Vocês fariam um lindo casal…

O que diabos as pessoas querem dizer com isso? Você está conversando com um grande amigo seu… então chega alguém e diz: “eu adoraria ver vocês juntos”. O que é ficar junto?

Por que as pessoas dizem isso?

Bem… simples! Auto-projeção.

Existem dois tipos de “projetores”: aqueles que gostariam de ter essa relação e aqueles que precisam que você tenha essa relação por eles.

Os que gostariam de ter essa relação são como aqueles que buscam na realização da formalização da sua relação a confirmação de que o que acontece (ou acontecerá) com você e seu amigo(a) também se sucederá sobre ele.

Os que precisam da sua sua relação formal são aqueles que projetam sobre você a existência de uma realidade que nunca foi aplicável a eles. Pior do que não viver… é acreditar que essa vida não existe. Pior do que ter o pior namoro do mundo… é acreditar que não existe o melhor namoro do mundo.

Em ambos os casos… não é necessariamente com você… ou com sua relação que as pessoas se preocupam. Mas sim sobre como sua relação – ou suas realizações dentro da relação – podem alimentar ou manter a fé dessas pessoas em algo que para elas é a essência de suas vidas.

Pavlov foi um fisiologista que abriu os olhos da humanidade para o que hoje é conhecido como Reflexo Condicionado. Um assunto que eu recomendo a leitura.

Arromantismo dentro do romantismo

Como a ideologia arromântica poderia ajudar um relacionamento romântico? Não é tão impossível quanto você imagina! Vamos lá!

A grande erro da maioria das pessoas românticas é se deixar levar pela paixão… o maior problema da paixão é que ela distorce sua percepção de tal forma que toda sua vida muda…

Socialização, quando você se apaixonou provavelmente esqueceu de seus amigos (ou de quase todos). Isso foi um grande erro! É muito importante que você refaça a amizade. E se prepare para pedir muitas desculpas… muitos dos seus amigos ficaram magoados com seu “esquecimento”.

Dependência, as vezes a paixão catalisa o sentimento de dependência de uma pessoa. Ela assim fica extremamente dependente da outra. Outro grande erro. Se você é o dependente procure juntar forças para buscar a própria independência (de tudo). Se você é o suporte então busque ajudar seu parceiro dizendo que ele pode viver por conta própria. Algumas vezes a pessoa do suporte também acaba se deixando levar pelo sentimento de satisfação por estar sendo o “tudo” para a outra pessoa. Mas isso é extremamente problemático. Procure reverter essa situação.

Algumas áreas de dependência:

  1. Financeira – quando a pessoa é a única responsável pelo dinheiro;
  2. Social – quando a outra pessoa é sua única amiga;
  3. Afetiva – quando o desejo por carinho se torna uma dependência (carinho é bom, mas ninguém deve ficar dependente dele);
  4. Auto-imagem – um caso mais complexo, quando uma pessoa sustenta a sua auto-imagem a partir do outro. “Sem ela sou nada”;
  5. Objetivista – quando o único foco do parceiro é o outro. Esquece de todos os seus outros objetivos;
  6. Obsessiva – quando a vida só tem cor com o outro.
  7. Intelectual – quando um parceiro esquece do seu próprio desenvolvimento intelectual e se segura à inteligência/conhecimento do outro;

A mentira em nome do bem, em qualquer relacionamento há mentiras. Mas nunca relacionamento amoroso há muita coisa em jogo e por isso, muitas vezes, mentir é crucial! Mas como então não mentir? Simples… não provocando a situação onde seja necessário mentir. Contar a verdade muitas vezes é insuportável… então que tal cortar o mal pela raiz? Nunca esconda uma verdade sobre você do seu parceiro. E evite ao máximo provocar situações onde no futuro será necessário mentir. Saiba que se a mentira trará dor para o seu parceiro ela trará infinitamente mais sobre você.

Elogios, você já viu dois amigos que vivem se elogiando? Pode até existir… mas eu nunca conheci algum caso assim. A verdade é que em muitos casos os amigos estão errados… os namorados se elogiam demais… e os amigos de menos. Grande erro! Deve haver um equilíbrio aí. Você deve elogiar qualquer pessoa na medida certa. Mais do que isso parecerá falso, e com o tempo perderá o “efeito”. Quarde os elogios para os momentos certos.

