O que é assexualidade?

Assexualidade pode ser compreendida (genericamente) como a falta de interesse em sexo. Contudo a assexualidade, sociologicamente falando, é um comportamento. Um “estilo de vida”. O paradoxo está na compreensão desse estilo de vida.

O estilo de vida chamado sexual basei-a no sexo. Poderíamos chamá-lo de “eroscentrismo”. O sexo está (idealmente) no centro da vida das pessoas. Todos os aspectos da sua vida estão (co-)relacionados com o sexo. Os relacionamentos pessoas, o trabalho, as diversões, os estudos, família… etc. Tudo converge, de uma forma ou de outra, para o sexo.

sexo-vidaNa assexualidade o sexo deixa de estar no centro. O sexo não está no comando da vida. O “estilo de vida” das pessoas assexuais é justamente pela ausência do “eroscentrismo”. O que se traduz numa maneira diferente de viver, pensar, sentir, etc. Mas… o que estaria da vida dessas pessoas? Quais são seus objetivos, o que elas fazem, como vivem de uma forma geral?

asex-doubtCostumo dizer com frequência que ninguém é 100% sexual… assim como ninguém é 100% assexual. Ninguém vive exclusivamente para o sexo. Nem deixa de tê-lo na sua vida de uma forma ou de outra. Nem ao menos existe uma definição clara do que é sexo! Por isso é fundamental fazer uma análise profunda e detalhada sobre o modo de viver dessas pessoas.

Tudo que buscamos viver é o que acreditamos ser o que nos trará satisfação.

Satisfação pode ser entendida como felicidade, paz, bem-estar, etc. De uma maneira simplificada tudo o que buscamos é a satisfação. Buscamos nosso próprio bem-estar. E isso se traduz mesmo em hábitos mais complexos ou nos mais simples… como o sexo.

As pessoas sexuais observam o sexo como a realização dessa satisfação. Eles podem acreditar que o sexo é a consumação de algo, a confirmação de uma realidade pré-existente. Então buscam o sexo porque acreditam que por através disso serão felizes. Outros podem pensar que o sexo é o início dessa realização. A partir do sexo… tudo muda, para melhor. Outros podem pensar no sexo como a satisfação em si. É durante o sexo que a pessoa encontra o ápice de sua satisfação. Entre tantas outras formas de “eroscentrismo”.

Então pensamos… o que os asssexuais fazem na busca por essa satisfação? O que eles encaram como um objetivo? Qual é o objeto de desejo? Como isso se traduz nos seus hábitos comuns?

Paralelamente ao que chamamos de comportamento sexual também existe o comportamento romântico. Normalmente esses comportamentos estão interligados. O comportamento romântico é ainda mais abstrato do que o comportamento sexual. E baseia-se em ideias sobre os valores e formas dos relacionamentos sociais.

O ponto central sobre o romantismo é acreditar que (preferencialmente) uma pessoa poderá lhe dar total satisfação. Carinho, segurança, companhia, atenção, valorização entre outros aspectos positivos. Além da expectativa na realização dessa total satisfação através de uma pessoa ainda existem diversas regras e modos pelos quais isso deve ser feito e vivido.Romantic

“Naturalmente” o ser humano tende a desenvolver um relacionamento plano. Sem a presença de critérios e roterios pré-estabelecidos. Mas diante das necessidades e convenções cada cultura aprendeu a desenvolver formas de relacionamentos especiais. Isso obviamente só aconteceu porque também aprendemos a categorizar as pessoas. Os melhores, os piores; os ricos, os pobres; os donos, os escravos; os senhores, os submissos; os que mandam, os que dependem; etc.

Dentro de cada categoria há um tipo de relacionamento implícito. Do empregado com o empregador; do rei com os súditos, do agricultor com os mercadores, do filho para com o pai, da mulher para com o homem, etc.

Assim, com o tempo, esses relacionamentos especiais foram se concretizando em relacionamentos formais. Hoje, milhares de anos depois, esses relacionamentos se tornaram tão comuns que parecem naturais e suas retrições, obrigações, critérios, formas e “sabores” se tornaram parte daquilo que acreditamos ser intrínseco ao ser humano.

Entre os relacionamentos formais existem os relacionamentos românticos. O relacionamento românticos

Boa parte disso é o rastro de uma cultura milenar. Especialmente nos aspectos que envolviam a sexualidade e os papeis sociais. O segundo aspecto envolve o conceito de zona de conforto.

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Nesse pequeno texto – que está em constante desenvolvimento – você pode entender mais sobre assexualidade e as pessoas que assim se identificam.

