Simplicidade…

É comum levarmos a vida inteira sofrendo para entender coisas simples, que poderiam ser facilmente aprendidas ainda quando crianças e que poderiam fazer toda a diferença na vida adulta. Mas é só quando chegamos a alguma idade que temos base e vivencia suficiente para entender isso.

A indicação literária que faço agora pode parecer um tanto inusitada para muitos, tendo em vista que se trata de uma obra, supostamente, voltada para o publico infantil. E o site, um espaço voltado basicamente ao publico adulto, ávido por respostas para questionamentos sérios, de resolução profunda.E é justamente ai que reside a beleza da coisa.

Um olhar mais acurado para tais obras revela que, com simplicidade e leveza, temas profundos são abordados. Temas da mais vital importância.

Coisa

Quando contava eu apenas 8 anos, me deparei com esse livro que, sem medo de exageros, posso dizer que afetou meu modo de ver o mundo até os dias atuais. E tenho certeza que continuara marcando.

Marcelo, Marmelo, Martelo e Outras Histórias, é uma obra de Ruth Rocha, respeitadíssima escritora brasileira.

O livro trás, além da história título, outras duas: ‘Teresinha e Gabriela’ e ‘O Dono da Bola’.

De inicio, conhecemos o menino Marcelo que, ao criar para si palavras novas para expressar-se, induz o leitor atento a se questionar. Por que as coisas tem de ser ‘como são’? Não existe outra maneira de ver o mundo? Posso pensar diferente e ainda ser aceito?

Em ‘Teresinha e Gabriela’, segundo conto, as duas meninas descobrem a identidade na diferença. A igualdade tão fortemente almejada por muitos, perde o sentido. E faz-se notar que pode-se ser quem se é, simplesmente.

O Dono da Bola’ transmite a força e importância da amizade. Mas, alem disso, mostra o quanto o sentimento de posse e o de superioridade nos afastam das pessoas.

Se questionar. Prezar a diferença. Sentimento de Posse que afasta. Superioridade que inferioriza.

Temas tão longamente dissecados nas páginas desse site. Tratados de forma leve e descomplicada. Um livro pequeno, que não tomará mais que meia hora para a leitura.

Para crianças, sim.

Mas talvez fizéssemos melhor em ser como elas.

A vida é tão simples. Nós é que complicamos.

duas da manhã, por ela

Bem, são duas horas da madrugada… acho que ele já está dormindo. Agora posso ir… ou é melhor ficar por aqui mesmo? E se eu não for? O que ele vai pensar quando acordar?

O quarto é tão frio e sombrio. Nenhuma luz, apenas alguns reflexos da lua. Eu me aproximo da cama… tento fazer o menor barulho possível. Parece que Ele está dormindo. É… parece que sim… posso respirar agora.

Mas é melhor esperar um pouco… meu corpo quente pode acordá-lo. É melhor deixar meu corpo se esfriar. Olho para o criado mudo para pegar uma revista e vejo a gaveta um pouco aberta. Apenas documentos… mas algo me disse que deveria olhar mais cuidadosamente…

Um DVD. Algumas pessoas na capa… mas eu não conseguia identificar. Me aproximei da janela… e o conteúdo era óbvio. Eu sabia que Ele assista essas coisas… mas não sabia que ele teria coragem de trazer para casa. Para que ele precisava disso? Suas amantes já não bastam?

Uma vontade incontrolável surgiu em mim… eu queria colocar aquele vídeo no seu devido lugar e ir dormir em paz. Ou no que eu poderia chamar de paz. Mas não… eu não conseguia… minha mão tremia de ansiedade. Eu tinha que assistir.

A cozinha era o local ideal… a porta poderia ser trancada e ninguém iria imaginar. Coloquei o vídeo para tocar. E me sentei numa cadeira. Meu corpo todo demonstrava minha ansiedade… aquilo me empolgava… me fazia querer mais. Eu não sabia porque estava alí… mas eu já estava…

As cenas me causavam sentimentos ambíguos. Ao mesmo tempo que eu odiava o que estava fazendo… eu me sentia profundamente em paz… esquecia de tudo… e tomo meu corpo parecia se deliciar. Ou ao menos… não se importar. E por aquele pequeno tempo… eu me sentia outra mulher… uma mulher com poucos sentimentos, sim. Mas me sentia tudo. Eu gostava de ver até o fim… assim eu poderia sentir ao máximo… e me sentir viva por alguns minutos.

Quando tudo termina, e eu finalmente chego ao orgasmo. Eu sinto nojo. Eu tento continuar assistindo. Mas aquelas cenas são patéticas. Agora não me suscitam qualquer ansiedade… não me fazem idealizar qualquer prazer. Me sinto o mesmo pedaço de merda de sempre…

Eu não me movo por um longo tempo… talvez tentando fazer meu coração parar… e ter uma morte suave. Não sei… mas eu prefiro não mover… Mas nada muda… agora está feito. E eu agora posse me odiar em paz… odiar meu marido em paz… odiar até meu filho com grande satisfação. O que eu quero mesmo é todo esse ódio. Toda essa raiva. Depois da loucura… a raiva é minha melhor amiga… ela me faz sentir viva… ter um propósito, um sentido. Uma razão para ser.