Amor temporário, as vezes (mas não sempre) um casal de apaixonados pode entrar num incrível amor entre eles… são pacientes, prestativos, bondosos, sinceros, etc… Isso é ótimo. Se não fosse por dois problemas: Amor exclusivista (”só amo quem me ama” ou “só amo XYZ) nunca dá certo, esse amor só dura pelo tempo que dura a paixão. Conheço muitas esposas que vivem amarguradas porque perderam o amante (literalmente) que tinham e hoje vivem com uma sangue-suga.

Como reverter essa situação? Só existe uma solução… se você ainda está nesse amor temporário simplesmente passe a oferecer esse amor para outras pessoas. Isso vai ajudar a solidificar o que está sendo em você superficial. Assim com o passar dos anos as qualidades do amor nunca deixarão seus relacionamentos. Obs: Em alguns casos o casal desenvolvem algum tipo de bloqueio, onde conseguem amar os outros, exceto o parceiro. Nesse caso é necessário fazer uma auto-análise. Mas fuja dos terapeutas de casais que “prescrevem” sexo para tudo. É só placebo.

Sexo, dentro de um relacionamento sexo pode ser tudo, exceto fundamental. O problema é que (não imagino como) os terapeutas de casais entenderam que tudo dentro de uma relacionamento romântico se resumo em sexo! Toda confusão acontece porque alguns inverteram a ordem… colocaram os efeitos na frente da causa. Por exemplo, quando um parceiro magoa o outro é provável que eles não se sintam a vontade para fazer sexo… isso é lógico. Mas alguns “especialistas” invertem a ordem. Dizem que por não fazer sexo eles irão se magoar (de alguma maneira mágica). Então eles recomendam sexo para um bom relacionamento.

Mas basta consulta o rapaziada da boa idade pra saber como é que as coisas realmente funcionam. Sexo é um elemento que deve ser opcional num relacionamento romântico. O que é fundamental é: sinceridade, apoio, paciência, companheirismo, humildade, bondade, etc. Muitos casais desde cedo vão pelo caminho do fundamentalismo do sexo… provavelmente a grande maioria segue por essa rota… bem todos sabem o que acontecem com a grande maioria dos relacionamentos românticos…

Afeto, o afeto/carinho é uma forma de comunicação mais objetiva do que a comunicação verbal. Digamos que um abraço pode dizer mais do que um livro. Muitas vezes um casal (pelas razões citadas acima) deixam o afeto de lado. Isso é o começo do fim. Mas não se iluda… não saia fazendo carinho no seu parceiro… isso não vai mudar muita coisa. Primeiro resolva tudo que já foi dito (e o que ainda será)… daí, muito provavelmente o carinho virá naturalmente. Se você partir para o carinho sem antes resolver os problemas o que pode acontecer é: O parceiro interpretar seu carinho como um ato de falsidade, como se você quisesse algo dele, ou como uma sedução sexual, como se você o estivesse chamando para fazer sexo.

É muito importante para um casal (para qualquer pessoa na verdade) desvincular sexo de carinho. É um pouco complicado, principalmente dentro desse tipo de relacionamento. Mas é fundamental. Um abraço não quer dizer “vamos para a cama”, assim como um beijo não quer dizer “quero aqui e agora”. É importante saber separar essas coisas. Um modo produtivo para um casal fazer isso é criar seu “código interno” de carinhos… criar um beijo especial que quer dizer “vamos vamos vamos!” ou um certo tipo de abraço no mesmo sentido. Não sei se é o ideal, mas por via das dúvidas resolverá 90% do problema.

Ser carinhoso com os amigos também é importantíssimo. As vezes um casal se isola do universo até na forma como trata as outras pessoas. Só existe comunicação verbal. Isso prejudica muitos os relacionamentos. Tente, juntamente com seu parceiro, re-desenvolver (ou criar, se nunca houve) o carinho pelos seus amigos. Na frente do outro mesmo para que o ciúme bobo vá minguando. Não se preocupe… se o outro realmente está com você pode você então não há o que temer… ou há? (vide A mentira em nome do bem) Com o tempo haverá um equilíbrio na comunicação não verbal (carinho) que tornará a relação interna (entre o casal) e externa (com amigos) muito melhor.