  1. O Surgimento do Inusitado;
  2. O que é assexualidade?
  3. Transformações
    1. Questão de saúde;
    2. Diferenças biológicas;
  4. O comportamento assexual;
  5. Aspecto da personalidade;
  6. Relacionamentos sociais;
    1. Amigos
    2. Família
    3. Romantismo
  7. Auto-erotismo
  8. Assexuais nunca fazem sexo?
O surgimento do inusitado

Muitas vezes quando alguém ouve falar de assexual/assexuado logo imagina se estar falando de alguém sem gênero sexual. Mas isso além de ser impossível não é o que assexual quer dizer.

O termo assexualidade originalmente refere-se à reprodução assexual. Ou seja quando a reprodução “ocorre sem a intervenção de gâmetas”. Mas pela primeira vez ele foi usado por Alfred Kinsey em sua escala para se referir à pessoas que não possuíam atração sexual por outras pessoas de qualquer gênero. Contudo o assunto pouco foi relevante durante décadas…

Nos últimos anos com a revolução da internet mais e mais pessoas estão “se revelando” ao mundo. Assexuais de todos os lugares se identificaram e se reuniram em diversos sites para falar e promover a assexualidade. Assim o tema saiu do completo esquecimento e está cada vez mais sendo considerado e debatido entre as pessoas.

Assim, com a democratização da comunicação, o que sempre foi, se tornou conhecido e você está tendo a oportunidade de conhecer mais profundamente.

O que é a assexualidade?

Kinsey originalmente definiu o grupo que ele nomeou assexuais como pessoas que não possuíam atração sexual por outras pessoas. É importante entender que aqui o sentido do termo “atração sexual” é o mesmo de interesse ou desejo. Assim assexual é quem não tem atração/interesse/desejo sexual por outras pessoas.

Com o passar do tempo se observou que esse “excêntrico” grupo de pessoas não apenas deixava de ter tal interesse, mas também seu comportamento em muitos aspectos divergia das demais pessoas.

Na verdade, o que se observou foi como fatores biológicos interagiam com nosso comportamento cognitivo. Assim finalmente entendemos que a sexualidade de uma pessoa não estava unicamente no ato sexual. Mas sim em todo seu comportamento. Contudo como todos nossos aspectos (biológicos e cognitivos) estão interligados para formar nosso comportamento ficando impossível dizer o que é exclusivamente sexual-biológico ou não.

Até pouco tempo atrás não sabíamos disso. Assim quando alguém (normalmente os homens) não tinha interesse sexual por outras pessoas era logo taxado como doente ou homossexual. Porque o comportamento sexual estava intimamente ligado ao comportamento instintivo-selvagem do homem – que era exclusivamente biológico. Assim qualquer diferença desse comportamento demonstrava alguma disfunção nesse sistema biológico humano. Por isso até hoje os homossexuais são tratados como pessoas doentes.

Felizmente nossa compreensão mudou (na verdade está mudando) e hoje sabemos que o comportamento de qualquer pessoa é tão híbrido que não podemos separar o que é hormonal do que é racional. Na prática a assexualidade deixou de ser uma doença e passou a ser um comportamento humano como qualquer outro.

Transformações

O que faz alguém ser assexual? A grande verdade é que todos nós (humanos) nascemos assexuais. Não possuímos desejo sexual por outras pessoas. Ninguém sabe exatamente se nosso comportamento sexual nos é ensinado ou se desenvolveríamos isso naturalmente. Aqui fica a dúvida…

Costumamos chamar de assexuais permanentes as pessoas que nunca deixaram de ser assexuais. E assexuais reincidentes pessoas que se tornaram sexuais e em seguida voltaram a ser assexuais. Contudo é quase impossível saber esse “histórico sexual” de uma pessoal. Então não costumamos usar tais títulos.

Assim como é impossível dizer o que faz alguém se tornar sexual, também é impossível dizer o que faz alguém voltar a ser assexual. Sempre se cogitou sobre esses eventos e suas possíveis relações biológicas. Supondo-se que a assexualidade, ou seja a falta de interesse sexual por outras pessoas, seria algum distúrbio biológico e/ou neurológicos.

E de fato, como pode-se ler no quadro a seguir alguns problemas de saúde podem prejudicar o desempenho físico de uma pessoa e por consequência seu desempenho sexual. Mas esses problemas não tiram da pessoa sua sexualidade, já que é visto em todo esse texto, transcende a simples capacidade de fazer sexo e se excitar sexualmente.

Questão de Saúde:

É bom destacar que: se uma pessoa sexual passa a subitamente perder sua capacidade de se excitar sexualmente e/ou seu desempenho sexual muda de forma drástica (tanto para “mais” quanto para “menos”) e juntamente com isso observa outros distúrbios deve-se consultar um médico para checar eventuais problemas de saúde.