Eu não percebi o tempo passar… me esqueci de olhar o relógio. E fui para cama. Não me importava mais com nada… eu sentia tanta raiva que o que mais queria mesmo era uma boa briga.

Mas eu não sabia o que dizia… quando cheguei no quarto a luz do banheiro estava acessa. Ele estava acordado. Corri e me escondi debaixo dos cobertores. Talvez ele não percebesse minha ausência. Mas não adiantou muito. Ele subiu por cima de mim… sabia que eu estava acordada. E tentou me beijar… sua respiração quente me sufocava. Seu hálito tinha cheiro de remorso.

Seu corpo se contraia contra o meu… enquanto eu tentava não sentir… ou sentir… seria bom. Seria bom, não é mesmo? Mas eu não sabia exatamente o que queria naquele momento. Mas haviam sentimentos em mim que nem eu mesma poderia controlar… e isso me fazia sentir medo… eu queria controlar… e tudo isso me fazia controlar ele. Controlar o que estávamos tendo alí.

Segurei sua mão… e o puxei… o beijei com muita raiva. Senti seu corpo amolecer. Ele estava se entregando. O puxei para o lado… e desde então tudo que eu fazia era tentar controlar… e tudo que ele fazia era tentar possuir. Passamos algum tempo naquela disputa de pulsõs e desejos de ódios e remorsos.

Até que ele chegou ao orgasmo… eu pude me sentir vitoriosa. Me senti incrivelmente vitoriosa…

Uma brisa fria fez meu corpo se arrepiar… o presságio de algo que eu sabia que era inevitável. Então me entreguei a mim mesma. E por fim cai no sono.

No dia seguinte eu pude me acordar com o mesmo remorso de sempre. Ele não estava mais em casa… e meu filho já estava na escola. O sol brilhava… era lindo. Mas eu não conseguia sentir o sol. Um passarinho cantava sarcasticamente na minha janela… mas eu não conseguia ouvir. Meu cachorro me fazia um carinho gostoso nas pernas… que eu não conseguia sentir.

Depois de um bom tempo… meu corpo zumbificado se levantou… e se sentou no sofá da sala… automaticamente liguei a TV. E fui mudando de canal em canal tentando procurar algo interessante. Num programa de auditório muitas mulheres semi-nuas dançavam… seus belos corpos e sorrisos radiantes me faziam querer ser feliz como elas. Todos os homens as admiravam… isso devia ser bom. Devia fazer a vida ter algum sentido. Eu não sei… mas queria aquilo.

Num outro canal… alguns jovens revesavam pela disputa de uma garota. Ela parecia radiante… ria o tempo todo, estava feliz. Eu queria ser como aquela garota… tantas pessoas se importando comigo. O que eu mais gosto na TV é que eu não pensar… ela me ensina exatamente como posso ser feliz… pena que eu nunca entendo exatamente como chegar lá… talvez eu seja burra demais.

O telefone tocou! Eu tomei um susto… meu coração começou a bater sem parar… será que era ela? Será que ela se lembrou de mim?… Algum movimento ninja me fez agarrar aquele telefone de onde eu estava… atendi com tanta força e energia que pude ouvir minha própria voz retornando.

Mas era apenas uma cobrança de dívidas. Eu não pago as contas sabia?

Se há um sentimento que faz parte de mim é a frustração… o dia já havia começado e eu já podia me sentir eu mesma… a velha desgraça ambulante que habita esse miserável mundo.

Por que as pessoas são assim? Por que ela não me ligava… será que ela não sabe como mudaria meu dia? Enquanto pensava a campainha tocou… era Marta. Ver seu rosto me deu um profundo cansaço… eu não consegui ao menos dar um oi. Ela me abraçou… com se quisesse me fazer acordar… olhou para os meus olhos profundamente… acariciou meu rosto com sua mão macia… e sem mais palavras me deu um beijo e foi embora.

Minha comunicação está ficando mais efusiva a cada dia. Em breve não precisarei mais falar palavra alguma.

E ainda me pergunto porque as pessoas fogem de mim…

Eu não mereço pessoa alguma… o mundo não me merece. Eu sou a condensação de toda a desgraça existente. A campainha tocou novamente… era Jesus, o jardineiro. Mas que deveria trabalhar como ator… ironicamente foi isso que ele tentou fazer antes de entrar no fundo do poço.

Ele me cumprimenta com toda sua educação formal… não olha nos meus olhos e segue seu caminho. Enquanto eu assisto TV Jesus faz seu trabalho suado no nosso jardim… ver todo aquele esforço me fez sentir pena dele… o convidei para tomar um banho e almoçar comigo. Eu estava tão sozinha… e Jesus era uma das únicas pessoas que me faziam alguma companhia.

Em pouco tempo estávamos atracados fazendo algo que chamamos de sexo, no banheiro. A única diferença entre Jesus e meu marido estava no quanto eu o odiava… Jesus me trazia uma certa paz… uma certeza de que eu não teria muito com o que me preocupar. Falávamos pouco… eu não me sentia segura com Jesus, mas me sentia segura comigo mesma. E isso bastava para querer sua presença.

