Do Instinto Sexual

Comentário deixado em post:

Julio, eu não entendo esse seu último comentário: “até onde sabemos não há qualquer instinto que leve o homem naturalmente a colocar seu pênis dentro da vagina da mulher”.
Por que, se não houvesse esse instinto, como é que houve a reprodução das espécies? Nos primórdios não havia ninguém que dissesse você é hétero ou homossexual, você precisa fazer sexo para satisfazer seu marido nem nada desse tipo. As pessoas só sobreviviam não? Elas comiam porque tinham fome, bebiam porque tinham sede e faziam sexo porque tinham essa necessidade.
Não acho que não ter necessidade/vontade de fazer sexo seja anormal, mas que existe um instinto sim, talvez não de fazer sexo, mas de se ter prazer e descobriu-se que o sexo era prazeroso, senão, por que os homens das cavernas faziam?
Ass: Mai

Minha cara… esse assunto já foi comentado várias vezes aqui no site. Mas vamos falar novamente reformulando e deixando mais clara algumas ideias.

Eu pediria que o leitor tentasse ler mais de uma vez as perguntas feitas para entender a profundidade dessa questão, e então continue com a leitura.

O seu pré-suposto é que sem tal instinto seria impossível que o ser humano, no princípio, chegasse a se reproduzir… e isso realmente aconteceu, afinal… estamos aqui hoje.

Não sabemos como o ser humano se reproduziu no princípio. Podemos imaginar que ele surgiu numa cadeia evolutiva, e que nesse processo de evolução alguns instintos foram perdidos ou perderam intensidade de forma não necessariamente linear. Assim cada nova “raça” humana foi surgindo no ambiente da sua raça originária e com ela provavelmente conviveu por algum período de tempo. Isso, evidentemente, permitiria uma série de trocas culturais, etc. Sem falar no mais evidente… os seres humanos também aprenderam e aprendem com os animais. E até hoje somos inspirações pelos pássaros e feras.

Observe a sexualidade de um animal qualquer. Podemos pensar em “acasalamento” e um período para isso. Afinal, muitas animais apenas procuram sexo numa determinada frequência específica. E isso também envolve uma série de mecanismos hormonais e tantos outros estímulos (cheiros, danças, cores, etc). E tudo isso é mais ou menos sempre a mesma coisa para os animais da mesma espécie. Nada disse existe para o ser humano! Não temos um período de acasalamento. Nem somos estimulados, todos, pelas mesmas coisas. Podemos fazer vários paralelos entre seres humanos e animais em seu comportamento sexual.

Chegaremos então a óbvia observação que, para um pavão, sexo é algo muito mais “orgânico” do que “pessoal”… é um instinto do pavão expor suas penas, fazer certos movimentos, buscar um parceiro, etc. Nada disso foi ENSINADO ao pavão. E muito provavelmente ele faria qualquer uma dessas coisas mesmo que nunca houvesse conhecido um outro pavão antes, desde que tivesse o ambiente natural necessário para desenvolver seu comportamento.

Vamos imaginar um outro “instinto”: a fome. A fome parece ser um instinto legítimo, afinal é uma reação hormonal espontânea do metabolismo carente de nutrientes. Mas o que chamamos de “fome” no princípio de nossas vidas… nada mais era que um sentimento. Um sentimento de desconforto, dor, etc. Então como esse sentimento pode terminar numa pizza saborosa???

Precisamos pensar nas “conexões” para construir esse complexo quebra-cabeça. Na mente do bebê qual a relação lógica natural entre uma maçã e sua fome? NENHUMA! Para o bebê a maçã não significa nada além de um simples objeto qualquer. O bebê pode sentir uma atração instintiva por certos cheiros, por certas cores, etc. Isso poderia atraí-lo para certos alimentos… mas… um bebê humano é uma bolinha gorda que mal consegue respirar sozinho!

O bebê possui um instinto natural de sucção… isso sabemos bem. Esse comportamento serve de suporte para a amamentação. Mas não é o bebê com seus movimentos incertos e confusos que procura os seios da mãe… é ela que se oferece. Então aos poucos o bebê começa a relacionar os sentimentos de desconforto da fome, a saciedade, etc.