Mas também fique esperto para não desassociar causa e efeito. Muitos problemas físicos são decorrências de um péssimo estilo de vida. Sedentarismo, má alimentação, uso de drogas, estresse, ansiedade, tristeza e muitos outros fatores podem contribuir para prejudicar a saúde física de uma pessoa.

Diferenças Biológicas:

A maioria dos assexuais possuem níveis hormonais e condicionamento físico relativamente iguais aos das demais pessoas. Mas uma outra minoria possui algumas diferenças físicas que podem ser:

  • Falta parcial ou total da sensibilidade nos órgãos genitais e periferias;
  • Falta (ou ineficiência por deformidades) do pênis;
  • Falta (ou ineficiência por deformidades) do clítores (mulheres);
  • Falta (ou atrofia) de órgãos específicos da manutenção do ato sexual;
  • Baixa produção hormonal natural…

Algumas diferenças biológicas não possuem influência orgânica, mas influenciam a percepção de si mesmo e por consequência podem influenciar decisivamente no desempenho sexual:

  • Tamanho do pênis (homens)
  • Tamanho dos lábios vaginais;
  • Forma (desenho) dos órgãos genitais externos;
  • Pêlos (a falta ou o excesso);
  • Et cetera

Em ambos os casos tais fatores podem contribuir para que a pessoa perca seu interesse sexual por outras pessoas. Mas nada disso tira das pessoas sua sexualidade. Que que esta é subjetiva e nunca objetiva.

O comportamento assexual

Como dito anteriormente acreditava-se que alguém (preferencialmente homem) que não sentia desejo sexual outras pessoas era doente. E esta doença estava em alguma parte do seu corpo já que a mente sempre foi tratada como algo que transcende o corpo em suas pulsões e desejos.

A grande maioria das doenças altera nossa comportamento de alguma forma. Por isso as pessoas (quando ainda achavam que assexualidade era uma doença) viam os assexuais com perfis estereotipados bem característicos: anti-sociais, afeminados, rudes, indelicados, desafetivos, retardados mentais, etc.

Bem… como sabemos todo estereótipo é apenas é a forma da nossa imaginação e pré-conceito acerca de algo ou alguém. Conhecendo os assexuais passamos a ter um conceito sobre a vida deles. Tal observação mostrou o quanto o comportamento assexual pode ser diverso e que em todos os casos divergia do estereótipo comum.

Nessa nova concepção a imagem rude e retardada simplesmente não tem mais espaço. A assexualidade não tira da pessoa as suas capacidades emocionais e intelectuais. Basta dar uma olhada nas dezenas de comunidades virtuais espalhadas pelo mundo para ver exatamente o oposto: socialização, sensibilidade, carinho e uma grande preocupação com as demais pessoas.

Aspectos da personalidade

Todos nós somos humanos, mas somos todos iguais? Não… por que seria diferente entre os assexuais que também são humanos? Simplesmente também não é. O comportamento da cada pessoa é algo exclusivo, único.

Na construção dos nossos estereótipos criamos a imagem de assexuais robôs, sem vida social, gostos, desejos, sonhos, afetividade, sentimentos, medos, etc. Ou então pessoas complexadas, com todos os tipos de fobias e traumas… E novamente não é nada disso.

É impossível descrever como é o comportamento de um assexual assim como é impossível descrever o comportamento da humanidade. Todos os assexuais, assim como todos os seres humanos, possuem sentimentos, medos, desejos, gostos, afetividade, sonhos, etc. Só existe um único padrão: a falta de interesse sexual em outras pessoas.

Relacionamentos sociais

As nossas relações sociais são essencialmente graduações de amizade. Os fatores que influenciam na intensidade dessa amizade já são bem conhecidos: confiança, segurança, sinceridade, coerência, paciência, harmonia, etc. Contudo também criamos algumas novas “formas” de relacionamentos que fazem parte da vida de muitas pessoas.

A amizade, é o tipo de relação natural que se desenvolve entre pessoas. Praticamente qualquer pessoal acaba sempre desenvolvendo amizades (em diferentes níveis) na sua vida. Mas é bom lembrar que a amizade nunca surge espontaneamente, é fundamental que haja uma vontade mútua para que a relação se solidifique cada vez mais.

A família, o significado desse termo varia muito entre as mais diversas culturas. Para muitas pessoas a família é uma instituição religiosa, social e culturas muito importante. Para mais informações continue lendo os próximos tópicos.