Por algum tempo eu pude me sentir aquilo que minha mãe sempre sonhou para mim. E isso me fazia muito feliz… Eu pude cuidar de um homem, como ela sempre me disse que eu deveria. Meu marido não me dava esse gosto… na verdade ele não me dava gosto algum. Enquanto eu estava com Jesus eu podia sonhar…

Uma ilha tropical, uma pequena casa de madeira, um lindo mar, nenhuma TV e nenhum ser humano por perto. Esse era meu sonho. Um sonho perfeito. As vezes penso que o que eu mais gosto em Jesus é o fato de que com ele eu posso sonhar… não ligo para sexo… não ligo para seus beijos… Jesus para mim servia como um objeto. Como tudo em nossas vidas. Um objeto que me dava o prazer de sonhar.

Por que então eu fazia sexo com Jesus? Ora… o que faria? Como teria sua atenção? Como teria sua presença? Mas logo ele teve que ir. Meu filho estava chegando… um garoto de 14 anos. Que em muito parecia com o pai. E tolo o bastante para ter o mesmo fim. Uma de suas gavetas é lotada de cartas de amor… de uma garotas mais estúpidas do que eu. Uma outra é lotada de bonecos, revistas e livros dos seus ídolos. Homens que não eram humanos… gente que nunca viveu. Mas que alimentava as fantasias do mais novo produto da fábrica humana, meu filho.

De longe eu não me importava. Em casa ele tinha apenas um regra: nunca, em hipótese alguma, trazer pornografia. Isso o fazia ter uma imagem puritana dos seus pais. Mas o que eu queria mesmo era não ter que adoecer todas as noites. E poder fingir que sou diferente.

A tarde passo fazendo as tarefas de uma boa dona de casa… isso me faz esquecer da vida. Me faz pensar na minha mãe… em tudo que ela me ensinou. Boa parte de toda essa merda que chamam de minha vida é graças à ela. Mas eu não ligo. Contraditoriamente me sinto bem em me lembrar de todos os seus ensinamentos. E assim as horas passam… até que meu marido chegou do trabalho… e eu não o percebo… na verdade não me importo, a não ser pela sensação de sufocamento constante.

Prefiro ir dormir… assim nos desencontramos na cama… ele não perde seu tempo falando comigo, felizmente. As vezes me pergunto se gostaria de ser tratada como um ser humano… e não como um mero objetivo de sua vida pública ou de seus fetiches sexuais. Mas no fim eu não me importo… não sei o que quero. Ou melhor… sei sim! Quero dormir e se possível não acordar.

Boa noite.

Do Fórum.

dialogoBem pessoal… estamos desenvolvendo as coisas por aqui. Já começamos com o Chat e agora estamos queremos ver sua participação também no Fórum. E digo estamos porque agora contamos com a participação de duas incríveis pessoas aqui no site. As quais vocês já devem conhecer pelos seus textos introdutórios.

Meu objetivo inicial com esse site sempre foi promover o diálogo entre as pessoas sobre o tema assexualidade. E para isso desenvolvemos esses dois espaços.

No Chat vocês podem entrar em contato diretamente comigo ou com qualquer outra pessoa para falar sobre assexualidade ou sobre a vida. É um ótimo ambiente para fazer novos amigos e se descobrir mais.

No Fórum queremos promover um diálogo sério, mas informal sobre os assuntos que tratamos aqui.

Assim… a doce Ly colocou algumas perguntinhas lá para incentivar a sua participação:

Como você lida com seu arromantismo?
Arromanticos, de um modo geral são comumente tidos como pessoas frias, distantes e sem sentimentos. Mas nós sabemos que isso não é verdade. E então, como é para você?

Solidão, realmente existe?
Com tantas pessoas ao redor, como é possivel que existir a tal solidão? E por que as pessoas tem tanto medo de ficar sozinhas?

Sua familia sabe? Tem liberdade para falar do assunto?
Contar ou não contar, eis a questão.
Você contou? Diga como foi. Não contou? Por que não o fez?

Para participar do Fórum é muito simples e não custa nada. Você só precisa se registrar e deixar sua resposta ao tópico. Qualquer dúvida pode deixar um comentário nessa página ou nos mandar um e-mail.

Aproveite também para deixar suas perguntas ou declarações. Participe ativamente e ajude milhões de pessoas. Cada mínimo esforço é capaz de mudar uma vida, acredite nisso.

Você não está sozinho. Comprove isso.

E se eu não gostar?

Anteriormente eu falei sobre uma das primeiras dúvidas que uma pessoa assexual tem quando busca fazer sexo. Em seguida a dúvida que surge é justamente “e se eu não gostar?”.

A grande questão é porque essa dúvida existe. Afinal… o que eu perderia por não sentir muito prazer ou por não gostar no conjunto completo?

O problema é simples: as pessoas não buscam o sexo por si só. Buscam o que o sexo significa… e para mais esse significa é a normalidade. Falei sobre isso num post anterior, assim como tenho falado em todo o site.

Esse medo sempre vai existir quando o sexo for desejo por conteúdos que não fazem necessariamente parte dele. O que acontece quase sempre.

