade do sentimento… mais dedicada nossa mente estará. O que pode dar uma impressão de transe. Mas na verdade tanto uma depressão profunda quanto o sexo mais selvagens são estados de quase total exclusivamente mental.

É praticamente impossível ler um livro e sentir prazer no sexo ao mesmo tempo. E ler ainda é uma capacidade cognitiva… mas pior ainda seria experimentar dois sentimentos específicos ao mesmo tempo. A excitação sexual, pela sua intensidade, não consegue coabitar com praticamente nenhum outro sentimento. O que muitas vezes acontece é que um sentimento se torna parte de outro sentimento maior. Por exemplo… o medo, mais especificamente a ansiedade, pode fazer parte do desejo sexual. E assim catalizar sua intensidade. Mas um medo intenso jamais coabitaria com um desejo sexual intenso. Salvo se a pessoa tiver algum distúrbio mental.

Esse estado exclusivo de consciência, humor e percepção que o desejo sexual requer é algo que quase todos os assexuais temem. Alguns apenas evitam… e outros realmente odeiam. É muito comum que projetem um sentimento de imundice sobre aquilo. Já que esse sentimento parece criar uma reação fisiológica oposta ao esperado.

Ora, o que gera toda essa rejeição é difícil dizer. Mas em geral tudo remete a sair de sua zona de conforto e entrar num território inexplorado.

Acontece que diferentes estados emocionais possuem diferentes níveis de sugestibilidade, emotividade, sensibilidade, etc. Os hipinóticos sabem muito bem sobre isso… e sabem que o ambiente emocional de uma pessoa é fundamental para o sucesso do transe. Na vida real nosso humor interfere de forma bastante prática, tanto de forma direta quanto indireta.

Diretamente um estado de humor mudará nossas capacidades cognitivas e até físicas. Indiretamente mudará a percepção sobre quem somos.

Em ambos os casos estamos lidando fortemente com nossa zona de conforto. O medo não é do sexo em si… muito menos do prazer… nem muito menos de gostar. No fim das contas o medo é sobre quem somos ou seremos para nós mesmos e para o mundo.

Afinal… quem sou eu?

Um estado diferente de humor implica numa nova percepção de quem somos. Do que somos capazes, do que queremos, o que podemos fazer… tudo! Tudo muda! Assim como muda nossa sugestibilidade. Podemos fazer aquilo que nunca faríamos antes. Não sabemos como lidar com isso. E isso consequentemente cria muito medo.

A forma como as pessoas nos enxergarão também muda bastante. Muitas vezes, dentro de um namoro – por exemplo, o homem ou a mulher passa sempre uma imagem de “pureza” e “inocência”. E como o relacionamento foi construído em cima dessa imagem a pessoa teme desconstruí-la para seu parceiro e assim, consequentemente, mudar toda a mecânica de sua relação e até mesmo destruí-la.

Inicialmente começamos com uma dúvida e agora terminamos com outra ainda maior. No primeiro caso, quando estamos lidando com esse território inexplorado, a solução é relativamente simples. Não podemos fazer nada que não existe em nós mesmos. Ou seja… é impossível despertar uma devassa incontrolável que não existe em você. Logicamente existem certos “fantasmas” que nos habitam. E muitas vezes sabemos disso, mas escolhemos por escondê-los ao invés de tratá-los.

Nesses casos… quando se observa que existe algum comportamento realmente desagradável e indesejável dentro de um estado de excitação sexual… o ideia é buscar ajuda profissional.

Muitas pessoas propositalmente mudam completamente seu comportamento habitual dentro de uma relação sexual, mas fazem isso deliberadamente e de maneira controlável. Elas utilizam esse recurso para provocar um maior nível de excitação psicológica e suscitar alguns outros sentimentos que podem catalizar o prazer do ato. Mas sabem o que estão fazendo e se sentem no controle da situação.

Quando uma pessoa não tem toda essa consciência e não se sente no controle dessa situação ela realmente pode criar situações que podem chegar a agressão emocional ou até mesmo física. Em todo caso, deve-se buscar ajuda médica.

Além disso… aqueles que não observam esses “fantasmas”, mas apenas temem que eles surjam ou criem-se do nada… não precisam temer. O ideal é que quem está determinado a começar a ter uma vida sexualmente ativa tenha coragem suficiente de começar. Isso é: se dispor a ir progressivamente da excitação sexual ao orgasmo. É muito improvável que nesse processo a pessoa entre em algum transe e mude completamente de personalidade.

Logicamente não é tão simples assim… e existem várias etapas entre um beijo e um orgasmo e até o pós-sexo que é parte fundamental do processo.

Para aqueles que não buscam o orgasmo ou dificilmente o encontrarão com um parceiro… basta encarar esse medo inicial. Muitas pessoas possuem pouca sensibilidade emocional para o sexo. E assim dificilmente chegam ao orgasmo. Muitas não conseguem manter a excitação sexual por muito tempo, por exemplo. Essas pessoas praticamente não precisam se preocupar com o estado alterado de humor… já que ele pouco existirá ou não existirá mesmo.