Romantismo, o relacionamento romântico é bastante complexo porque assim como define o dicionário Michaeles o “romântico” é “[...]fantasioso, fictício, imaginário”. E além do mais é nutrido pela paixão que assim como já sabemos é uma distorção dos nossos sentidos e percepções que duram até 3 anos, em média.

De acordo com a teoria psicológica-evolutiva a paixão é um mecanismo de preservação da espécie, ou seja: visa a reprodução.

Por trás da paixão existe todo um processo neurológico-comportamental que não caberia nesse texto, portante é importante que você estude sobre isso posteriormente. Mas por enquanto basta entender que o fim da paixão é a reprodução. Sendo assim ela envolve inevitavelmente os processos de estimulação sexual.

Um relacionamento romântico visa estimular e (de alguma forma manter) os sentimentos da paixão. Para isso usa-se principalmente estímulo táteis (toques/carinho) e linguísticos (comunicação verbal).

Em teoria seria impossível manter um relacionamento romântico e ser assexual ao mesmo tempo. Já que esse tipo de relacionamento visa estimular e manter a paixão, enquanto essa visa a reprodução sexual – e por consequencias todos seus estímulos, pulsões, sensassões e percepções decorrentes.

Mesmo diante de tudo isso boa parte dos assexuais dizem se envolver em relacionamentos românticos – ou que ao menos são românticos. Mas é importante destacar aqui que a concepção dessas pessoas sobre relacionamentos românticos é totalmente diferente da concepção das demais pessoas.

Uma parte dessas pessoas estimula a paixão até determinado ponto, onde ainda não há envolvimento propriamente sexual. Outras pessoas olham para um relacionamento romântico como uma “amizade ideal”. Em ambos é muito raro que eles estejam apenas “se curtindo”. Assexuais românticos normalmente visam relações duradouras.

Auto-erotismo

A masturbação é o ato de provocar excitação sexual buscando o orgasmo, ou no mínimo uma sensação agradável de prazer. As pessoas sempre perguntam se assexualidade e masturbação combinam, mas a resposta não pode ser objetiva.

Primeiro é importante entender que a masturbação usa os mecanismos que o sexo. A única diferença é que ele realizado pela própria pessoa. Por isso que a masturbação também é chamada de “sexo solitário”.

Mas é lógico que as percepções são diferentes. O sexo com outra pessoa demanda uma série de coisas que a masturbação não demanda. Antes de mais nada é necessário a “outra pessoa” e ter essa outra pessoa requer algum esquema de conquista. Conquistar essa pessoa gera um processo de auto-realização que é somado com o prazer do sexo para gerar um grande sentimento de conforto.

Além do mais existe uma troca de carinho e palavras que também influenciam tanto no processo da excitação sexual quando no processo pós sexual, depois do ato sexual. Influenciando no sentimento de saciedade, auto-realização, satisfação e conforto.

Em segundo, é importante entender que assexualidade é a falta de interesse sexual por outras pessoas. Nesse caso, na masturbação, não há interesse em outras pessoas (mesmo quando idealizado, a fantasia serve como estímulo). Contudo algumas pessoas identificam que na masturbação a pessoa se sente como se fosse duas pessoas. A que sente e a que provoca a sensação. Logo estaríamos lidando com um caso platônico de “dupla personalidade”

Mas, mesmo diante dessa confusão é importante entender que quem se define como assexual é a própria pessoal. Que ela se masturbe ou não. Até mesmo porque em muitos casos a masturbação se torna um hábito compulsório. A pessoa passa a se masturbar da mesma forma que um fumante passa a usar o cigarro. Ou seja, utilizando o objeto (no caso o prazer) como evasiva para suas dores, frustrações, remorsos, tristezas, medos, etc.

Assexuais nunca fazem sexo?

Assexualidade não é castidade. Assexualidade é a falta de interesse sexual por outras pessoas. Castidade, segunda a Wikipedia, “é o comportamento voluntário de abstinência de prazeres e de prática de atos sexuais, seja por motivos religiosos ou sociais”.

A castidade consiste em se abster de algo que é desejável. No nosso caso, da assexualidade, nós não (necessariamente) nos abstemos de sexo e muito menos isso nos é algo desejável.

É muitíssimo importante entender a diferença aqui. Quando dizemos que uma pessoa é assexual estamos dizendo que ela não tem interesse por sexo, mas não estamos dizendo se ela faz sexo ou não. Uma pessoa assexual pode fazer sexo. Isso é muito comum entre pessoas casadas com sexuais. Mas é bom deixar claro que não há o mesmo interesse que há com pessoas sexuais. São sentimento totalmente diferentes. Já a pessoa em estado de castidade não fará sexo, de forma alguma (isso inclui masturbação)!

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