Então, resumindo… o ato de comer parte de um conjunto de instintos naturais e influências externas que formam um processo de aprendizado da “alimentação”. O que apresentei aqui é algo super resumido para um processo muito, muito, muito mais complexo.

Mas… olhe! O que nos faz salivar ao ver uma pizza cremosa, ou uma macarronada suculenta? A fome, nosso instinto mágico??? Não… né! A salivação é um processo instintivo que existe em vários animais… mas a salivação ocorre naturalmente quando o alimento está na boca, para ser digerido. Como podemos salivar por um comercial??? Porque aprendemos, associamos uma série de ideias que provocam esse comportamento. Incrível, não?

Todo nosso comportamento parte de processos biológicos básicos… isso é evidente. Temos uma “base” que é nosso ser orgânico. Mas é importante entender que qualquer comportamento é na verdade muito mais complexo e não parte de algum instinto “simples”. Por exemplo… dizemos que um homem matou a esposa por instinto, porque foi traído, etc. De certa forma até justificamos seu comportamento com isso. Dizemos também que certa criança é pestinha porque é da “índole” dela. Também há os comentários sobre o mundo dos negócios e aqueles que “nasceram” para isso! Temos uma série de ideias deterministas, essencialista, sobre a vida!

Algumas dessas ideias podem ser banais… mas outras, em certos contextos, podem provocar uma enorme dor e sofrimento para as pessoas. Se realmente houvessem instintos absolutos não haveria diferença, se não sutil e pouco relevante. Há uma enorme diferença entre as pessoas porque os instintos que carregamos não possuem o poder que imaginamos que possuem. Os instintos, o ser orgânico, etc. é o mecanismo essencial… mas o que ele determinado ou estabelece é impreciso e diverso. E no decorrer de nossas vidas passamos por diversas mudanças, porque nosso comportamento é dinâmico! O que sentimos, queremos, entendemos, ignoramos, gostamos, etc. muda o tempo inteiro, é influenciado pelo estado de humor, pela experiência consciente e inconsciente, por condicionamentos, etc.

É muito importante entender que ideias essencialistas não ajudam a entender o comportamento humano. Dizer que João é gay porque ele “é assim”… não quer dizer absolutamente nada… parte tão somente da suposição de que seu estado orgânico ou um certo espírito transcendental tem determinado comportamento específico! O que é um grande, enorme, estrondoso, exagero.

As pessoas fazem sexo. E a razão por trás disso é complexa. Envolve um corpo orgânico e uma série de instintos básicos. Mas não conhecemos algum instinto claro de relação sexual. Por isso usei o exemplo tão especificamente. O que leve um pavão a mostrar suas penas??? Ele tem alguma consciência disso? Qual o significado que ele atribui a sua ação?… O que leva uma garota a usar uma blusa com um decote? Ela tem consciência do que está fazendo? Qual o significado que ela atribui àquela roupa?… Percebe agora a diferença?

Por que além de um corpo orgânico e de seus instintos há também, e sobre tudo!, um comportamento que foi apreendido, desenvolvido e é dinâmico, muda constantemente, aprende significados novos, hábitos, etc.

Se queremos entender o ser humano, nos ajudar e ajudar os outros, não precisamos de ideias essencialistas. Já temos todas imagináveis! Podemos explicar até um espirro por alguma inclinação natural à doença… ou qualquer coisa do tipo. Não precisamos disso. Entender aqui significa ir além.

Se não ficou ainda compreendido, sintam-se livres para deixar um comentário.

Palavras processadas

Boa noite.