Aqueles que realmente buscam sentir o prazer sexual em todas as suas formas precisam aprender a desenvolver sua sensibilidade emocional para o sexo. Algo que pode levar muito tempo. Ou não. Depende da pessoa. Mas que nem sempre é 100% possível. E por ser um processo tão complexo sempre é indicado o acompanhamento de um profissional na área.

O outro problema é como nosso parceiro e as demais pessoas nos verão a partir daquele momento. O que é, na verdade, o maior desafio. Já que muitas vezes não há uma solução viável. E a única opção viável é realmente terminar com o relacionamento romântico e começar um novo, dentro de uma nova compreensão do que somos, queremos e como nos comportamos dentro daquela situação. E para as demais pessoas… apenas muito “jogo de cintura” e paciência.

E por aí vai.

Bem… espero ter sido claro, apesar da complexidade do tema. Qualquer dúvida podem deixar um comentário.

E só para constar: eu não apoio essa mudança comportamental (de assexual para sexual). E sempre aconselho que antes de tudo a pessoa passe um bom tempo se entendendo… e entendo tudo sobre assexual. Para só então tomar uma decisão que pode não ter retorno. Pense nisso!

E conhecereis a igualdade…

Vamos lá, novamente…

Rafael:

Olá Julio, não faz muito tempo que eu descubri seu blog ( na verdade alguns dias ) e estou extasiado com tudo que vi e li.

Bom, eu não sei exatamente se sou ou não assexuado, se tenho problemas piscologicos ou não, problemas de saúde ou não, mais o que acontece comigo é um tanto engraçado (pelo mens eu vejo graça nisso ). É o seguinte, tudo começou quando eu tinha por volta dos 15 anos, eu sempre fui uma criança normal, com uma educação normal, pais normais, e vida normal, tinha amigos e tinha uma relação normal com todos (percebi que você não gosta muito da palavra normal mais é a unica que eu conheço).

Quando criança eu tinha um certo sobre-peso, na verdade mesmo eu era bemmmmm gordo kkkk, mais isso não era o problema, como disse…tinha uma vida normal. Mais tinha algo errado e isso começo a surgir e as coisas começaram a não ser tão normais assim, porque? Por que eu ouvia meus amigos falarem de sexo, de garotas, de beja na boca com 12 anos, e eu nem sabia o que era isso, ficava pensando como era essas coisas, tipo beja, namorar e tudo aquilo, e não entendia absolutamente nada. Os meses se passando e o ano indo embora eu acabei me interessando por uma certa menina que estudava comigo no primario (amor de adolecente) na verdade nem sabia se gostava mesmo dela porque eu nem sabia o que era gostar e tudo mais. Só que essa brincadeira de gostar mudou minha infancia, porque um dia eu resolvi contar a essa certa menina que eu gostava dela, mais ela disse que jamais ficaria comigo por que era gordo, vai vendu que vaca!!! Isso definitivamente acabo comigo, eu me senti um idiota por ter dito aquilo pra ela e por ouvir ela dizendo tudo aquilo pra mim, acabei ficando ruim, e entrei num estado de ”anorexia’ por assim dizer, e perdi simples 15kg em apenas 7 dias =D fiquei lisinho!!! Depois de dias internado e algumas sessões com piscologo eu melhorei e muito, porque havia perdido 15 enormes kilos e estava bem de saude.

Alguns meses depois de tudo isso eu acabei ficando com uma amiga minha que ja nos conheciamos desde criança, ela sempre gosto de mim, mais como ela era cerca de 2 anos mais velha do que eu, acho que pegava mal ser ”papa anjo”, e certamente ela espero eu ”crescer” um pouquinho mais para tentar algo diferente, ela foi minha primeira namorada e consequentemente meu primeiro beijo tambem foi com ela, e nessa altura eu ja passava dos 16 anos, e foi ai que a coisa começo a feder meu caro JULIO, porque eramos socios de um clube e ficavamos ate tarde na piscina e sabe né piscina, sunga, biquini, pouca roupa, muito contado, escuro, e bla bla bla, só que eu não sentia nada, eu não tinha ereção e estar la dentro da piscina com ela era ”normal” não sentia absolutamente nada, nem com toque, nem com nada, era como se eu estive a 200 m de distancia dela, não sentia a presença dela, em casa era a mesma coisa, em festas era a mesma coisa, bebado, não bebado, nada fazia diferença, eu não me exitava de forma alguma, o mais engraçado disso tudo é que eu conseguia me masturba perfeitamente quando asssitia filmes porno no computador ou quando tomava banho e pensava nela!! Mais a coisa começo a ficar feia, porque ela começou a me questionar o porque que eu não sentia atração por ela, e eu não sabia o que responder, foi quando a cobrança ficou muito forte eu resolvi inventar uma dsculpa pra ela, disse que não estava preparado para ter namorada, que eu era muito novo e bla bla bla, ela acabo ficando pessima mais eu resolvi o problema com ela.

