Escolhas

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“Escolha uma vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira, uma família. Escolha seus amigos. Escolha roupas e acessórios. Escolha um futuro […]”

Esses são apenas alguns versos de um poema de John Hodge, recitado no início do filme “Trainspotting”. Faz algum tempo que o vi, mas na minha adolescência o efeito dele foi arrasador. A idéia de manter o controle sobre a própria vida era tudo que eu não tinha e ao mesmo tempo tudo que eu almejada. De certa forma eu me transportava pro futuro, em algum momento de minha independência em que eu finalmente pudesse ter esse controle sobre o meu destino.

Mais cedo ou mais tarde todos nós chegamos a uma fase da vida em que acreditamos piamente que detemos todo esse controle. Talvez o contexto e a experiência mudem de indivíduo para indivíduo, mas esse vício de pensamento vai te assolar algum dia. E ele pode ser torturante justamente porque isso não passa de uma utopia.

A priori eu gosto de pensar que é a própria sociedade do consumo que gerou essa cultura do “a vida é feita de escolhas”. Ou seja, se eu tenho o poder de escolher nas prateleiras do supermercado, eu controlo meu mundinho de valores, necessidades e desejos. E não é essa idéia de segurança que os produtos realmente oferecem? E como cada vez mais tudo se transforma em mercadoria (pessoas também), a impressão é que escolhemos tudo, logo controlamos tudo. Não quero me aprofundar muito nisso, mas não me parece uma teoria insana.

Bem, passando rápido no Orkut – e não podemos negar os dados sobre a sociedade brasileira que ele nos oferece – constatei quatro comunidades com o título “A vida é feira de escolhas” que somam mais de 2 milhões de membros. Levando toda a população brasileira em conta, posso estar generalizando, mas se fizéssemos uma enquete onde a pergunta fosse: “A vida é feita de escolhas?”. Vocês duvidariam que o “sim” fosse, de longe, a resposta mais expressiva?

Não cabe a mim contestar os significados sociais. No máximo, constatar. Afinal, se eles existem, querendo ou não eles não maiores do que eu. Não gosto de julgá-los bons ou ruins, muito menos cair no senso comum de culpar a mídia por todos os valores que não concordo. Porém, todos temos o direito de refutá-los quando não fazem mais sentido para nós. E ainda mais quando nos fazem mal.

Existem muitas coisas na vida que escapam às nossas escolhas. Podemos até escolher quem somos, por exemplo, mas é impossível escolher como as pessoas nos vêem – e considerando as dezenas de familiares, amigos e desconhecidos que nos cercam, somos uma entidade totalmente fora de nosso próprio controle. Pode ser um exemplo tolo, mas não é extremamente incomodo quando alguém possui uma imagem diferente de como gostaríamos de sermos vistos? Você pode pensar em inúmeros outros casos em que você não está tão no controle e essa falta de poder te perturba de alguma forma. É um ótimo exercício.

Nós gostamos de colocarmos no centro de todas as narrativas do mundo, de estar no centro do universo e protagonizar nossa vida através de nossos olhos. Se o consumismo contribuiu para isso, o desenvolvimento das ciências também tem sua parcela de culpa. Cremos que temos mais poder sobre a vida, tudo que nos cerca, a natureza, o espaço etc. Uma verdadeira maldita herança Iluminista de que “eu sou dono da minha própria vida, logo eu escolho”. Parece ser bom na utopia, mas se paramos pra pensar esse pressuposto está na raiz de muitas de nossas angústias e aflições do dia-a-dia. A vida em si é um evento com inúmeras possibilidades latentes e reconhecer essa impermanência talvez seja a única forma de encarar com mais naturalidade acontecimentos que não nos agradam. Até porque isso também é inevitável.

Para os racionalmente superiores

Já houvi falar que existem pessoas que defendem que a assexualidade é um próximo processo evolutivo. Mas da onde tiraram essa ideia? O mais interessante é ver que essas mesmas pessoas se julgam inteligentes.