Ciúmes, o ciúme não surge por acaso… as vezes ele já está em grande nível potencial dentro do parceiro. Mas na grande maioria dos casos ele é desenvolvido dentro do próprio relacionamento. Tudo que foi dito acima contribui para que o casal (ou um parceiro) seja ciumento. Pode parecer fofinho… mas ciúme nunca é legal. Nunca! Ciúme é nada menos do que a desconfiança no parceiro. Agora, em que inferno desconfiança é algo bom?

A primeira barreira que deve ser ultrapassada é a dependência. Ambos devem se tornar independentes… isso pode parecer que vai tornar a relação fraca, mas na verdade só irá unir ainda mais o casal. E em seguida deve-se por TUDO em pratos limpos. Acredite… ganhá-lo como seu amigo e perdê-lo como seu namorado/esposo pode ser a melhor coisa que tenha acontecido na sua vida.

Um fim, muitos relacionamentos românticos são auto-destrutivos. Na verdade parece que os dois nasceram para destruir a vida do outro. É algo aterrorizante e incontrolável. Em outros casos os desejos, comportamentos e objetivos com completamente diferentes. Infelizmente, em tais casos o melhor a se fazer é por um fim… na relação romântica e se tornarem unicamente amigos (com suas devidas restrições). Aproveite para desenvolver, dentro da amizade, o que vocês não conseguiram dentro do relacionamento romântico. Isso pode/deve levar um bom tempo… mas será o tempo necessário para que vocês amadureçam… e se for viável, que voltem à relação romântica. Obs: se continuar do mesmo jeito procure ajuda profissional… se mesmo assim não mudar…

Percepções, é muito comum que um parceiro se esqueça que o outro tem o direito de ter sua particularidades. Ele pode não ter interesse sexual, não gostar de beijar, preferir ficar em casa a sair, odiar TV, etc. São coisas grande e microscópicas que são fundamentos em relacionamentos. Esquecer que o outro tem o direito de ter suas particularidades é chamar o Diabo pra luta mano-a-mano. Não dá…

Recebo vários e-mails de pessoas com relacionamento românticos até que sem muitos problemas… mas tem uma coisa… uma coisinha só que ele não suporta. E em TODAS AS VEZES essa coisa é algo totalmente fútil, ou no mínimo dispensável. Só que nesse momento ambos devem usar do bom senso para saber quem deve ser flexível e abandonar ou mudar um hábito. Por exemplo, um puzinho aqui… ou alí… pode parecer besteira… mas quem gosta disso? Não dá, não é? O flatulento deve ter consciência que ele vai aborrecer o parceiro e vai prejudicar a relação. Em outros casos, como quando o outro não gosta tanto assim de sexo (ou em casos mais complexos quando a relação causa muita dor), é importa que o parceiro tome consciência disso e mude seus interesses… ou então quem vai mudar (de casa) é o outro.

Romance, o problema do relacionamento romântico… é o romance. A grande sacada é que é impossível ser romântico 24/7… impossível! O que muitas casais fazem? Eles vivem num sistema de múltiplas personalidades. De dia eles são “normais”, mas a noite eles encarnam o amante perfeito. Ótimo… tudo bem… e o que você faz com as outras 14 outras do dia em que ele está “normal”? Deu pra sacar que fica difícil… Então, qual é a solução?! Ora, meu caro, isso é lógico…

Simplesmente seja “natural”. Então você vai me dizer… “ah mas se eu for ‘natural’ o tempo todo nosso relacionamento entrará na rotina”…. hum… de fato… esse é o problema… você é insuportável! A única forma de mudar esse quadro é mudando quem você é!