Mais logo vieram outras meninas, e outras, e mais outras, e com todas a mesma coisa, alias a falta da coisa, eu não sentia absolutamente nada com nenhuma delas, podiam ser bonitas, feias, gordas, magras, modelos, nenhuma menina me dispertava, mais sempre ficava o dilema do porque eu tinha uma ereção quando me masturbava mais não conseguia me excitar com uma garota, comecei a me questionar se o meu negocio não era garota e isso me deixva muito louco, porque sempre fui idolatrado por meninas,e sempre tinha agluma querendo ficar comigo, mais eu nunca tive medo de fazer as coisas, sempre fui livre para fazer o que me bem entender, e ficar com homens por mais que fosse ruim naquela epoca era melhor do que continuar na duvida por anos e anos.Não foi dificil, pelo motivo que, do mesmo jeito que haviam meninas afim de mim, eu descubri que existia o dobro de ”meninos’ afim tambem. E eu tentei, eu falhei, porque com meninos tambem não senti absolutamente nada, nem mais velhos, nem mais novos, nem com fortes e nem com fracos, e isso me deixo muitooooo confuso, por que se meu negocio não era homens e nem mulheres era o que intão? Quando eu comecei a ficar com homens a coisa ja tinha se elevado a um patamar um pouco maior, porque eu ja estava com 18 anos e nessa fase eu não tinha nenhum amigo virgem, a não ser os mais novinhos, mais o sexo em si nunca foi uma grande dor de cabeça, o que me deixava muito ruim mesmo era as conversas que rolava entre eles e que eu era obrigado a ouvir eles dizendo que ficavam molhados de tanto tesão, ou ouvir os mais velhos e de mesma idade que a minha dizendo que ”gosaram” 2x, 3x, e que foram na zona e faziam orgias e bla bla bla. Eu simplismente não tinha assunto, não tinha nem a mesma experiencia que as crianças tinham, e na idade deles ao inves de eu estar me melando nas calsas por ficar com uma menina eu estava aprendendo a me masturbar e dando meu primeiro beijo na boca.

Essa hitoria de sexo estava de me deixando louco e isso se prorrogou por mais 2 anos chegando aos dias de hoje, depois de muito barulho na minha cabeça e muita coisa rolando na minha vida, ( tive um namoro hetero e um namoro homo para tentar discubrir na intimidade diaria algumas coisas, mais tambem não deram certo ) tive varias oportunidades de fazer sexo, com pessoas desconhecidas tanto com homens tanto com mulheres, e com pessoas amigas, mais de nada adiantou, fui em puteiros, casas e boates gls mais de nada adianta meu caro amigo, e hoje com 22 anos a unica coisa que me motiva a continuar é um grande amigo que nos momentos de angustia por não conseguir, me abraça, me apoia, e nunca me faz desisitir com suas doces palavras de amizade. Infelismente não sei explicar, mais não sinto atração, vontade, nem tesão na hora que estou com alguem, acariciando, beijando, tocando, ou qualquer tipo de coisa, mais sinto tesão me masturbando, seja com filmes heteros ou homo.Isso que torna engraçado para mim.

Ps: desculpe pelos erros de portugues, não sou muito fã disso =]

agradeço desde já

abraços

meu nome é rafael

Júlio:

Olá Rafael… eu não sei se existe termo técnico para isso… Mas para você entender melhor a coisa funciona mais ou menos assim…

Nossa resposta meramente fisiologica aos toques na pele para a excitação sexual… é muito pouca, lenta e com baixa intensidade. Ao menos 90% de todo nosso desempenho sexual está na cabeça. O resto depende do funcionamento normal do nosso corpo. Como no seu caso você felizmente me esclareceu que fisicamente está tudo bem… então todo seu “problema” é meramente psicológico.

Mas como isso acontece?

Ninguém sabe exatamente como funciona… mas tudo é basicamente uma questão de reflexo condicionado…

Um exemplo bem simples é a salivação… salivar é um processo FISIOLÓGICO que acontece quando a comida entra em contato com a língua e provoca sabor… assim começamos a salivar… mas com o anos de desenvolvimento passamos a salivar SÓ DE VER uma foto de uma comida… A mesma coisa acontece com o sexo… o processo é parecido, mas não é igual.

Durante nossos primeiros anos de vida construímos ELOS entre imagens (ideais, sons, palavras, etc)… com nosso processo de excitação sexual e psicológica.

Só pra constar: existe exitação sexual-fisiológica e sexual-psicológica… ambas são diferentes entre si… a fisiológica é o processo de ereção, por exemplo… enquanto o processo psicológico é o desejo, o tesão, o estado de euforia, etc… Uma pessoa pode se excitar fisiologicamente e não ter excitação psicológica. Seu pênis fica ereto… mas ele não tem o menor desejo… Enquanto outras podem ter o maior desejo… mas nenhuma disposição fisiológica.

Outras pessoas são como você… desepempenham uma função fisiológica e psicológica muita baixa ou até inexistente…

O que acontece é que… teoriacamente… você não desenvolveu um elo entre a pessoas REAIS e o erotismo. Ao mesmo tempo que desenvolveu esse elo com a pornografia ou mesmo com a imaginação. Uma coisa é um produção fantasiosa… e outra é a realidade…

Por exemplo… na fantasia (num video-game) podemos matar monstros… degolar pessoas… atirar no presidente… mas na realidade… temos medo de moscas!

