Logo nos primeiros anos de vida ingressamos numa escola primária. Lá percebemos que nossas amizades são completamente descartáveis e instáveis. Sendo que nossa participação nelas é quase nula. Não decidimos com quem vamos conviver, quem serão nossos amigos, com quem podemos conversar, com quem podemos brincar, quem podemos visitar e principalmente não temos controle algum sobre a durabilidade desse relacionamento. Cabendo aos país e professores (ou qualquer “responsável”) a administração da nossa vida social.
Por isso a escola primária é o maior campo de treinamento contra-amizade que existe. Boa parte dos nossos pré-conceitos sobre os relacionamentos sociais são formados lá. A outra parte (que basicamente é a mesma coisa) é formada entre nossa família principal (pai, mãe e irmãos) e secundária (tios, primos, vós, etc), com grande influência da mídia, claro.
Hoje, a criança crescida concebe o mundo como uma escola primária. E por lógica consequência aplica nos seus relacionamentos sociais o que “aprendeu” quando ainda era muito pequeno. Ou seja: que as pessoas estão apenas “passando” em suas vidas; os relacionamentos são estabelecidos pelo interesse dos outros; a interação social nada mais é do que dar e receber favores (barganha); as pessoas irão lhe valorizar de acordo com o você tem além de você para oferecer à elas; a sinceridade de sentimentos e percepções é quase nula, vivendo assim sempre com um Judas em potencial ao lado; et cetera.
Assim é inevitável que o que antes era um pré-conceito infantil se torne um conceito completamente convicto. E tal convicção pode acabar gerando alguns dos comportamentos descritos abaixo.
A criança crescida se torna um adulto frustrado que tenta encontrar no relacionamento romântico uma fuga. Visto que o relacionamento romântico pouco foi compreendido durante o período escolar ele não carrega todos os pré-conceitos da frustração, raiva, ilusão e traição que a “amizade” carrega. Pelo contrário, carrega todas as melhores perspectivas do sentir e ser: querido, acolhido, respeitado, entendido, perdoado e aceito. Ou seja, a realização do “amor” se torna seu novo objetivo de vida.
Numa outra ordem ainda pior, a pessoa projeta em todos os seres humanos – ou quase todos, sobrando o (grupo de) refúgio que pode ser algum amigo íntimo, ou um pequeno grupo de amigos íntimos ou simplesmente a família principal – a mesma perspectiva que aprendeu enquanto criança, mas ao invés de buscar a realização do “amor” ele nada mais faz do que reagir ao mundo assim como o mundo o tratou: como um objeto. Assim ele busca uma vingança compulsiva e insaciável por tudo que um dia foi feito com ele.
Tal refluxo quase sempre acontece nas interações sociais românticas, talvez por envolverem com maior intensidade tudo que foi sentido nos primeiros anos de vida. Assim todas as relações sociais são relações românticas sadomasoquistas e exploratórias (no sentido de “tirar proveito ou utilidade“) de curto prazo ou médio prazo – quando não, uma relação romântica estável paralela serve como ponto de refúgio das demais desventuras românticas que não deixam de acontecer.
Além do que foi dito o resultado da educação social na infância pode gerar graves transtornos de personalidades que podem ser lidos na Wikipedia.
O comportamento analisado friamente como está acima pode não exemplificar com clareza de que tipo de comportamento estou falando. Contudo essa é exatamente a intenção. Não há como esclarecer como é esse comportamento nos mínimos detalhes porque cada pessoa o demonstra de uma forma diferente.
O mundo (as pessoas) seguem num caminho de desvalorização dos relacionamentos. É algo agonizante que não imagino onde poderia parar. Hoje muitas pessoas projetam a “salvação” num relacionamento romântico, grande parte delas acabam frustradas e a outra parte parte finge que está tudo bem.
Espero que com você seja diferente,
Por fim um último pensamento:
A melhor avaliação seria a auto-avaliação. Seria olhar para si mesmo e identificar-se. Saber quem “sou”. Contudo aprendemos a saber quem somos através da perspectivas dos outros. Mas os outros sabem quem somos?
Well… think about it ;)
Haverá continuação
0 Comments.