O que torna uma pessoa melhor do que outra por ser assexual?

É muito triste para mim ver que alguns assexuais realmente pensam que são melhores do que as demais pessoas… simplesmente por não sentirem desejo por sexo.

O que exatamente os torna melhor? Nada…

Não passa de uma mera ilusão. Por uma simples razão…

O principal argumento é o de que as pessoas assexuais são dominadas pelo sexo, vivem em função disso e sofrem por isso. Algo que não acontece com eles.

Contudo, ao mesmo tempo, esses que se consideram superiores também são dependentes químicos de outras drogas como o cigarro, álcool, maconha, cocaína, crack ou até mesmo de qualquer forma de “sexo solitário”. Ou mesmo são dependentes de uma “droga” bem mais sutil… o romance. O mesmo quando não dependem de nada material para viver… utilizam a própria concepção de assexual para com base de suas vidas.

O que vejo são pessoas doentes querendo criticar e humilhar outros doentes. Sofrem basicamente dos mesmos problemas, com expressões diferentes. E não se enxergam.

Antes de querer criticar os outros ou de se considerar melhor tente se analisar. E ver a infinidade de coisas que te controlam, manipulam e te fazem fazer tudo aquilo que você não gostaria de ter feito. Tente se livrar desse lixo… antes de pensar sobre outras pessoas.

Tente!

Amigos que beijam… Parte I

Como muito em breve estarei publicando um extenso artigo sobre arromantismo teremos que fazer “algumas” considerações sobre o afeto. Um tema que é fundamental para a compreensão da assexualidade.

Tudo que fazemos conscientemente possui algum significado consciente ou inconsciente que será ao mesm o tempo será projeto sobre mim e sobre as demais pessoas.. Nosso atos afetivos, mesmo os mais banais como um aperto de mão, estão carregados de significado. Compreender a mecânica da nossa relação interpessoal é um processo progressivo e eterno, por isso nada é absoluto. Mas tudo isso é fundamental para o adoçamento das nossas relações. (clique em More para continuar lendo) (more…)

O que é atração sexual?

É comum encontrar a seguinte definição para assexualidade: a falta de atração sexual por outras pessoas. Inicialmente foi Kinsey e sua equipe que primeiro observou “socialmente” a assexualidade. Nas suas análises eles consideraram a assexualidade como a falta de um desejo sexual específico.

Com o passar do tempo surgiu o conceito de orientação sexual, em oposição ao antigo conceito de opção sexual. Alguém achou que opção sexual era um termo inapropriado já que a pessoa não necessariamente escolhe como será seu desejo sexual. O termo orientação é mais conveniente, porque assim estamos considerando uma série de fatores externos e internos que podem moldar o comportamento sexual dessa pessoa.

Até aí tudo certo. Só que de alguma forma… nem imagino qual… se tornou do “senso comum” que orientação sexual é algo estritamente genético. Alguns cientistas até tentaram encontrar o “gene gay”, sem sucesso. Todo o esforço só criou conclusões ambíguas…

É incoerente dizer que os genes são os únicos responsáveis por algo tão complexo como os nossos desejos sexuais. Mas é extremamente coerente (e sensato) dizer que a sexualidade humana é o resultado de um conjunto bem amplo de fatores, e entre esses estão os fatores genéticos que podem influenciar a sua maneira. No demais… é insanidade ou irresponsabilidade chegar a uma conclusão “científica” sem a menor prova.

O termo atração sexual também surgiu no contexto da orientação sexual. Atração sexual se tornou um termo sem significado específico e bastante vago. Assim como excitação sexual e psicológica muitas vezes se confundem.

Podemos definir atrair como “Fazer voltar-se ou dirigir-se para si“. Logo atração sexual seria mais ou menos como: fazer voltar-se ou dirigir-se para si de maneira sexual. Mas como se define uma maneira sexual? Não existe definição clara do que é sexual ou não. É mais coerente dizer que atrair sexualmente é: atrair para si uma pessoa provocando-lhe desejo sexual. Nesse caso o desejo por ter relações sexuais.