Você não precisa entregar flores para ela no trabalho. Você tem que ser a flor que ela vai encontrar ao chegar em casa. Sacou? Você não tem que ficar 24 horas por dia de bom humor… só precisa ficar 24 horas por dia apito para ser amado; Você não tem que chamar ela pra jantar fora num restaurante caríssimo… estar com você, em qualquer momento deve ser uma experiência única, você deve ser uma experiência única; Você não tem que deixá-la louca de prazer… estar com você já é um estado de conforto inestimável; Você não precisa criar poemas e canções, sua própria voz deve ser uma doce e delicada melodia a qual será acompanhada com a mesma intensidade pela dela; Mas nunca deixe de entregar chocolates… O segredo está nos chocolates :P

Existem muitas outras coisas que podem ser ditas… mas ficarão para depois… enfim… aproveitem um pouco da sabedoria arromântica. ;)

Eu me perdi em algum lugar lá atrás

Talita: Bom gostaria de ajuda tambem!
Não sei se sou exatamente uma assexuada ou é algo psicológico.
Porque gosto do sexo, mais já tentei ter relacionamentos com com homens e até com mulheres, é algo meio vazio, sinto tesão, mais não é por causa da pessoa em si, é porque a pessoa me toca, e tipo não quero sempre, mas eu gosto do sexo. E outra, parece que que sou anti social em relações , porque me dou bem com todos em amizade, difícil arranjar antipatia com alguém, mais falou de relacionamento, não desenvolve, não bate, é mesma coisa se eu tivesse com um objeto esperando algo dele, uso ele e depois deixo para lá. Aquela pessoa e nada dá na mesma para mim. O ruim que sinto falta de ter alguém, mais quando tento algo ficar namorar enrolar mechiriar … mão rola, não sinto nada, não vejo sentido, me sinto bem quando amigos apenas. Aí não sei se não consigo nada com alguém porque tô tão assumida psicologicamente que nao consigo mesmo, ou talvez não tenha gosto para isso sei lá. Preciso de uma ajuda.
Obrigado.

Antes de qualquer outra coisa eu recomendo que você leia (os textos não estão em ordem lógica):

Das interações relacionais

Dos relacionamentos

Por que se importar com títulos?

Momentos “Slow Motion”

Qual o problema com o amor?

Ser solteiro não é ser sozinho

Ser é não ter

Frigidez

Mitos sobre paixão e atração

O que são pessoas arromânticas?

NÃO somos SÓ amigos

Assexualidade não é religião

Por que as pessoas precisam de “relacionamentos”?

A felicidade da solidão

Amizade entre homens e mulheres, é possível?

“Solteiro para sempre!”?

There’s a world out there!

Qual o valor do sexo?

Esses textos falam do seu problema em cada faceta. Por isso sua leitura é fundamental. Sendo o que vou dizer apenas um complemento:

O ser humano não foi feito para comer carne. Insetos, talvez… mas não o açougue que comemos hoje. Mas na nossa cultura praticamente todas as pessoas acreditam que comer carne é algo natural. E ai de quem contestar isso! Assista o vídeo a seguir e entenda o caso:

O mais incrível é que mesmo com toda essa indisposição ainda assim comemos carne desde pequenos e dizemos gostar. Mas existem algumas poucas pessoas que mesmo nascendo nessa cultura carnívora rejeita carne com total naturalidade. São crianças que nunca gostaram do gosto da carne, mesmo sem saber exatamente da onde vinha. Ainda não existem evidências científicas que expliquem isso. Mas o fato que é tais pessoas desenvolvem naturalmente esse paladar e continuam assim para o resto de suas vidas (obrigadas a comer carne ou não).

Mas o que isso tem há ver com seu caso? Tudo! Assim como comer carne se tornou algo natural, querer um relacionamento romântico também. O relacionamento romântico não existe naturalmente, ele é uma criação da nossa sociedade. É lógico que ele é alimentado pela paixão, assim como a cultura da carne é alimentada pelo nosso paladar. Mas isso não muda a essencial da “criação” humana.

Assim como algumas pessoas não suportam carne, você parece não suportar relacionamentos românticos. A diferença é que quem não suporta carne simplesmente diz que não suporta e deixa de comer (a não ser que seja obrigado), porque ela evidentemente vê que comer carne não é algo natural, no mínimo, para ela. Enquanto na nossa cultura ser romântico (querer o que chamamos de relacionamento “amoroso” – que de amor não tem nada) virou natural, mas tão natural que é imprescindível para a vida de uma pessoa, ou, ao menos, para a sau felicidade.