O maior medo das pessoas na hora do sexo é simplesmente não satisfazer o parceiro. Quanto altruísmo! A humanidade está mudando tanto assim? Não… satisfazer o parceiro não é sobre amor… é sobre a nossa boa e velha amiga insegurança.

As pessoas vivem num clima constante de insegurança… e todas as soluções são longas e não muito práticas. Enquanto a normalidade sempre oferece uma solução rápida e prática. Basta ser normal!

Mas uma pessoa normal gosta de sexo… e se eu não gostar? Será que posso fingir e meu parceiro nem vai perceber? Mas e se eu não conseguir fingir? E se eu não aguentar fingir para sempre? Quero ser normal!!!

Amarga agonia…

Bem… eu já disse que esse é um caminho vão… mas para aqueles que realmente acham que vale a pena “mudar” e buscam uma vida normal através de uma vida sexual… o caminho é o mesmo do proposto anteriormente.

Não existe solução mágica. Você terá que encarar de frente… ou seja: fazer sexo. E talvez consiga gostar. Ou não. E talvez consiga se sentir normal. Ou não.

Mas é o único caminho possível.

Mas se você realmente não gostar… existem dois outros novos caminhos: (1) procurar mudar esse sentimento através de terapias, drogas, etc. Ou (2) parar de tentar ser normal.

Auto-traição

É bem provável que 99% das pessoas que começaram a entender sua falta de interesse sexual estavam, antes disso, tentando ser algo que elas não se sentiam.

Como assim?

Em geral as pessoas mentem sobre o que pensam e sentem. Mas antes de mentirem para as demais pessoas elas mentem para si mesmas.

A falta de interesse por sexo é algo que a sociedade não aceita. Não porque implica em algo que desagrade as demais pessoas diretamente. É irritante a partir do momento em que prova que a vida pode ser diferente.

Mas a grande maioria nunca acreditou nisso… nunca consideraram a possibilidade de ser aquilo que são. Sempre tentaram se adaptar… se abster de viver suas vidas para se encaixarem em padrões sociais pré-estabelecidos.

A assexualidade prova para muitas pessoas que boa parte de suas vidas foi vã. Sim… vão… sem significado, sem conteúdo, incipiente, superficial, etc.

É revoltante!

Muitos assexuais tentam ser aquilo que não são… mas poucos chegam a realmente viver aquilo que não faz parte de suas vidas. Ficam num limbo entre sua vida e aquela idealizada pela nossa cultura.

Para esses, do limbo, é muito fácil ir para o “céu”. Mas o que vemos é aparentemente o contrário. A grande maioria dos assexuais sempre reluta em ser o que são… querem ser aquilo que o esposo deseja, que a namorada reclama, que os pais idealizaram, que os amigos invejam, etc. Diante de tanta relutância ainda digo que é muito mais fácil do que para aqueles que estão no “inferno” da não existência.

Sim… porque para muitas pessoas a assexualidade implica em sua própria inexistência! Já que toda sua vida foi formada e desenvolvida em cima de conceitos que nunca fizeram parte daquilo que elas entendiam por Eu.

Quem está nesse “inferno” é revoltado mesmo com as coisas mais bobas. Mesmo aquilo que não tem nada há ver com a assexualidade… mas que é na prática uma antítese de suas vidas. Não importa o que seja. Qualquer coisa! Basta que você seja a prova vive de que sua vida foi uma (in)completa mentira.

E diante disso não espere compreensão. Não espere paciência. Muito menos empatia.

Existe uma única saída viável: eliminar aquilo que me trás desconforto.

Ora, eliminar não implica necessariamente em destruir/matar. Implicar em fazer ineficiente, nulo, vão, etc.

Assim a luta não é contra você diretamente, mas sim contra tudo que faz parte de você como um conteúdo de vida. Que seja simplesmente tirando esse conteúdo, provando ser falso ou simplesmente convertendo-o para um sistema “normal”.

De todos esses o mais sorrateiro é aquele que visa converter você num ser “normal”. Sim… porque ser normal implica em fazer parte do mesmo sistema de vida ao qual aqueles outros fazem parte. Logo você deixa ser aquilo que contrariava-os e passa a corroborar! Sim… mesmo sem perceber! Você NUNCA perceberá naturalmente.

E tudo isso acontece de uma maneira muito simples. Tão simples é incoerente. Porque tudo consiste em fazer de você tudo aquilo que você nunca foi.

Tão simples… mas muito mais perigoso do que se pode imaginar.

Temos uma pulsão natural para a “normalidade”. Para nos encaixarmos naquilo que a Maioria idealiza como o modelo correto. Para agradar essa Maioria sendo aquilo que se idealizou como o modelo padrão de vida.

Porque ser normal é a forma mais simples e prática de se sentir seguro. E assim se sentir feliz.

Contudo a felicidade que a normalidade pode trazer além de ser efêmera é extremamente frágil. Ao ponto de ser completamente abalada pela simples existência de alguém que não a segue, um anormal.

Mas é uma doce ilusão… e não é fácil resistir.