Mais resumidamente ainda: é fazer com que outra pessoa lhe deseje sexualmente.

Se uma pessoa sente atração sexual por outra é porque aquela lhe provocou um desejo (pelo realização) sexual… Tem quem queira considerar quase tudo como atração sexual. Como já disse, diversos fatores estão interconectados para gerar o nosso comportamento, tornando impossível distinguir com precisão o que é um comportamento meramente sexual.

Contraditoriamente para falar de sexo precisamos de uma compreensão clara e concisa. Não podemos considerar que tudo é sexo… temos que ter um compreensão (mesmo que imperfeita) sobre isso.

O maior problema dessa distinção é que ela só pode ser feita pela própria pessoa. O que eu vou entender por sexo não será totalmente compatível com o que outra pessoa entenderá. É importante saber fazer uma distinção clara entre o que é sexual ou não.

Saber fazer essa distinção, que sempre é para si mesmo, é a melhor maneira de encontrar o equilíbrio nos seus desejos e nas suas atitudes, dentro das perspetivas da assexualidade.

Muitos assexuais sofrem por não entenderem o que é atração sexual. Também por não entenderem sobre o erotismo e suas expressões. Não compreendem seus próprios significados e se enxergam por espelhos. Acabam se frustrando e sofrendo em silêncio.

As coisas não possuem significado por conta própria. Nós damos os significados para tudo o que fazemos.

1 Fazer voltar-se ou dirigir-se para si: Ela atraía todas as atenções.”

Ambiguidade romântica

Se você observar a paixão com um olhar “neutro” perceberá que na verdade ela só é um catalisador de emoções e sentimentos. Tendemos a pensar na paixão como um elemento novo em nossas vidas… algo que não estava lá, e de repente surgiu e mudou tudo. Não é bem assim…

Qualquer sentimento/emoção existe como uma ferramenta. A tristeza, a alegria, a raiva, dor, compaixão, etc. Tudo isso não acontece por acaso. Eles possuem aplicações prática e só existem por essas razões. Quando um sentimento/emoção se torna instável – durando muito pouco ou demais – temos aí um problema psicológico ou até mesmo de saúde física. Por exemplo, a tristeza é um sentimento bom. Digo bom porque ela tem efeito produtivo nas nossas vidas. Contudo a depressão não tem um efeito produtivo… ela pode levar uma pessoa até mesmo ao suicídio. Pessoas que sofrem de transtorno bi-polar entendem bem como os sentimentos/emoções devem ser equilibrados para a vida seja suave e agradável.

A pergunta é: a paixão é um estado bom ou ruim?

É importante entender que a paixão só existe como catalisadora. Naturalmente somos levados a gostar e desgostar de certas coisas nas outras pessoas. Alguns desses elementos são instintivos, já outros unicamente racionais. Mas na maioria dos casos há uma mistura entre instintividade e racionalidade. Por exemplo: a beleza. Avaliar se alguém é bonito ou feio é uma característica natural de qualquer ser humano. Agora que elementos vão dar beleza ou feiura vai depender (em parte) da cultura na qual ele está envolvido. No ser humano nenhum elemento é apreciado unicamente pelo seu instinto ou unicamente pela sua razão.

Abaixo estão algumas coisas que apreciamos em outras pessoas:

  • A sua cultura;
  • Seu tom de voz;
  • A língua falada;
  • Seu sotaque;
  • Sua inteligência;
  • Sua delicadeza;
  • Seu humor;
  • Seu carisma;
  • A beleza do corpo (ou alguma parte dele);
  • As experiências de vida;
  • Agradabilidade

Todas essas coisas são apreciadas por nós. Mesmo que seja num nível imperceptível. A comunicação não é restrita ao que é dito verbalmente. Todos os elementos acima são formas de comunicação. A forma como uma pessoa fala pode dizer qual seu nível social, sua cultura, nível de instrução, região de origem, etc. Sua inteligência diz sobre sua capacidade de sobrevivência, assimilação de novas informações, adaptabilidade com o ambiente, etc. A beleza do corpo diz sobre sua vitalidade, idade, comportamento, etc.