Eu vejo todos os dias pessoas com casos semelhantes ao seu. Elas não gostam de relacionamentos românticos. Elas querem carinho (algumas até beijinhos), mas elas não querem esse tipo de coisa (relacionamento) para a vida delas. O problema é que elas não sabem que é totalmente possível viver sem um relacionamento romântico! E se dar muito bem assim.

Algumas pessoas recebem essa boa nova com muita alegria e euforia. Se sentem leves por saber que não precisam disso… em muitos casos a vida muda drasticamente (para infinitamente melhor), novas perspectivas são abertas, novos horizontes explorados. Mas outras pessoas, não entendo como, simplesmente odeiam a simples ideia de ficarem “sem alguém”.

Ora, eu pergunto para as pessoas que descobriram a alegria da liberdade: vocês estão realmente sozinhos? Eu tenho total certeza que não. A perspectiva arromântica não é a solidão/exclusão, mas sim uma nova e revolucionária percepção de tudo.

O problema dessas pessoas é que elas entendem “não precisar de um relacionamento romântico” como uma condenação para a solidão e/ou depressão crônica. Eu venho falando de arromantismo aqui, não por mim, mas por milhões de pessoas que precisam saber disso. Todos os dias encontro pessoas naturalmente arromânticas tentando ser o que não são. O que isso gera?

  • Raiva de si mesmo;
  • Raiva da outra pessoa (o namorado, esposo, etc);
  • Vingança por algo indizível (que na verdade é só refluxo da traição contra si mesmo) – em forma de traições, mentiras, agressão física ou verbal, total indiferença, desprezo, etc;
  • Idealizações de eventos ou estados como solução para todos os problemas (por exemplo: ficar grávida, algumas mulheres sonham de forma tão intensa em ficar grávidas e idealizam esse momento de tal maneira que não querem que o filho saia de seu ventre);
  • Neurose e dependência obsessiva por outra pessoa – coitado do “o amor da minha vida”… ele vai conhecer o que de fato é um encosto;
  • Frustrações diante de suas decepções românticas, ao perceber que suas idealizações era mera fantasia e ilusões, e que o príncipe de encantado não tem nada;
  • E por fim, dentre muitos casos não citados, … o caso mais comum: depressão.

O seu comportamento, como você mesma disse, chega a ser doentio. Você não sabe porque se comporta assim, não sabe porque se sente dessa forma. Mas tudo isso só está acontecendo porque você, quando “fica” com alguém, está se traindo e não percebe isso. Existe um conflito aí. E você precisa resolver isso. Uma boa auto-análise poderia ajudar bastante. Mas resolver o problema não vai lhe tornar romântica. Apenas removeria o conflito e lhe deixaria livre para escolher continuar ou ser aquilo que idealizaram para você.

Eu sinceramente não entendo quando alguém me diz: “sinto falta de ter alguém”… eu não sei exatamente o que se espera. Ter (como objeto) outra pessoa? Ter o “conforto” de uma relação que só existe porque ambos assinam o compromisso legal/moral/religioso/social de continuar com tal relação? De ter o que ser humano algum no mundo pode me proporcionar – que é estar bem comigo mesmo?

Como venho dizendo… o amor não é exclusivista… ele não se dá para os mais “queridos”, mas sim para os mais necessitados. Não olha seus próprios gostos e vontades, mas importa-se com as limitações dos outros. Ignora o egoísmo alheio dizendo “perdoo-te pois não sabes o que fazes”. E todas as mais complexas e incríveis concepções do amor diferem vertiginosamente daquilo que as pessoas querem chamar de amor, mas que no fundo elas sabem que só é seu puro egoísmo gritando aos quatro ventos “EU e MEU”…

Mas bem, então você me pergunta: “Como então não sentir mais a necessidade de ter ‘alguém?’”. Bem… o problema é que você não sente. Você está muito bem solteira. Você passa muito bem assim. Eu acredito que você deveria se perguntar de onde vem essa pseudo-vontade/necessidade. Porque de você é que não é.