Por isso enquanto as pessoas “normais” se preocupam com os pecados da luxúria, mentira, cobiça, preguiça, etc… nosso pecado latente é o da auto-traição. Ser seu próprio Judas! Judas traiu Jesus porque Ele nunca ter sido aquilo que o seu povo imaginava que o Messias seria. Jesus era a antítese de suas fantasias. E você é a antítese da sociedade.

Mas em você habita Jesus e o Judas. Ao mesmo tempo você é a antítese também é aquilo que não a admite. O pensamento coletivo inconsciente de todo o povo cai sobre seu Judas. Ele por sua vez trocaria o Jesus-Eu por qualquer quantia irrisória de normal-felicidade.

Na prática você é impelido (sem entender de que maneira, a razão, a motivação… nada!) a ser-fazer tudo aquilo que não faz parte de você.

Mas como alguém pode cair em algo tão bobo… afinal… sabemos muito bem o que somos ou não. Não é mesmo?

Engano… se tivéssemos uma personalidade completamente concretizada seria tudo muito simples… Mas não temos! Somos flexíveis, mutáveis, renováveis, etc. Aquilo que entendemos por Eu são pequenos fragmentos de existência. É através desses pequenos fragmentos que desvendamos aquilo que fomos, somos e seremos. Nossos sonhos e medos, gostos e desgostos, raivas e felicidades, prazeres e desconfortos.

Por isso entender que se é assexual é como montar um quebra-cabeças com esses fragmentos. De uma maneira que eles formem uma imagem coerente daquilo que somos.

Mas como somos mutáveis, flexíveis e evolutivos precisamos constantemente manter esse quebra-cabeças do Eu organizado e revisado. É aqui onde está a brecha para a pulsão pela normalidade.

Nesse vai e vem de fragmentos naturais ou alienígenas podemos falhar na sua seleção e organização. E assim assimilar um desejo que não é nosso. Que não faz parte da imagem do nosso quebra-cabeças… que não se encaixa com as demais peças. Que não se encaixa no que somos.

Sendo prático, como então não assimilar os fragmentos alienígenas? Ora… se eu soubesse da resposta eu já não seria mais humano!

Viver também implica em aprender a distinguir aquilo que faz parte de nossas vidas e aquilo que não faz. E isso leva tempo e nem sempre poderemos prever sem causar danos. Muitas vezes iremos a fundo por um caminho que não é nosso e só lá na frente iremos descobrir a completa perda de vida.

Bem… e aqueles que estão no “inferno”, como ficam? Não tão diferentes. Apenas precisam de mais dedicação. E isso vale tanto para assexuais quanto para sexuais.

O inferno não é o sexo… se é nisso que você está pensando. O inferno é ser o que não é você. E sexo pode ou não fazer parte disso. Depende de você. Depende daqueles pequenos fragmentos que juntos chamamos de Eu.

Vamos as devidas apresentações…

O ser humano é um ser pensante. Cheio de idéias, opiniões, visões próprias do mundo. Somos a soma de tudo o que observamos, captamos, digerimos e absorvemos ao longo da vida.

Um sem número de informações e dados são repassados constantemente. Cabendo a cada um filtrar para si o que lhe seja relevante.

Como infinitas são as vivências experimentadas por cada um em particular, é de se esperar que muitas sejam, também, as visões sobre cada tema e seus aspectos.

O conflito de idéias é inevitável. E mesmo saudável.

Pois é do choque de pensamentos divergentes que chegamos a uma sintese aplicável. Que por seu turno, não é infalivel, sendo logo combatida por um terceiro pensamento, numa cadeia sem fim.

Disso tiramos que nenhuma opinião faz-se eterna e imutável. Mesmo a ciência, do alto de seu objetivismo e pragmatismo, teve de, por vezes, voltar a tras e rever seus conceitos.

É esse conflito que torna possivel a caminhada para frente; sem o qual estariamos sempre estagnados.

Assim, as informações aqui apresentadas não tem por objetivo serem recepcionadas dogmaticamente, como verdades inabaláveis.

São, antes, a expressão de um acervo de observações, traduzidas em conceitos, com vistas de oferecer uma linha possivel de pensamento.

Fazer pensar. Essa é a idéia.

Apartir de hoje, passo eu (Ly) a expor neste espaço também o meu acervo; delegando ao leitor a tarefa de selecionar o que lhe é interessante e/ou agrega algum valor para si.

Em discordando de mim, em querendo complementar algo exposto, questionar, rebater, concordar, elogiar, criticar… Sinta-se à vontade.

Lembrando que, para os devidos fins de maior interação, o site conta também com um Fórum e um Chat, além do já conhecido e-mail: assexualidade@gmail.com

Is this your life?