O que você faz quando está imaginando sexo, é totalmente diferente, psicologicamente falando, daquilo que você experimente na vida real.

Por isso você sente pouca ou nenha excitação de qualquer ordem… Bem… poderíamos falar disso por horas… Mas a questão é que tudo pode mudar… ou não…

Existem diversas pessoas e empresas especializadas em “programar” o cérebro humano para o processo sexual… Se você quiser… pode procurar o Boston Medical Group e eles “resolvem” isso em dois tempos…

Outra opção é apenas verificar se talvez exista algo realmente errado com seu corpo… e havendo (e corrigindo) ou não havendo… continuar sua vida numa nova perspectiva, já que agora você sabe o que acontece com você e o que é assexualidade… e terá a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas.

Não é uma questão entre escolher o céu ou o inferno. É apenas o que você quer… milhões de pessoas todos os dias escolhem a “normalidade”… entram nos consultórios e saem “curadas”… ou se não conseguirem a “cura” entram em depressão ou algo pior… outros preferem viver ao seu modo…

Aí é com você. Continue lendo o site… qualquer coisa estou por aqui ;)

Um abraço!

Rafael:

Ola meu caro Julio, quanto mais leio o seu blog mais fico extasiado com tudo que vejo, mais uma duvida que eu tenho e a seguinte.

Você axa que o fato de eu não ter desenvolvdo esse ”elo” com o real pode ser considerado por eu não ter tentado nada com alguem um tanto mais intimo? como um amigo ou uma amiga? alguem de confiança, que me passe confiança não somente em termos de sexo mais sim de vida?

Não sei, me parece tão vago essa ”coisa”, sua explicação não poderia ser a melhor, e eu concordo com isso que vc disse sobre criar elo com o imaginario e não com o real, não creio que eu tenha problemas fisicos ou fisiologicos, tão pouco creio que tenho traumas piscologicos, penso mesmo que me apeguei tanto a imaginação e a fantasia que me esqueci de viver o real, e agora que necessito do real, não sei como obter prazer nisso.

Como havia lhe dito no outro e-mail, nunca tive medo das coisas..mais nunca procurei um medico ou especialista porque como eu afirmei, não acredito ter problemas fisicos ou pisicologicos, não sei se eh legal pergunta isso a você mais queria que me falasse ao menos um certo caminho a seguir, ou quais opções eu tenho, ou ao menos se existe um tipo de pessoa certa com que meu ”cerebro” pode concorda entende? Não faço ideia o tipo de pessoa que devo procurar para tentar ter um prazer!!!

Eu esqueci e lhe mensionar um detalhe, tem certos tipos de pessoas que com o toque me estimulam, tenho um amigo que com um simples abraço, e o toque do corpo me estimula, me exita. Mais mesmo assim é somente com o toque, somos bons amigos e ele sempre dorme em casa, durmimos e dividimos a mesma cama, tomamos banho junto, e toda vez ele pega no sono mais rapido do que eu, PS: ele curte que eu faço cafune nele ¬¬, quando ele dorme eu paro e fico admirando ele, pensando como eu poderia me atrair fisicamente por alguem se nem por ele eu sinto desejo, o vejo no banho e participo do banho, porra velho, não faz sentido algum entende? Ta é claro que meu sentimento por ele é de totalmente fraterno, mais se alguem que depois de anos nunca me exitou, como alguem do nada faria isso? Como depois de anos e anos vendo-o nu e deitando com ele na mesma cama nunca surgiu absolutamente desejo algum, meu corpo só responde se ele me tocar.

É estranho para minha cabeça, esse é só um exemplo, outro exemplo tambem é que eu me exito muito mais rapido vendo filmes lesbicos ou gays do que filmes heteros. Axo que eu realmente curto essa parada de 2 mulheres ou 2 homens =D só pode.

Mais não sei meu querido Julio, só queria discubrir a pessoa certa, porque quando eu discubrir quem é essa pessoa, ela sera a 2 pessoa mais feliz do mundo, porque ela me fara a pessoa mais feliz do mundo

obrigado

kalleu

Ly

Olá Rafael. Meu nome é Ly e eu ajudo o Julio lá no site. Espero que possa ajudar.

Primeiramente, acredito que seria interessante que você lesse o e-mail resposta do Julio, com mais atenção.

Até onde pude entender seu relato, o que te incomoda principalmente é a falta de prazer, no caso,o sexual; o qual você tem buscado de todos os meios.
Como já lhe foi dito, somos, desde a mais tenra infancia, levados a associar o prazer a determinadas manifestaçoes fisiologicas, com destaque para a pratica do ato sexual. Tal informação está gravada de tal forma em nosso subconciente que acreditamos que isso é extremamente ‘necessario’. Mas será que é mesmo? Ou você foi simplesmente levado a acreditar nisso? Pense nisso.