Algumas questões não ficaram claras, mas faço questão de não respondê-las para você mesma encontre o próprio caminho. Recebo meu abraço e continue lendo o conteúdo do site.

p.s.: Não sou vegetariano

Das interações relacionais

Tudo é uma questão de significado… Para o ser humano pouquíssimas coisas (para não dizer nenhuma) são objetivas. Tudo é uma questão de percepção… percebemos as coisas, entendemos o ambientes, deciframos as palavras, decodificamos os gestos.

Então tudo é uma questão pessoal.

Não existe globalização dos verbos.

O que para mim pode ser algo “feio” para outra pessoa pode ser “bonito”. E o que para outra pessoa pode ser “sexual” para mim pode ser apenas “relacional”…

Na nossa sociedade se estabeleceu que algumas coisas fazem parte do relacionamento romântico e/ou são reservadas para pessoas que estão apaixonadas. Mas na prática não é assim. Tudo é uma questão de percepção.

O beijo por exemplo, é encarado de diversas formas entre as mais variadas culturas. Em algumas culturas beijar alguém na boca é proibido, porque se imagina estar roubando a alma da outra pessoa. Em outras culturas o beijo é uma formalidade reservada para pessoas muito íntimas, respeitadas. E em outras beijar a pessoa é um sinal de altíssimo respeito e valorização.

Mas individualmente o beijo pode ser interpretado de infinitas formas. O que para os demais pode ser algo “sexual”, para você pode ser apenas uma forma de carinho. O mesmo vale para qualquer forma de interação humana. É importante entender que uma pessoa pode entender toda forma de comunicação verbal e não-verbal de uma forma diferente.

Muitas pessoas pensam que não ter interesse romântico por outras pessoas exclui toda forma de interação que para nós é romântica. Em outras palavras, quem não é romântico não beija, não abraça, não faz carinho, não fala com delicadeza, etc. E isso é um grande engano. As formas de interação são questões de percepções. Se para uma pessoa um beijo não é uma coisa romântica, logo isso não será romântico. Porque damos sentido ao que fazemos. E se o nosso sentido não é romântico, logo ele não será.

Por isso tire da sua mente a imagem de pessoas arromânticas sem sentimentos, frias, cínicas, indelicadas, grossas, desafetivas e desagradáveis. Isso não tem nada há ver com ser arromântico. Essencialmente ser arromântico é não ter interesse em relacionamentos românticos, que são relacionamentos ilusórios, baseados em sentimentos inconsistentes e instáveis. Isso não tira da pessoa sua capacidade de ser afetuoso, doce, sensível, carinhoso e delicado. Muito pelo contrário, só torna tais qualidades mais consistentes, e aplicáveis. Sem exclusividades e restrições políticas, sociais, culturais e religiosas.

Asexual romântico?

“Asexual people can love others for the wrong reasons, sexual attraction just isn’t one of them.”
Tradução: Pessoas assexuais podem amar outras pessoas pelas razões erradas, mas sexual realmente não será uma delas.

Comentando a declaração que é bastante comum e tem me feito parar a edição da FAQ:

Primeiro, como eu já venho dizendo aqui no site AMOR não existe como sentimento. Já estou cansado de repetir isso.

Segundo, O que temos nesse caso é PAIXÃO.

Terceiro, a paixão é um processo sexual que acontece em muitos animais, principalmente entre mamíferos (alguns até com semelhanças assustadoras com os seres humanos).

Quarto, um relacionamento íntimo nada mais é do que um relacionamento comum no qual tenta-se estimular a paixão (a fim de manter seus efeitos quase alucinógenos por mais tempo) através de estímulos. Estimular a paixão é o mesmo que estimular o processo sexual.

Quinto, concluindo uma pessoa que tenta estimular um processo sexual não pode ser assexual.

O problema é que a grande maioria dos assexuais românticos são mulheres (não me pergunte por quê!). E as mulheres possuem reações à excitação sexual diferente dos homens. Muitas (mais de 50%), de acordo com um estudo recente mostraram não saber que estavam excitadas sexualmente, quando realmente estavam.