Bem acho que o site tem historias que remetem a minha propria, tenho 30 anos, e sempre procurei entender em qual ROTULO eu me encaixo, o que nem sempre è o melhor, mas sempre pensei que todos tem de se encaixar em um ROTULO.
Hoje acho que é desnescessario se encaixar, sempre mantive relacionamentos sexuais com mulheres e alguns afetivos com homens, mas muitas vezes sinto que sou só um pedaço de carne bem apetitosa a disposiçāo.
Já tive relações sexuais com homens quando mais jovem. Hoje invento mil desculpas pra nāo transar com homens e mulheres, e uma dessas táticas é beber muito, é eu sei que isso nāo resolve, e sei que isso é muito pior, acaba trazendo um problema a mais.
Se saio pra uma balada com amigos,  logo vem a pergunta: ” Entāo quem você vai pegar?” Como se fosse uma obrigaçāo ter que “pegar” alguem(“pegar nesse caso leia-se Finalizar, Comer, Meter, Fuder, Transar”) por ai vai.
Se vou pra um encontro mais elaborado, a pressāo vem da parceira/parceiro pra terminar a noite transando. Já me disseram que eu causo isso nas pessoas O TESĀO.
Gosto muito de paquerar, beijar, abraçar, dar e receber carinho. Mas quando o assunto é sexo até meu humor muda pra fugir dessa “nescessidade” humana.
Muitas vezes acho que realmente eu acabo incentivando essa atraçāo sexual nas pessoas. Mas como já disse gosto desse joguinho de seduçāo, acho saudável e prazeroso.
Nāo sei se estou agindo correto.
Muitas vezes eu penso que seria mais fácil ser homossexual e dizer -ok, sou gay- a ter que ficar procurando fugas pra meu maior segredo( nāo gostar do sexo ) ou nāo gostar de sexo da forma NORMAL. Sei que nāo gosta dessa palavra, mas é assim que me sinto muitas vezes um ANORMAL.
Sei que ninguem pode fazer nada por mim a nāo ser eu mesmo, mas agradeço por oferecer esse espaço pra no minimo um desabafo, acho que é isso que nós “ANORMAIS” procuramos.
Conclusāo: bi-assexual, uma vez que gosto de relações afetivas independentemente do gênero sexual.
Muito obrigado a todos por compartilhar suas histórias e buscar um CONHECIMENTO sobre essa situaçāo tāo confusa e controversa.
Obrigado Julio, por esse espaço, e pela paciência dispensados aqui.

Boa noite à todos!

Eu considero que é melhor não comentar longamente.

“Muitas vezes acho que realmente eu acabo incentivando essa atraçāo sexual nas pessoas. Mas como já disse gosto desse joguinho de seduçāo, acho saudável e prazeroso.” – Esse ponto não é uma dúvida apenas do J. Já ouvi declarações idênticas das mais diversas pessoas.

Temos uma certa “fantasia” sobre nossa identidade. Temos a ideia de que as pessoas em geral sabem muito bem o que sentem, quem são, etc. Mito. Todos nós vivemos em mares confusos de incertezas.

Algumas pessoas são apenas melhores que outras em performatizar uma fé inabalável. Mas internamente as dúvidas borbulham e se reciclam constantemente.

Ora, mas por que a dúvida seria nossa inimiga?

Por que temos, a princípio, uma atitude tão negativa quanto a duvidar e questionar? Por que a certeza absoluta seria melhor do que a dúvida relativa?

A certeza é uma síntese dialética utópica. A certeza é o resultado final de uma processo de questionamentos e respostas. O que temos na realidade é justamente o processo. O refinamento de nosso conhecimento. E como isso é bom! É justamente aquilo que mais poeticamente chamamos de vida!

Mas muitas vezes, por diversas razões, nos colocamos como deuses. Ao invés da busca, do  refinamento, do aprimoramento… definimos nossa própria certeza e todo o resto não passa de uma tentativa compulsória de sua afirmação.

Pergunto novamente: qual o proveito disso?

Entenda o seguinte: não há benefício algum numa afirmação sexual qualquer. Qualquer que seja não passa de uma muleta, de um cão-guia, de uma “religião”. São ideias pré-concebidas, caminhos já traçados…

Agora, leia novamente e com calma. Se necessário leia mais outras vezes.

Comentários sobre esse ano

Olhando para trás tenho a impressão que o ano de 2010 foi mais intenso que o ano de 2011. Tivemos pouco de tudo. Não dá para listar aqui grandes coisas, etc. já que nada substancial foi feito. Apenas algumas “sementes”, algumas plantadas por parceiros que vão chegando com vontade de ajudar e outras por mim.