Todas essas informações são extremamente importantes para a relação dessas duas pessoas. Quanto mais elementos positivos (aqueles que gostamos) maior será o sentimento de empatia, admiração, afeto, compaixão, etc. Os elementos negativos produzem justamente o inverso: cinismo, desprezo, raiva, rancor, etc.

O que isso tem há ver com a paixão? Tudo…

É impossível ser totalmente positivo para uma pessoa. Porque temos somos diferentes e temos gostos diferentes. Achar alguém totalmente compatível (dentre quase 7 bilhões de pessoas) é impossível. Na imagem abaixo você pode ver o caso de duas pessoas e a relação entre elas. Observe como os gostos são diferentes e observe o que um não gosta no outro.

Entre essas duas pessoas é possível que haja uma amizade, ainda que superficial, mas impossível que exista um relacionamento romântico sem interferência da paixão. Então, como é que muitas vezes pessoas (aparentemente) completamente incompatíveis namoram e até se casam?

O que é importante para a paixão muitas vezes não é importante para a pessoa. O que a paixão quer é dar continuidade para a espécie. Ou seja, a reprodução. E para isso ela vai avaliar os conceitos que ela acredita serem os mais interessantes para tal obra. Ora, a paixão não tem inteligência própria, logo ela vai usar o que a pessoa acredita (de forma inconsciente ou até mesmo instintiva) ser o mais viável para esse trabalho.

Mas o que acontece com os elementos negativos? Simples… lembre-se que a paixão distorce a percepção de uma pessoa. Algumas vezes ela gera uma admiração abstrata inexplicável. A pessoa gosta da outra sem ter a menor razão para isso. Em outras vezes a paixão catalisa todos os elementos positivos e “esconde” todos os elementos negativos da percepção.

É lógico que a pessoa não fica retardada… muitas vezes ela reconhece os principais defeitos do outro, mas é como se isso não tivesse valor algum para seu “moderador interno”.

Bem… a paixão não durar para sempre… e com o tempo ela vai perdendo seu poder de distorção da percepção. Isso não quer dizer que a relação vai acabar… só quer dizer que com o tempo um verá cada vez mais nitidamente o outro. E isso, na verdade é ótimo, reconhecer a pessoa como ela realmente é. O problema é que o que um sentia pelo outro era “artifical” visto que o que um via no outro na verdade estava distorcido ou até omitido.

Todo o problema está nesse processo de avaliar e sentir. O que aconteceria se você fosse amigo de uma pessoa e depois de anos descobrisse que ela não é nada do que você acreditava. Você se sentiria traído. É justamente isso que acontece em muitos relacionamentos. O problema é que no seu caso você sabe que seu amigo de fato traiu sua confiança. Já dentro do relacionamento romântico essa percepção da traição praticamente não existe… aí fica um tristeza sem “como?” nem “quando?”.

O que define se gostamos ou não de uma pessoa é o valor de seus elementos positivos. Cada elemento positivo tem um valor diferente. Para algumas pessoas, por exemplo, a fama é o maior elemento positivo. E como dito a presença desses elementos positivos influenciam no que sentimentos pela outra pessoa. O que poucas pessoas não sabem é que a paixão não só existe na sua forma avassaladora… na verdade a paixão, como catalizadora/supressora de elementos, está presente o tempo todo em nossas vidas.

Quantas vezes você já não ficou dias pensando numa pessoa só por conta de algo que ela disse; ou por causa da cor dos olhos; ou pela forma como ela te tratou, ou pelo seu carisma? Ou quem você admira (intensamente) por uma simples razão… pela inteligência ou pelo sotaque? E aquele cara/garota que até hoje está na sua memória pelo simples fato de terem passado algum momento agradável juntos?