Você pode encontrar prazer num chocolate, numa musica, num sorriso carinhoso,com o vento tocando o seu rosto. Depende do valor/significação/peso que dá as coisas. Posso garantir que se pode ser feliz sem sexo. A amizade pode ser uma das fontes mais abundantes da vida. E isso você já parece ter. Preste mais atenção nisso tambem.

Mas se isso (sexo) realmente lhe faz tanta falta, acredito que sejá aconselhavel a ida a um médico; um especialista poderia ajudar. Talvez você tenha deixado passar algo, como por exemplo a não superação total da rejeição sofrida no passado, que te leva a um bloquei inconsciente.

A resposta poderia estar em você parar de buscar essa sensação em outras pessoas, no toque de alguem em especial, na visão de uma beleza em particular. Quando você parar de ter em mente sempre a perspectiva de ter ou não uma ereção, ou se sentir exitado com isso ou aquilo, pode ser que isso ocorra naturalmente. Não tenha pressa.

Tente se manter afastado um pouco de coisas que o estimulem artificialmente (sites de conteudo adulto, filmes, novelas). Elas podem te condicionar a um vicio nesse sentido. Direcione sua atenção a outras coisas, distraia sua mente desse assunto. Pode aliviar a pressão interna a esse respeito.

Quanto ao descobrir alguem… Não coloque as suas espectativas em terceiros. Não existe a pessoa certa. Todo mundo pode ser o certo. Mas vai depender do que vem de você mesmo. Ninguem fora de você pode lhe fazer feliz. Está tudo em sua propria mente.

Sei que não sou tão ‘tecnica’ e/ou ‘cientifica’ como o Julio, mas espero que sirva de alguma ajuda.

Se precisar, é só falar.

Atenciosamente:

Ly

Rafael:

Ly meu velho, eu entendi com maxia clareza o que você e o Julio tem passado, só quero que entendam ( vocês ja sabem disso ) o quao eu tenho sofrido com isso, sexo esta em toda a parte, e eu acho que tive mais ‘’sorte” ainda por que ao meu redor parece que só existe sexo, eu reLMENTE NÃO ME IMPORTO com o ato sexual em si, nao de forma alguma cara, a unica coisa que eu quero é desejar alguem, querer alguem, enlouquecer por alguem, o ato sexual é consequencia,é o fim da linha.

Meu caro Ly, tenho 22 anos e nunca olhei para nenhuma mulher e nenhum homem com olhares de posseçao, com vontade de ter, sentir seus corpos, eu observo as pessoas na rua e nao vejo mais q pessoas bonitas, saldaveis e nada mais. Não quero sexo em si, mais sim o prazer de desejar alguem, sentir o aperto no coração e a respiração almentar, os batimentos acelerar e tudo mais, isso eu não sinto, nem quando eu vejo filmes pornos. entende onde quero chegar? eu nao sinto atração alguma, se essa é a palavra certa. Isso que você e o Julio vem me falado estao me ajudando muito, me dando uma perpesctiva imensa e uma esperança que nunca havia experimentado. O unico problema é isso, eu só queria desejar alguem. =\

Sou uma das pessoas mais completas em termos de vida que eu conheço, tenho amigos que me amam, e eu os amos, tenho um bom empego, tenho uma vida muuito farta, mais nao sou completo, pois nao consigo desejar ninguem…

obrigado Ly, você e o Julio tem sido de extrema importancia, vou anexar uma foto minha para que vocês possam ver quem eu sou

abração se cuida

Ly

Olá de novo Rafael.

Bom, primeiro eu queria dizer que aqui é A Ly. Eu sou uma guria! rsrs Mas tudo bem, você não tinha como saber. Falha minha.

Agora vamos ao que interessa.

Novamente eu devo ressaltar a influencia externa que sofremos por parte de estimulos visuais que nos são continuamente enviados. Você diz querer se apaixonar por alguem, sentir o coração acelerar, até mesmo abdicar da razão por alguem.

Essa é a ideia/imagem que associamos a alguem que ama/está apaixonado. Ora, é essa a imagem que vemos na tv, no cinema. Casais que se olham, sentem-se como nunca antes quando juntos e vivem felizes para sempre. A personificação da felicidade. Que de certa forma esta muito arraigada na ideia de demonstração em atos com alguma conotação sexual. O beijo é um exemplo. Mas isso condiz com a realidade? Ou seria simples idealização?

E como quando vemos esse ou aquele produto que nos é interessante num anuncio comercial, compramos a ideia e ansiamos por algo igual/parecido. Idealizamos tais coisas, e sofremos quando não as temos.

Mais uma vez: está tudo na sua mente. Você foi levado a associar essas manifestaçoes com a sensação de prazer, que você, por sua vez, parece confundir com o gostar de alguem.

Ao que parece, sua ansia é por um amor/relacionamento romantico. Tente questionar então o que é o amor. Se ele está realmente em toda essa estrutura construida em volta dele. Se isso é realmente importante. Qual o real valor disso? Por que você quer isso?

Eu, como você, nunca, em tempo algum, senti qualquer dessas reaçoes tão comumente relacionadas ao ‘amar alguem’. E convivo muito bem com isso. E isso não implica necessariamente no fato de eu ser alguem sem sentimento. É justamente o contrario.