Eu sei que tem muita gente com grande potencial, ideias ótimas, carisma, etc. que se escondem e não querem ser expor. Eu espero que nesse ano vocês tenham coragem de mudar. De fazer algo diferente. De perceber que sua indiferença não trás nem ao menos o conforto que você espera, nem a aceitação de seus amigos, ou o amor do seu parceiro ou a realização de sonhos que não são seus. E muito menos… estar calado, se omitir, ou se esconder não torna você “normal”.

Nesse ano minhas preocupações estarão voltadas para a “vida real”. Cheguei a essa conclusão após fazer uma análise da história da site. E vejo que precisamos mudar o estilo atual e voltar para o estilo original. Os textos estarão mais simples, mais objetivos, menos teóricos (textos teóricos podem ser escritos separadamente). Utilizarei mais a experiência de vida das pessoas e minha também.

Até o ano que vem!

Sobre os “nomes”

Gostaria de deixar algo claro que: praticamente todo e qualquer rótulo, nome, denominação classificação, tipo, categoria, etc. usado aqui no site para definir pessoas, personalidade, comportamentos, etc. não passam de recursos para facilitar o trabalho de pesquisa, comunicação, divulgação, etc.

Volto a repetir que a distinção concreta entre “assexuais” e “sexuais” NÃO EXISTE. O fato de alguém se assumir como assexual ou de ter medo de se assumir como tal, ou mesmo reclamar sua “sexualidade” é uma atitude puramente simbólica. É assumir uma identidade, uma imagem, um papel, um lugar na sociedade, etc.

A auto-identificação como assexual ou sexual não parte de qualquer fato concreto. Talvez apenas de uma história. Provavelmente por isso muitas pessoas que se identificam como assexuais nada mais fazem do que olhar para o próprio passado na busca por elementos “não-sexuais”. Elementos esses que também não existem de forma concreta. De tal forma que os elementos que um ou outra usará na sua releitura para a identificação podem ser completamente distintos.

Se definir como assexual ou sexual nada mais é do que o exercício de justificar um ideal. Aquele que deseja, por qualquer razão, ser sexual tentará encontrar (provavelmente) na sua história traços de “sexualidade”. Considerando que esses traços podem ser qualquer coisa que simbolicamente represente aquilo que a pessoa reconhece como “sexual”. Podemos imaginar reações fisiológicas de excitação, desejo psicológicos, determinados comportamentos, ambientes, engajamentos, etc. Até mesmo certas ideias como “eu sou homem porque gosto de mulher”.

É totalmente evidente que esse processo de auto-identificação é constante. As pessoas sempre estão procurando identificar quem são, a que grupo pertecem, como devem se comportar, etc. Então, como é claro, a história de vida é, até certo ponto, auto-condicionada. Ou seja… o assexual ou o sexual (assim como o gay, o negro, o pobre, etc) produz a si próprio enquanto pessoa. Em outras palavras, em certa medida a pessoa produz a si mesma num processo constante.

É claro que podemos – e devemos – considerar a influencial ambiental. Contudo essa influência não deve ser vista como uma força opressiva que se impõe sobre os indivíduos. Mas sim como um processo dinâmico.

Sexual vs. Sensual

“A sexualidade é um carisma, uma potência, um estado. A mulher não tem que querer ser sensual. Ela é sensual só de estar ali, presente, íntegra, sendo ela mesma.[...]”

Interessante… não?

