Tudo é uma questão de significado… Para o ser humano pouquíssimas coisas (para não dizer nenhuma) são objetivas. Tudo é uma questão de percepção… percebemos as coisas, entendemos o ambientes, deciframos as palavras, decodificamos os gestos.
Então tudo é uma questão pessoal.
Não existe globalização dos verbos.
O que para mim pode ser algo “feio” para outra pessoa pode ser “bonito”. E o que para outra pessoa pode ser “sexual” para mim pode ser apenas “relacional”…
Na nossa sociedade se estabeleceu que algumas coisas fazem parte do relacionamento romântico e/ou são reservadas para pessoas que estão apaixonadas. Mas na prática não é assim. Tudo é uma questão de percepção.
O beijo por exemplo, é encarado de diversas formas entre as mais variadas culturas. Em algumas culturas beijar alguém na boca é proibido, porque se imagina estar roubando a alma da outra pessoa. Em outras culturas o beijo é uma formalidade reservada para pessoas muito íntimas, respeitadas. E em outras beijar a pessoa é um sinal de altíssimo respeito e valorização.
Mas individualmente o beijo pode ser interpretado de infinitas formas. O que para os demais pode ser algo “sexual”, para você pode ser apenas uma forma de carinho. O mesmo vale para qualquer forma de interação humana. É importante entender que uma pessoa pode entender toda forma de comunicação verbal e não-verbal de uma forma diferente.
Muitas pessoas pensam que não ter interesse romântico por outras pessoas exclui toda forma de interação que para nós é romântica. Em outras palavras, quem não é romântico não beija, não abraça, não faz carinho, não fala com delicadeza, etc. E isso é um grande engano. As formas de interação são questões de percepções. Se para uma pessoa um beijo não é uma coisa romântica, logo isso não será romântico. Porque damos sentido ao que fazemos. E se o nosso sentido não é romântico, logo ele não será.
Por isso tire da sua mente a imagem de pessoas arromânticas sem sentimentos, frias, cínicas, indelicadas, grossas, desafetivas e desagradáveis. Isso não tem nada há ver com ser arromântico. Essencialmente ser arromântico é não ter interesse em relacionamentos românticos, que são relacionamentos ilusórios, baseados em sentimentos inconsistentes e instáveis. Isso não tira da pessoa sua capacidade de ser afetuoso, doce, sensível, carinhoso e delicado. Muito pelo contrário, só torna tais qualidades mais consistentes, e aplicáveis. Sem exclusividades e restrições políticas, sociais, culturais e religiosas.
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