A sensação de completude que você diz querer não esta nisso ( desejar, querer, ter). Vem de dentro pra fora, e não o contrario.

O site tem um vasto conteudo que pode esclarecer melhor suas duvidas. Sugiro que leia.

Caso ainda assim precise de alguma ajuda, não exite em entrar em contato.

Atenciosamente:

Ly

Rafael:

Ei Ly me desculpe por confundi-la, nunca imaginaria =]

Mais vamos ao que interessa, eu agradeço de coração o apoio que você e o Julio me deram, e todas as explicações, claro que nem tudo que vocês disseram eu concordo, mais Ly você não tem noção a luz no fim do tunel que voces foram para mim. Me exclarecendo milhoes de duvidas, melhor, mostrando e explicando as verdades,tenho material didatico suficiente vindo de vcs para me superar, sabe é dificil coviver com tudo isso, é um ciclo vicioso, é como uma droga Ly, quando entra é dificil sair,e comigo é mais ou menos assim, estou tão focado na normalidade dos fatos que enxem nossos olhos e ouvidos, que muitas vezes eu esqueço do que é essencial para vida, mais num mundo onde a minoria sofre constantimente, é foda ( disculpa) encarar as coisas que fogem do padrão ( melhor palavra q eu encontrei) como eu. Não da para negar que eu fujo do padrão, ou melhor dizendo, fujo daquilo que é ”normal” me entende?

Conviver com as diferenças é o mais facil de tudo,desde que eu tenho 16 convivo com isso, todos nos convivemos com as diferenças porque se nao convivessemos nada existiria, mais é oque eu sempre falei e falo….entender é uma coisa aceitar é outra. Eu tinha um entendimento simples da minha condição, mais depois de ”conversar” com voces tenho total clareza de como as coisas funcionam.

Julio me disse mais ou menos assim : Que depois de anos me focando em coisas artificiais como pornografia, filmes, e ate mesmo minha propria imaginação, depois de anos me focando em fantasias, eu perdi o que é real, eu apaguei o real da minha cabeça, e nunca tinha pensado nisso, não pude deixar de concordar, desde que começei a entender meu corpo, a procurar prazer e tals sempre busquei prazer em formas artificiais como sites de conteudo adulto ( faço isso todos os dias), como eu lhe disse Ly é como um vicio.Hoje que necessito do real, não o possuo.

Já você Ly me mostrou o quanto pode se vivier sem isso, como pode-se encontrar prazer em varias outras formas de expressao, como na amizade, LY voce não faz ideia de como sou querido, seria impossivel descrever isso, estou repleto de pessoas de todas as classes formas,jeitos,orientaçoes,

estilos, tudo. Tenho os melhores amigos que poderia ter, e é claro tenho aqueles por quem me mataria para protege-los, os amos mais que a mim mesmo, os amos tanto que chego ao ponto de me abdicar para eles!!!!

Mais foi como eu disse anteriomente, ser a ”minoria” por assim dizer enxe minha cabeça de coisas que me deixam ruin, e a unica coisa que eu penso é em deixar de ser a minoria, poder entrar numa roda de amigos e conversar abertamente sobre sexo, ou poder chegar em um desses meus amigos que tanto amo e chorar porque acabei de discutir a relação com minha mulher. Só quero deixar de ser a minoria, já tenho personalidade forte, ja sou conhecido por todos na cidade por ser especial e unico por causa do meu jeito de agir com os outros, a unica coisa que realmente gostaria de experimentar era o prazer que gera a vida!!

Para mim é essencial sim, não tão como outras coisas, mais HOJE me faz falta e vou lutar por isso, vou lutar para conseguir isso com os meios mais puros e simples que possam existir, por isso agradeço imensalmente o que voces tem feito e dito por mim, de todo o coração, seus ensinamentos serão como um MANTRA para que eu possa conseguir finalizar minha jornada.

obrigado Ly e Julio

se quizerem contar minha historia no blog, fiquem a vontade eu ficaria feliz!!!

kalleu

É o que vocês podem ver… pensem nisso.

Até o momento… não se importe com a Wikipedia

Quem acessa esse site e já acessou o site da Wikipedia em português sobre assexualidade sabe que o conteúdo lá exposto é vago e incoerente. Eu não sei quem escreveu aquele artigo e em que época foi escrita… talvez 1000 antes de Cristo por algum hebreu analfabeto… mas está lá.