Olhando por esse ângulo também podemos identificar fortes sentimentos por objetos: livros, revistas, filmes, computadores, carros, motos, casas e até mesmo marcas. Praticamente todas as pessoas também possuem um forte ligação com tais coisas inanimadas. E como explicar isso se não como uma paixão? Podemos também ter paixão por alguma atividade. Grandes pintores, músicos e arquitetos eram na verdade apaixonados pelo que faziam.

Então voltamos para a pergunta inicial: a paixão é um estado bom ou ruim? A resposta é: nem um, nem o outro. Seria impossível viver sem paixão. Um ser humano sem paixão (entenda o sentido abrangente que estou usando) seria insignificante até para ele mesmo. A paixão, na verdade, é um estado de potencialidades…

A grande sacada aqui é saber lidar com a paixão. Seja pelo que for. Identificar quando essa paixão é pura ilusão, ou se ela está apenas catalizando o que realmente há na pessoa ou objeto. É fundamental fazer essa análise para que não haja frustrações. É como o garoto que sonho com um brinquedo, passa anos sonhando com isso, e quando recebe percebe que o brinquedo não ter valor algum. Ou a moça que sonha com certo rapaz e ao finalmente conseguir namorá-lo percebe que ele não tem valor algum.

Tudo é uma questão de valor… qual é o real valor disso? Como essa minha paixão por tal coisa pode potencializar o seu valor? O melhor reflexo disso está nas artes… o que é feito com paixão e com consciência é até hoje admirado pela sociedade. O que é feito unicamente com paixão e sem moderação acaba por nem existir.

Quanto maior for a moderação da paixão, melhores serão os seus resultados. Isso se aplica a qualquer coisa. E no nosso caso, inclusive nos relacionamentos…

Quando as pessoas escutam falar de arromantismo pensam logo em pessoas que são incapazes de se apaixonar. Ou que se ao se apaixonarem rejeitam tal estado como todas as suas forças. E não é nada disso… ao menos para mim, a paixão não é uma inimiga, mas sim uma amiga irresponsável e cega, na maioria dos casos. Tudo que faço e que tem algum valor foi feito com paixão. Ela me deu a motivação e a alegria necessária para trabalhar em coisas que “racionalmente” eu não veria valor algum.

Das interações relacionais

Tudo é uma questão de significado… Para o ser humano pouquíssimas coisas (para não dizer nenhuma) são objetivas. Tudo é uma questão de percepção… percebemos as coisas, entendemos o ambientes, deciframos as palavras, decodificamos os gestos.

Então tudo é uma questão pessoal.

Não existe globalização dos verbos.

O que para mim pode ser algo “feio” para outra pessoa pode ser “bonito”. E o que para outra pessoa pode ser “sexual” para mim pode ser apenas “relacional”…

Na nossa sociedade se estabeleceu que algumas coisas fazem parte do relacionamento romântico e/ou são reservadas para pessoas que estão apaixonadas. Mas na prática não é assim. Tudo é uma questão de percepção.

O beijo por exemplo, é encarado de diversas formas entre as mais variadas culturas. Em algumas culturas beijar alguém na boca é proibido, porque se imagina estar roubando a alma da outra pessoa. Em outras culturas o beijo é uma formalidade reservada para pessoas muito íntimas, respeitadas. E em outras beijar a pessoa é um sinal de altíssimo respeito e valorização.

Mas individualmente o beijo pode ser interpretado de infinitas formas. O que para os demais pode ser algo “sexual”, para você pode ser apenas uma forma de carinho. O mesmo vale para qualquer forma de interação humana. É importante entender que uma pessoa pode entender toda forma de comunicação verbal e não-verbal de uma forma diferente.