Mr. Jones

Sha la la la la la la….. hmm, uh huh…

I was down at the New Amsterdam staring at this yellow-haired girl
Mr. Jones strikes up a conversation with a black-haired flamenco dancer
She dances while his father plays guitar
She’s suddenly beautiful
We all want something beautiful
Man I wish I was beautiful
So come dance this silence down through the mornin’
Sha la la la la la la la yeah.. uh huh, yeah…
Cut up, Maria! Show me some of that Spanish dancin’
yeah, but, Pass me a bottle, Mr. Jones
Believe in me
Help me believe in anything
‘Cause I wanna be someone who believes
Yeah…

Mr. Jones and me tell each other fairy tales
And we stare at the beautiful women
“She’s looking at you. Ah, no, no, she’s looking at me.”
Smiling in the bright lights
Coming through in stereo
When everybody loves you, you can never be lonely

Well, I’m gonna paint my picture
Paint myself in blue and red and black and gray
All of the beautiful colors are very very meaningful
Yeah, well, you know gray is my favorite color
I felt so symbolic yesterday
If I knew Picasso
I would buy myself a gray guitar and play

Mr. Jones and me look into the future
Yeah, we stare at the beautiful women
“She’s looking at you. I don’t think so. She’s looking at me.”
Standing in the spotlight
I bought myself a gray guitar
When everybody loves me, I’ll never be lonely
I’ll never be lonely
Son, I’m never gonna be lonely

I wanna be a lion
E-Everybody wants to pass as cats
We all wanna be big big stars, yeah, but we’ve got different reasons for that
Believe in me ’cause I don’t believe in anything
and I, I wanna be someone to believe, to believe, to believe,yeah

Mr. Jones and me stumbling through the barrio
Yeah we stare at the beautiful women
“She’s perfect for you, Man, there’s got to be somebody for me.”
I wanna be Bob Dylan
Mr. Jones wishes he was someone just a little more funky
When everybody loves you, oh, son, that’s just’ bout as funky as you can be

Mr. Jones and me staring at the video
When I look at the television, I wanna see me staring right back at me
We all wanna be big stars, but we don’t know why and we don’t know how
But when everybody loves me, I’ll be just’ bout as happy as I could be
Mr. Jones and me, we’re gonna be big stars.

Esse é você?

Escolhas

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“Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha seus amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um futuro […]”

Esses são apenas alguns versos de um poema de John Hodge, recitado no início do filme “Trainspotting”. Faz algum tempo que o vi, mas na minha adolescência o efeito dele foi arrasador. A idéia de manter o controle sobre a própria vida era tudo que eu não tinha e ao mesmo tempo tudo que eu almejada. De certa forma eu me transportava pro futuro, em algum momento de minha independência em que eu finalmente pudesse ter esse controle sobre o meu destino.

Mais cedo ou mais tarde todos nós chegamos a uma fase da vida em que acreditamos piamente que detemos todo esse controle. Talvez o contexto e a experiência mudem de indivíduo para indivíduo, mas esse vício de pensamento vai te assolar algum dia. E ele pode ser torturante justamente porque isso não passa de uma utopia.

A priori eu gosto de pensar que é a própria sociedade do consumo que gerou essa cultura do “a vida é feita de escolhas”. Ou seja, se eu tenho o poder de escolher nas prateleiras do supermercado, eu controlo meu mundinho de valores, necessidades e desejos. E não é essa idéia de segurança que os produtos realmente oferecem? E como cada vez mais tudo se transforma em mercadoria (pessoas também), a impressão é que escolhemos tudo, logo controlamos tudo. Não quero me aprofundar muito nisso, mas não me parece uma teoria insana.

Bem, passando rápido no Orkut – e não podemos negar os dados sobre a sociedade brasileira que ele nos oferece – constatei quatro comunidades com o título “A vida é feira de escolhas” que somam mais de 2 milhões de membros. Levando toda a população brasileira em conta, posso estar generalizando, mas se fizéssemos uma enquete onde a pergunta fosse: “A vida é feita de escolhas?”. Vocês duvidariam que o “sim” fosse, de longe, a resposta mais expressiva?

Não cabe a mim contestar os significados sociais. No máximo, constatar. Afinal, se eles existem, querendo ou não eles não maiores do que eu. Não gosto de julgá-los bons ou ruins, muito menos cair no senso comum de culpar a mídia por todos os valores que não concordo. Porém, todos temos o direito de refutá-los quando não fazem mais sentido para nós. E ainda mais quando nos fazem mal.

Existem muitas coisas na vida que escapam às nossas escolhas. Podemos até escolher quem somos, por exemplo, mas é impossível escolher como as pessoas nos vêem – e considerando as dezenas de familiares, amigos e desconhecidos que nos cercam, somos uma entidade totalmente fora de nosso próprio controle. Pode ser um exemplo tolo, mas não é extremamente incomodo quando alguém possui uma imagem diferente de como gostaríamos de sermos vistos? Você pode pensar em inúmeros outros casos em que você não está tão no controle e essa falta de poder te perturba de alguma forma. É um ótimo exercício.

Nós gostamos de colocarmos no centro de todas as narrativas do mundo, de estar no centro do universo e protagonizar nossa vida através de nossos olhos. Se o consumismo contribuiu para isso, o desenvolvimento das ciências também tem sua parcela de culpa. Cremos que temos mais poder sobre a vida, tudo que nos cerca, a natureza, o espaço etc. Uma verdadeira maldita herança Iluminista de que “eu sou dono da minha própria vida, logo eu escolho”. Parece ser bom na utopia, mas se paramos pra pensar esse pressuposto está na raiz de muitas de nossas angústias e aflições do dia-a-dia. A vida em si é um evento com inúmeras possibilidades latentes e reconhecer essa impermanência talvez seja a única forma de encarar com mais naturalidade acontecimentos que não nos agradam. Até porque isso também é inevitável.