Existem alguns pontos que precisam de esclarecimento:

  • Assexualidade não é uma orientação sexual… mas sim a falta de uma orientação sexual específica. Na prática a assexualidade só tem importância quando se trata de um modo de viver diferente. A falta de desejo sexual por si só é vaga demais. Existem muitas pessoas que não sentem interesse por sexo e jamais se considerariam assexuais;
  • Até hoje a falta de interesse por sexo ainda é um problema psicológico “oficial”, existe uma grande industria que lucra bilhões com isso… lutar contra essa babaquice ainda hoje é impossível;
  • O interesse por sexo é algo que pode ser modificado. Existe uma longa indústria que ganha bilhões com isso. Seja de forma direta ou indireta. Não há razão para considerar a assexualidade como algo fixo e imutável;
  • Só é assexual quem quer… quem não quer pode mudar. Existem milhões de empresas e pessoas que trabalham estimulando e “convertendo” desejos sexuais. Eu não ganho nada falando sobre assexualidade… não tenho interesse em conservar pessoas nos seus estados atuais;
  • Não existe um debate sobre assexualidade ser um comportamento real ou não. Qualquer debate sobre assexualidade ser uma orientação sexual é vão;
  • Hoje em dia só não acredita em assexualidade quem precisa não acreditar;
  • Considerar a assexualidade como um distúrbio mental é irracional. Não há como considerar a assexualidade como um distúrbio mental… eu nunca conheci alguém que defenda essa ideia ridícula;
  • Assexualidade é um comportamento humano. Não há como comparar o desejo sexual de um ser humano com o comportamento sexual de cordeiros ou ratos… os fatores são totalmente distintos… é um babaquice sem tamanho;
  • Ainda não podemos considerar que as pesquisas sobre assexualidade são conclusivas… na verdade nunca serão.
  • Assexualidade como um ativismo é mais sobre conscientizar pessoas de suas possibilidades do que falar sobre a falta de interesse por sexo;

E sempre lembre-se que todas as mídias e os mais diversos profissionais ganham dinheiro direta ou indiretamente com a indústria multi-bilionária do sexo. Algumas empresas e pessoas vivem exclusivamente da “adestração” sexual. E para isso eles quase sempre jogam sujo… afinal… “sexo é vida”, não é mesmo Boston?

A melhor maneira de ganhar dinheiro com sexo é criando uma necessidade que não existe… e para isso eles devem espremer as consciências até um nível insuportável. Você deve se sentir diferente, inferior, doente e seja mais lá o que puder te fazer miserável… através de uma lavagem cerebral que dura a vida inteira e nunca termina.

Todos lucram com isso… de maneiras que as vezes nem imaginamos.

Mas só para não sair do tópico… relembrando… o conteúdo sobre assexualidade na Wikipedia-PT não foi editado por mim ou por qualquer outra pessoa com QI positivo. Quem quiser informações relevantes consulte o site da Wikipedia em inglês sobre o assunto e sempre leia esse site.

Afetividade e assexualidade

Entre os assexuais logicamente não existem padrões. E quando se fala de afeto cada um tem sua forma de ver a vida. Vamos tentar entender alguns tipos de sentimentos afetivos mais comuns.

Inibição afetiva: alguns assexuais simplesmente não suportam quase toda forma de afeto. Se sentem desconfortáveis e preferem evitar. Isso varia muito, mas é comum encontrar alguns que suportam afeto verbal, mas não suportam qualquer contato físico. É possível que exista alguma relação com algum tipo de trauma na infância, ou alguma educação familiar um pouco disfuncional. Mas também é possível que não haja nada correlacionado. Ainda é impossível dizer com clareza qualquer coisa sobre as pessoas que inibem toda forma de afetividade.

Dissociação afetiva: O afeto não é um simples gesto físico ou um fonema. Trata-se de um conteúdo emocional que está sendo transmitido onde se busca criar um ambiente emocional. Contudo nem todas as pessoas conseguem entender o conteúdo que está sendo expresso, ou não conseguem sentir aquilo. Algo que aparentemente é comum entre os assexuais arromânticos.

Restrição afetiva: A mesma cultura que criou os significados e as suas expressões também criou restrições. Podemos fazer X com pessoas do sexo Y, ou podemos fazer B dentro do relacionamento A. E por aí vai. Sendo assim esses assexuais compreendem os significados afetivos e até podem assimilá-los, mas praticam as mesmas restrições sociais da sociedade. Algo que é praticamente onipresente entre assexuais românticos.

Transferência afetiva: São aqueles que de alguma maneira quase sempre interpretam a expressão afetiva com um sentido diferente da que foi transmitido. É mais comum que as pessoas simplesmente deserotizem o que foi dito/feito. E assim não interpretam determinadas coisas com seus conteúdos sexuais. O que pode complicar suas vidas, ou não. Os efeitos desse comportamento variam muito de pessoa para pessoa.

Outras realmente confundem o significado do que foi expresso para sentidos completamente ilógicos. É recomendável que se busque ajuda psicológica para acontecer o que está acontecendo.

Ultra-afetivo: Outras pessoas entendem os significados afetivos e conseguem assimilar todos ou quase todos, mas não aceitam os limites e restrições impostas pela sociedade. Normalmente são pessoas que buscam uma compreensão afetiva além do comum. Algo relativamente difícil de se encontrar e, até onde vi, apenas uma parcela das pessoas arromânticas compartilha desse sentimento.

Pseudo-erotismo: Alguns poucos assexuais que possuem basicamente os mesmos conceitos e sentimentos afetivos que a média sexual. Inclusive sentimentos eróticos como a posse, controle, uso, admiração, desejo, etc. Contudo de alguma forma eles não possuem a pulsão pelo sexo propriamente dito, mas especificamente pela penetração, ou pelo estimulação dos órgãos genitais. Alguns chegam a se excitar sexualmente, outros não.