Muitas pessoas pensam que não ter interesse romântico por outras pessoas exclui toda forma de interação que para nós é romântica. Em outras palavras, quem não é romântico não beija, não abraça, não faz carinho, não fala com delicadeza, etc. E isso é um grande engano. As formas de interação são questões de percepções. Se para uma pessoa um beijo não é uma coisa romântica, logo isso não será romântico. Porque damos sentido ao que fazemos. E se o nosso sentido não é romântico, logo ele não será.

Por isso tire da sua mente a imagem de pessoas arromânticas sem sentimentos, frias, cínicas, indelicadas, grossas, desafetivas e desagradáveis. Isso não tem nada há ver com ser arromântico. Essencialmente ser arromântico é não ter interesse em relacionamentos românticos, que são relacionamentos ilusórios, baseados em sentimentos inconsistentes e instáveis. Isso não tira da pessoa sua capacidade de ser afetuoso, doce, sensível, carinhoso e delicado. Muito pelo contrário, só torna tais qualidades mais consistentes, e aplicáveis. Sem exclusividades e restrições políticas, sociais, culturais e religiosas.

Asexual romântico?

“Asexual people can love others for the wrong reasons, sexual attraction just isn’t one of them.”
Tradução: Pessoas assexuais podem amar outras pessoas pelas razões erradas, mas sexual realmente não será uma delas.

Comentando a declaração que é bastante comum e tem me feito parar a edição da FAQ:

Primeiro, como eu já venho dizendo aqui no site AMOR não existe como sentimento. Já estou cansado de repetir isso.

Segundo, O que temos nesse caso é PAIXÃO.

Terceiro, a paixão é um processo sexual que acontece em muitos animais, principalmente entre mamíferos (alguns até com semelhanças assustadoras com os seres humanos).

Quarto, um relacionamento íntimo nada mais é do que um relacionamento comum no qual tenta-se estimular a paixão (a fim de manter seus efeitos quase alucinógenos por mais tempo) através de estímulos. Estimular a paixão é o mesmo que estimular o processo sexual.

Quinto, concluindo uma pessoa que tenta estimular um processo sexual não pode ser assexual.

O problema é que a grande maioria dos assexuais românticos são mulheres (não me pergunte por quê!). E as mulheres possuem reações à excitação sexual diferente dos homens. Muitas (mais de 50%), de acordo com um estudo recente mostraram não saber que estavam excitadas sexualmente, quando realmente estavam.

No homem a excitação sexual é “alarmada” pelo pênis. Tanto que muitos homens que o perdem (é… existem esses casos) acabam também perdendo boa parte do seu interesse sexual e auto-erótico.

Isso é um processo bastante interessante o qual vou comentar com mais detalhes em posts futuros…

Mas voltando ao assunto… é importante entender que todo o processo da paixão é contrário à assexualidade. Isso não quer dizer que quem se apaixona deixa de ser assexual. Apenas é importantíssimo observar duas coisas:

  • Onde há fumaça há fogo
  • A essência da assexualidade não está nas pulsões do seu corpo, mas sim no seu “estilo de vida”.

Tal pensamento tem me feito reconsiderar a linha divisória entre assexuais e celibatários.

Mas esse é um assunto bastante interessante para outros post!

Pense no assunto ;)

Se você acha que o conhecimento vai tirar sua razão de viver… tenho que lhe dizer… você já não tem uma razão para viver.

Por que se importar com títulos?

É comum que em comunidades sobre assexualidade as pessoas sempre perguntem sobre as mesmas coisas: masturbação, 1º relação, excitação, desmotivação, idealização, etc. O que me chama a atenção é a forma como essas questões são abordadas.

Eu não sei exatamente porque, mas muitas pessoas tentam se encaixar na assexualidade, dar um “jeitinho”. É estranho ver que alguns ficam anciosos por um “é, você é assexuado”. Eu não sei exatamente porque as pessoas precisam dessa confirmação mas posso dizer que com toda a certeza isso não é bom.