Para os racionalmente superiores

Já houvi falar que existem pessoas que defendem que a assexualidade é um próximo processo evolutivo. Mas da onde tiraram essa ideia? O mais interessante é ver que essas mesmas pessoas se julgam inteligentes.

O que torna uma pessoa melhor do que outra por ser assexual?

É muito triste para mim ver que alguns assexuais realmente pensam que são melhores do que as demais pessoas… simplesmente por não sentirem desejo por sexo.

O que exatamente os torna melhor? Nada…

Não passa de uma mera ilusão. Por uma simples razão…

O principal argumento é o de que as pessoas assexuais são dominadas pelo sexo, vivem em função disso e sofrem por isso. Algo que não acontece com eles.

Contudo, ao mesmo tempo, esses que se consideram superiores também são dependentes químicos de outras drogas como o cigarro, álcool, maconha, cocaína, crack ou até mesmo de qualquer forma de “sexo solitário”. Ou mesmo são dependentes de uma “droga” bem mais sutil… o romance. O mesmo quando não dependem de nada material para viver… utilizam a própria concepção de assexual para com base de suas vidas.

O que vejo são pessoas doentes querendo criticar e humilhar outros doentes. Sofrem basicamente dos mesmos problemas, com expressões diferentes. E não se enxergam.

Antes de querer criticar os outros ou de se considerar melhor tente se analisar. E ver a infinidade de coisas que te controlam, manipulam e te fazem fazer tudo aquilo que você não gostaria de ter feito. Tente se livrar desse lixo… antes de pensar sobre outras pessoas.

Tente!

E se eu gostar?

A partir desse post começarei uma série de artigos sobre a transição do pleno desinteresse sexual para um total interesse sexual. Com isso quero atingir o maior número possível de pessoas que se encontram nas diversas variações de intensidade da sexualidade.

Muitas pessoas conflituam com a sua própria sexualidade. E para muitos a assexualidade acaba se tornando uma religião. Algo que faz parte de suas vidas… algo que é inútil e apenas retrógrado.

Logicamente uma pessoa pode querer deliberadamente evitar qualquer estímulo ao seu comportamento sexual. Isso feito de uma maneira consciente e sem neuroses pode ser bastante produtivo e tornar a vida muito mais simples.

Mas nem todos escolhem esse caminho. Muitos querem realmente mudar… mesmo que seja só um pouco. Normalmente o suficiente para satisfazer seus parceiros sexuais. E para esses vou começar uma série de textos que tentarão ajudar com os conflitos mais comuns.

Inicialmente um dos conflitos mais comuns é o “e se eu gostar?”. Mesmo os assexuais que querem fazer sexo para satisfazer alguém… ou por qualquer outra razão ainda mais boba… ficam extremamente preocupados acerca de algo tão bobo

Antes de mais nada a grande questão é entender que o processo da relação sexual é exageradamente vasto. E raramente duas pessoas gostarão do sexo pela mesma razão. Alguns gostam até mesmo porque sentem que estão fazendo o devido trabalho de homem, ou de mulher. Se sentem satisfeitos por conseguirem atingir a normalidade. Outros gostam de estar no controle de uma situação… e por aí vai. Existem milhares de razão… e prazer nunca é uma delas.

O prazer que o sexo realmente pode fornecer é efêmero e relativamente insignificante. O estímulo das áreas erógenas… é só um estímulo… esses estímulos não podem por si só dar um grande prazer e muito menos mudar o estado de percepção, humor e consciência de uma pessoa. Algo que faz parte da relação sexual.

Particularmente acho esse ponto interessante. Muitos sentem emoções que variam entre medo e nojo quando são tocados em suas áreas erógenas. Ou mesmo quando são tocados de maneira “provocativa”, em qualquer parte do corpo. Como se esse toque… por si só… fosse levar a pessoa a esse estado alterado.

Na série de artigos sobre a afetividade eu falei um pouco sobre a dedicação necessária para certas emoções. Em geral… quanto maior a intensidade do sentimento… mais dedicada nossa mente estará. O que pode dar uma impressão de transe. Mas na verdade tanto uma depressão profunda quanto o sexo mais selvagens são estados de quase total exclusivamente mental.

É praticamente impossível ler um livro e sentir prazer no sexo ao mesmo tempo. E ler ainda é uma capacidade cognitiva… mas pior ainda seria experimentar dois sentimentos específicos ao mesmo tempo. A excitação sexual, pela sua intensidade, não consegue coabitar com praticamente nenhum outro sentimento. O que muitas vezes acontece é que um sentimento se torna parte de outro sentimento maior. Por exemplo… o medo, mais especificamente a ansiedade, pode fazer parte do desejo sexual. E assim catalizar sua intensidade. Mas um medo intenso jamais coabitaria com um desejo sexual intenso. Salvo se a pessoa tiver algum distúrbio mental.

Esse estado exclusivo de consciência, humor e percepção que o desejo sexual requer é algo que quase todos os assexuais temem. Alguns apenas evitam… e outros realmente odeiam. É muito comum que projetem um sentimento de imundice sobre aquilo. Já que esse sentimento parece criar uma reação fisiológica oposta ao esperado.