Na verdade eles não buscam a excitação dos órgãos sexuais, mas sim um estado de humor alterado semelhante ao estado de desejo sexual comum. Majoritariamente se importam com as sensação subjetivas e quase nada ou nada se importam com o processo da excitação sexual fisiológica. Não se preocupam com o orgasmo e muitas vezes o rejeitam.

Trocando as bolas: não confunda o perfil dos assexuais pseudo-eróticos com os assexuais românticos românticos restritos ou ultra-afetivos. Esses não compartilham dos mesmos conceitos, ideias, emoções, desejos, etc. que os assexuais pseudo-eróticos possuem.

Uma observação relevante: O termo romantic relationship em inglês seria melhor traduzido para o português como relacionamento afetivo. Assim pessoas romantic seriam pessoas afetivas, enquanto pessoas aromantic seriam pessoas desafetivas. Contudo não existem pessoas propriamente desafetivas… e praticamente nenhuma pessoa arromântica que eu conheça se mostrou desafetiva e insensível. Pelo contrário… pelo que observei a maioria dos arromânticos são ultra-afetivos e uma minoria é dissociativa.

Mais explicações sobre esses perfis serão feitas em breve. Se você se identificou com alguém mande seu depoimento para assexualidade@gmail.com e ajuda na construção dos próximos artigos.

p.s.: O objetivo aqui não é dizer qual é o melhor perfil a ser tomado. Muito menos estabelecer quem “verdadeiramente” é assexual.

O que é atração sexual?

É comum encontrar a seguinte definição para assexualidade: a falta de atração sexual por outras pessoas. Inicialmente foi Kinsey e sua equipe que primeiro observou “socialmente” a assexualidade. Nas suas análises eles consideraram a assexualidade como a falta de um desejo sexual específico.

Com o passar do tempo surgiu o conceito de orientação sexual, em oposição ao antigo conceito de opção sexual. Alguém achou que opção sexual era um termo inapropriado já que a pessoa não necessariamente escolhe como será seu desejo sexual. O termo orientação é mais conveniente, porque assim estamos considerando uma série de fatores externos e internos que podem moldar o comportamento sexual dessa pessoa.

Até aí tudo certo. Só que de alguma forma… nem imagino qual… se tornou do “senso comum” que orientação sexual é algo estritamente genético. Alguns cientistas até tentaram encontrar o “gene gay”, sem sucesso. Todo o esforço só criou conclusões ambíguas…

É incoerente dizer que os genes são os únicos responsáveis por algo tão complexo como os nossos desejos sexuais. Mas é extremamente coerente (e sensato) dizer que a sexualidade humana é o resultado de um conjunto bem amplo de fatores, e entre esses estão os fatores genéticos que podem influenciar a sua maneira. No demais… é insanidade ou irresponsabilidade chegar a uma conclusão “científica” sem a menor prova.

O termo atração sexual também surgiu no contexto da orientação sexual. Atração sexual se tornou um termo sem significado específico e bastante vago. Assim como excitação sexual e psicológica muitas vezes se confundem.

Podemos definir atrair como “Fazer voltar-se ou dirigir-se para si“. Logo atração sexual seria mais ou menos como: fazer voltar-se ou dirigir-se para si de maneira sexual. Mas como se define uma maneira sexual? Não existe definição clara do que é sexual ou não. É mais coerente dizer que atrair sexualmente é: atrair para si uma pessoa provocando-lhe desejo sexual. Nesse caso o desejo por ter relações sexuais.

Mais resumidamente ainda: é fazer com que outra pessoa lhe deseje sexualmente.

Se uma pessoa sente atração sexual por outra é porque aquela lhe provocou um desejo (pelo realização) sexual… Tem quem queira considerar quase tudo como atração sexual. Como já disse, diversos fatores estão interconectados para gerar o nosso comportamento, tornando impossível distinguir com precisão o que é um comportamento meramente sexual.

Contraditoriamente para falar de sexo precisamos de uma compreensão clara e concisa. Não podemos considerar que tudo é sexo… temos que ter um compreensão (mesmo que imperfeita) sobre isso.

O maior problema dessa distinção é que ela só pode ser feita pela própria pessoa. O que eu vou entender por sexo não será totalmente compatível com o que outra pessoa entenderá. É importante saber fazer uma distinção clara entre o que é sexual ou não.

Saber fazer essa distinção, que sempre é para si mesmo, é a melhor maneira de encontrar o equilíbrio nos seus desejos e nas suas atitudes, dentro das perspetivas da assexualidade.

Muitos assexuais sofrem por não entenderem o que é atração sexual. Também por não entenderem sobre o erotismo e suas expressões. Não compreendem seus próprios significados e se enxergam por espelhos. Acabam se frustrando e sofrendo em silêncio.

As coisas não possuem significado por conta própria. Nós damos os significados para tudo o que fazemos.

1 Fazer voltar-se ou dirigir-se para si: Ela atraía todas as atenções.”