No homem a excitação sexual é “alarmada” pelo pênis. Tanto que muitos homens que o perdem (é… existem esses casos) acabam também perdendo boa parte do seu interesse sexual e auto-erótico.

Isso é um processo bastante interessante o qual vou comentar com mais detalhes em posts futuros…

Mas voltando ao assunto… é importante entender que todo o processo da paixão é contrário à assexualidade. Isso não quer dizer que quem se apaixona deixa de ser assexual. Apenas é importantíssimo observar duas coisas:

  • Onde há fumaça há fogo
  • A essência da assexualidade não está nas pulsões do seu corpo, mas sim no seu “estilo de vida”.

Tal pensamento tem me feito reconsiderar a linha divisória entre assexuais e celibatários.

Mas esse é um assunto bastante interessante para outros post!

Pense no assunto ;)

Se você acha que o conhecimento vai tirar sua razão de viver… tenho que lhe dizer… você já não tem uma razão para viver.

Mitos sobre paixão e atração

As pessoas as vezes fazem certas colocações que só não são tristes porque são muito engraçadas.

Outro dia estava sendo entrevistado, conversando com a jornalista ela me fez a clássica pergunta sobre atração: “Você sente atração pelas pessoas?”. Eu realmente não sei o que as pessoas querem dizer com isso. Ela tentou me explicar mostrando o exemplo de quando um homem chama a atenção de uma mulher e ela fica olhando para ele…

Bem… pelo que entendi… isso seria uma forma de atração…

Então tenho atração por gatos, cachorros, plantas, homens, mulheres, meninos, meninas, bebês, quadros, mar, pássaros e tudo mais que existe e me deixa desnorteado pela sua beleza.

Essa colocação da jornalista realmente me fez pensar… muitas pessoas acham que atração sexual/romântica é admirar alguém! Na verdade não só isso… mas muitas pessoas acham que beijos, abraços, carinhos, namoro, ou qualquer outra coisa “íntima” desclassifica alguém como assexual! Já falei com várias pessoas que se justificaram sexuais porque sentia essa “atração” por outras pessoas. Ou porque ainda faziam sexo… mesmo sem querer/gostar.

Pessoal… uma pessoa pode ser assexual mesmo fazendo sexo 24 horas por dia. Pode ficar congelada ao ver um super gato(a)… pode dar beijos ardentes… ou o que quer que seja! Nada disso prova o interesse sexual de pessoa alguma. A melhor – e na verdade a única – forma de saber o que se é é olhando para si mesmo. Mas esse não é um exercício simples.

Eu mesmo não pensando em mim mesmo como assexual até ler a vida de outros assexuais e ver como a mentalidade de muitos deles era igual ou muito semelhante a minha.

Lembre-se que assexual é só um rótulo e como qualquer outro rótulo ele não é absoluto, mas sim relativo. Por isso só você pode se definir como assexual.

Existem bilhões de razões para fazer sexo e só uma delas é a atração sexual ou interesse sexual. As pessoas fazem sexo por pressão social, por vício, por dinheiro, por status, por valorização, por auto-valorização, pelo mantimento da família, por motivos religiosos, por satisfação traumática-doentia, etc. Da mesma forma existem bilhões de razões para se apaixonar. Ambos – sexo e paixão – são mecanismos naturais do corpo. Eles existem por uma razão simples: reprodução.

O problema é que ambos são extremamente destrutivos em seres humanos. Os outros animais não pensam como pensamos. Eles não fazem as assimilações que fazemos. Não sentem o que sentimos. A maior estupidez moderna é querer fazer do homem um bicho instintivo. Essa mentalidade está se tornando tão sólida que tudo se justifica agora pelo instinto.

O mais engraçado é que o conteúdo desse site é loucura para muita gente. Como se o que eu falasse aqui fizesse parte de um mundo paralelo de uma mente criativa. NÃO É! Caiam na real! Isso é muito sério!

Eu recebo cada vez mais e-mails de pessoas sexuais me contando seus conflitos e me pedindo alguma ajuda. Veja… num site para assexuais pessoas sexuais estão buscando algum refugiu. E não pense que são problemas pequenos… alguns vivem em depressão por anos… outros já estão desenvolvendo algum tipo de comportamento bipolar… e os piores estão ficando cínicos que é o último estágio e o mais triste de todos – antes da morte. Mas não pense que os assexuais estão muito diferentes… nesse mundo ou você sofre por estar dentro ou sofre por estar fora.