Ora, o que gera toda essa rejeição é difícil dizer. Mas em geral tudo remete a sair de sua zona de conforto e entrar num território inexplorado.

Acontece que diferentes estados emocionais possuem diferentes níveis de sugestibilidade, emotividade, sensibilidade, etc. Os hipinóticos sabem muito bem sobre isso… e sabem que o ambiente emocional de uma pessoa é fundamental para o sucesso do transe. Na vida real nosso humor interfere de forma bastante prática, tanto de forma direta quanto indireta.

Diretamente um estado de humor mudará nossas capacidades cognitivas e até físicas. Indiretamente mudará a percepção sobre quem somos.

Em ambos os casos estamos lidando fortemente com nossa zona de conforto. O medo não é do sexo em si… muito menos do prazer… nem muito menos de gostar. No fim das contas o medo é sobre quem somos ou seremos para nós mesmos e para o mundo.

Afinal… quem sou eu?

Um estado diferente de humor implica numa nova percepção de quem somos. Do que somos capazes, do que queremos, o que podemos fazer… tudo! Tudo muda! Assim como muda nossa sugestibilidade. Podemos fazer aquilo que nunca faríamos antes. Não sabemos como lidar com isso. E isso consequentemente cria muito medo.

A forma como as pessoas nos enxergarão também muda bastante. Muitas vezes, dentro de um namoro – por exemplo, o homem ou a mulher passa sempre uma imagem de “pureza” e “inocência”. E como o relacionamento foi construído em cima dessa imagem a pessoa teme desconstruí-la para seu parceiro e assim, consequentemente, mudar toda a mecânica de sua relação e até mesmo destruí-la.

Inicialmente começamos com uma dúvida e agora terminamos com outra ainda maior. No primeiro caso, quando estamos lidando com esse território inexplorado, a solução é relativamente simples. Não podemos fazer nada que não existe em nós mesmos. Ou seja… é impossível despertar uma devassa incontrolável que não existe em você. Logicamente existem certos “fantasmas” que nos habitam. E muitas vezes sabemos disso, mas escolhemos por escondê-los ao invés de tratá-los.

Nesses casos… quando se observa que existe algum comportamento realmente desagradável e indesejável dentro de um estado de excitação sexual… o ideia é buscar ajuda profissional.

Muitas pessoas propositalmente mudam completamente seu comportamento habitual dentro de uma relação sexual, mas fazem isso deliberadamente e de maneira controlável. Elas utilizam esse recurso para provocar um maior nível de excitação psicológica e suscitar alguns outros sentimentos que podem catalizar o prazer do ato. Mas sabem o que estão fazendo e se sentem no controle da situação.

Quando uma pessoa não tem toda essa consciência e não se sente no controle dessa situação ela realmente pode criar situações que podem chegar a agressão emocional ou até mesmo física. Em todo caso, deve-se buscar ajuda médica.

Além disso… aqueles que não observam esses “fantasmas”, mas apenas temem que eles surjam ou criem-se do nada… não precisam temer. O ideal é que quem está determinado a começar a ter uma vida sexualmente ativa tenha coragem suficiente de começar. Isso é: se dispor a ir progressivamente da excitação sexual ao orgasmo. É muito improvável que nesse processo a pessoa entre em algum transe e mude completamente de personalidade.

Logicamente não é tão simples assim… e existem várias etapas entre um beijo e um orgasmo e até o pós-sexo que é parte fundamental do processo.

Para aqueles que não buscam o orgasmo ou dificilmente o encontrarão com um parceiro… basta encarar esse medo inicial. Muitas pessoas possuem pouca sensibilidade emocional para o sexo. E assim dificilmente chegam ao orgasmo. Muitas não conseguem manter a excitação sexual por muito tempo, por exemplo. Essas pessoas praticamente não precisam se preocupar com o estado alterado de humor… já que ele pouco existirá ou não existirá mesmo.

Aqueles que realmente buscam sentir o prazer sexual em todas as suas formas precisam aprender a desenvolver sua sensibilidade emocional para o sexo. Algo que pode levar muito tempo. Ou não. Depende da pessoa. Mas que nem sempre é 100% possível. E por ser um processo tão complexo sempre é indicado o acompanhamento de um profissional na área.

O outro problema é como nosso parceiro e as demais pessoas nos verão a partir daquele momento. O que é, na verdade, o maior desafio. Já que muitas vezes não há uma solução viável. E a única opção viável é realmente terminar com o relacionamento romântico e começar um novo, dentro de uma nova compreensão do que somos, queremos e como nos comportamos dentro daquela situação. E para as demais pessoas… apenas muito “jogo de cintura” e paciência.

E por aí vai.

Bem… espero ter sido claro, apesar da complexidade do tema. Qualquer dúvida podem deixar um comentário.

E só para constar: eu não apoio essa mudança comportamental (de assexual para sexual). E sempre aconselho que antes de tudo a pessoa passe um bom tempo se entendendo… e entendo tudo sobre assexual. Para só então tomar uma decisão que pode não ter retorno. Pense nisso!