Eu nunca disse mas ninguém é plenamente assexual. Assexualidade é o oposto da sexualidade. No nosso contexto a sexualidade é todo um “estilo de vida” de uma pessoa, digamos assim (na falta de um termo mais apropriado). E isso vai além do sexo. Está na forma de andar e até na conversa mais banal. Então ser assexual seria não ter esse estilo de vida, só que isso é praticamente impossível. Assim como é impossível ser completamente sexual.

Na verdade impossível mesmo é dizer o que seria sexual ou não. Já que nosso comportamento é o conjunto de fatores que estão intimidade ligados. E é impossível hoje saber “dividir” nosso processo mental.

Bem… talvez eu não tenha sido claro até aqui. Mas indo direto ao ponto:

Assexualidade não é religião;

Assexualidade ideal não existe. Por isso pare de se preocupar com cada mínimo detalhe do seu comportamento. Se você for realmente inteligente não se preocupe com títulos… seja você. Tentar se encaixar num título só vai trazer neurose e dor…

Minha intenção com o site não é trazer para as pessoas um rótulo. Que trará identidade, um nome e um sentido. Minha intenção com isso tudo aqui é trazer a simples reflexão sobre questões particulares sobre a vida de cada um em seus aspectos sexuais, românticos e afetivos. Mesmo que você se identifique fortemente como um assexual pense duas vezes em se intitular.

Eu resolvi fazer o site porque pensei nas pessoas que assim como eu passam por situações como as que venho falando aqui no site. Eu não criei o site porque tenho algum tipo de tara pelo nome “assexualidade”. Para ser sincero, hoje eu teria criado o site com um outro nome. Um nome que envolvesse todas as pessoas que estão em busca da compreensão sobre a sexualidade humana. Isso tornaria tudo mais suave.

Acho que o título é bastante útil como um ponto de referência. Mas nunca como um modelo ideal. Eu não fico feliz quando alguém se identifica como assexual por causa do site. Mas eu me alegro muito quando alguém me diz que o conteúdo tem trazido alguma mudança para suas vidas. Um título muda NADA.

Preocupe-se em se CONHECER, e esqueça os modelos. Seja você. E seja flexível para ser o melhor de você. Já que o seu “EU” ainda está sendo desenvolvido, lapidado todos os dias. Assim você é o seu melhor, que se desenvolve todos os dias. Ou seja, você é o que será.

Deu para entender?

Acho que sim, vocês todos são super inteligentes… basta querer entender.

Você está doente… não importa quão saudável seja

Segue um texto do jornal Le Monde Diplomatique Brasil.

Os vendedores de doenças

As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa “síndrome” que exige tratamento

Ray Moynihan, Alan Cassels

Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às… pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.

A fabricação das “síndromes”

A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.

Médicos orientados por marqueteiros

Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.
Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.

Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.

Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.

Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.

Quanto mais alienados, mais consumistas

A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.

As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo demarketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro.

O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.

A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas demarketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.

O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.

A “medicalização” interesseira da vida

A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.

Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão doestablishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias”.

Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido domarketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.

Fonte: Psicologia dos psicólogos

Todos nascemos assexuais

Queridos… todos nascemos assexuais. Sim! Todos…

Ao nascer não possuímos desejos sexuais por outras pessoas…

Todas as teorias em volta da sexualidade dos bebês e crianças pequenas está em torno de pulsões sexuais que independem de um desejo deliberado e consciente do indivíduo. Seriam respostas instintivas do nosso corpo. Logo que crescem um pouco esses parecem perder, ou melhor, controlar/suprimir tais pulsões.

O que pode terminar, assim que os orgãos sexuais amadurecem e somos ensinados de forma inconsciente sobre nosso comportamento sexual (o que na verdade já vem acontecendo desdo nascimento).

Assim existem assexuais:

Persistentes: nunca deixaram de ser assexuais;

Reincidentes: voltaram a ser assexuais.

Mas aqui não fazemos distinções. Nem mesmo entre assexuais e sexuais. E logicamente não abrimos espaço para discriminação. Sendo esse texto apenas explicativo.