Eu realmente gostaria que muitos de vocês acordassem e fizessem algo. Mas isso não depende de mim, somente de vocês.

Tirem essas ideias de suas cabeças… sexo é opção… paixão também. Não importa se você sente atração ou não… sempre vai ser uma opção. E se isso atrapalha sua vida… não se auto-engane. 99% das pessoas sofrem por recorrência.

Pense nisso tudo… e por favor… dê a você mesmo um INCRÍVEL presente de natal… leia esse site! Leia tudo… é de graça… não custa um centavo. E sua vida só vai enriquecer.

Você mesmo agradece! ;)

O que são pessoas arromânticas?

Quem não gosta de namorar?! Bem, por mais incrível que possa parecer existem milhões de pessoas em todo o mundo que nunca namoraram em suas vidas e não sentem a menor falta disso. E fique certo que não apresentam tiques nervosos ou manias estranhas.

É normal para um jovem ficar com várias pessoas. É até uma obrigação. Quem não fica supostamente deixa de aproveitar muita coisa boa na vida. Depois vem o namoro sério… não necessariamente com a intenção de casar. E em seguida o casamento. O que é certo é que todos passam ao menos pela fase do namoro e do casamento. É assim na normalidade.

Mas não é assim para os arromânticos.

Bem, mas como eu defino uma pessoa arromântica? Infelizmente não existe uma definição concreta para o termo. Mas em geral um arromântico é uma pessoa que não sente atração romântica por outras pessoas. É tão complicado falar sobre arromantismo quanto falar de assexualidade. Um arromântico pode até sentir uma leve atração romântica por outras pessoas.

Mas esse é um assunto interessante e que falarei com mais profundidade em artigos específicos sobre o assunto.

Ser Assexual não é ser Arromantico

Arromantico é um termo usado para definir as pessoas que não possuem interesse romantico por outras pessoas. Se assexual é complicado de entender, um arromantico é mais ainda. Na grande maioria dos casos um arromantico tem uma mentalidade completamente diferente da sociedade.

Minha cara seria a mesma da mulher em 2º plano. Talvez pior.

Até hoje a imagem dos arromanticos está sendo humilhada pela mídia em geral que normalmente os esterioriza como pessoas excêntricas, anti-sociais, desafetivas, egoístas e tudo que houver de ruim. Um bom exemplo é o personagem Sheldon, do The Big Bang Theory. O fato é que na verdade muitos aromanticos possuem uma visão totalmente diferente sobre o amor, a qual vou falar com mais conteúdo em breve.

Romantismo é um “movimento” muito antigo, uma mescla de várias culturas. Não estou falando do movimento que iniciou no século XVIII, mas sim do comportamento romântico. Gregos, egípcios, hindus e até os Astecas contribuíram para a visão ocidental do que é romântico. Cada um com um valor diferente. Em linhas gerais o que nos entendemos por um relacionamento romântico é uma grande invenção humana. Tudo, inclusive o beijo foi inventado. Se alguém disser que você é desnaturado porque não gosta de beijar, saiba, este é um tolo.

Mas o assunto desse artigo é outro.

Muitas pessoas tentem a confundir as coisas. Ser assexual não tem nada há ver com ser arromantico. São coisas totalmente diferentes. Um arromântico pode inclusive manter relações sexuais, porque literalmente um arromântico é alguém que não tem sentimento romantico por pessoal alguma. Isso não quer dizer que ele não pratique sexo. Contudo é incomum. A grande maioria dos aromanticos realmente é assexual.

Uma boa parte dos assexuais é romântica. Eles inclusive adoram beijar (vai entender!). Muitos assexuais namoram e inclusive constituem família e tem filhos (alguns até “de sangue”). Acreditar que todo assexual é arromantico é acreditar num mito. Praticamente nenhum assexual é como o Sheldon, a grande maioria é carismática e sociável.

Não somos doentes, apenas diferentes.