Da Trip

UMA forma de pensar

Outro dia, uma senhora no metrô, conversando com outra, falava coisas que me pareceram absurdas. Ela estava dizendo que, num casamento de 40 anos, aprende-se a tolerar muita coisa: a toalha molhada na cama, o marido que não encontra nada, que exige certos mimos. Mas, lá pelas tantas, ela me veio com a seguinte frase: “Só tem uma coisa que eu já falei pra ele: não faço mais sexo!” E anda justificou: “Ah, eu estou muito ressecada, não dá mais.” Deixa eu ver se entendi: lubrificante íntimo é algo só encontrado em Marte? E, pior: ela sempre fez sexo por obrigação, para agradar ao marido, para cumprir com seus deveres de esposa? Nunca sequer tentou gostar daquilo, conversar com o marido para tornar aquela prática mais agradável? Fiquei chocada! Quase me meti na conversa e recomendei que a dona procurasse um terapeuta, porque detestar sexo desse jeito me pareceu muito estranho. Será que ela é assexual ou somente uma pessoa cuja sexualidade foi sepultada por um monte de preconceitos e experiências ruins?

Alessandro Bianchi/Reuters

Meu amigo, por favor, me permita a arrogância de perguntar… o que faz de você normal? Isso é, como você pode dizer que seu comportamento é aquele cujo podemos classificar como equilibrado, natural, coerente, ou mesmo certo? Permita-me então falar…

Por onde começamos dessa vez? Estava eu a propor para meu irmão uma simples pergunta: como falar daquilo que não existe? Tal como o frio. Afinal a sexualidade é sempre positiva. Ela se expressa apenas na sua forma “calor”. O frio é a ausência de calor. O frio não existe por si só. Não há tal coisa como o frio. Você não pode dar frio para as coisas. Você apenas pode retirar o calor delas. Não é como o afeto, que pode ser positivo ou negativo. O sexo é sempre positivo, sua manifestação é sempre positiva. Então como falar daquilo que não existe? O que seria o frio do sexo???

O incrível truque mental aqui é que na verdade tal coisa chamada sexo não existe! O sexo é o frio… ele não existe. Sexo é um artifício simbólico tal como o frio. Mas evidentemente ele não se refere a um estado físico da matéria.

O que é o sexo? O que é a normalidade? E como nós somos completamente medíocres, não ao errar, mas sim ao reproduzir o erro compulsoriamente sem a menor perspectiva de mudança concreta e voluntária?

Somos de fato patéticos. E para demonstrar isso volto ao meu argumento preferido: o relacionamento. Falar de relacionamento é a forma mais simples de falar sobre sexo. Eu poderia escolher a economia, seria uma forma bem mais simples de demonstrar o que quero dizer. Só que os problemas econômicos transcendem nossa individualidade, muito pouco podemos fazer para alterar a economia, se não, nossa economia privada. Mas os relacionamentos são necessariamente privados, são constituídos e só importam entre mim e outro.

Então, o que temos aqui? Relacionamentos… e o que são relacionamentos? Assim como muitas pessoas se impressionam ao pensar sobre o sexo e como ele transcende nossa individualidade e nossa consciência-autonomia, também é a categoria dos relacionamentos. As formas relacionais não são produzidas pelo indivíduo. Os padrões de código  afetivo (negativo e positivo) não são produzidos individualmente. As metodologias, regras, modos, maneiras, etc. de se fazer uma relação não são igualmente produzidas pelo indivíduo. A cultura não é exposta como um livro aberto, simples e compreensível, que pode ser lido pelo novo ser humano que então poderá aprender com ele e fazer o melhor de sua vida, na sua medida. A cultura é uma imposição inquestionável e compulsória.

A cultura só se torna questionável por uma outra cultura. O indivíduo não possui o direito de questioná-la. E se eventualmente, pelas suas contradições internas, este for levado pela sua compreensão ao questionamento, logo será tratado como algo externo, como um inimigo, aquilo que não faz parte. O indivíduo com muita dificuldade encontrará as respostas para suas eventuais perguntas. O monopólio da cultura veda o olhar e impossibilita a investigação.

Mas, graças a Deus, vivemos na América! E aqui um homem pode ser livre… talvez uma mulher também… quem sabe…

Quando eventualmente as pessoas falam… nem sempre expressam suas palavras. E por isso não falo de uma auto-produção de qualquer conhecimento. Esse conhecimento terá uma origem cultural. Mas esse conhecimento nem sempre – ou quase nunca – é individualmente processado, articulado, questionado, etc. Então diante do negro dizemos apenas que ele é sujo… e diante do pobre que é um condenado, da mulher dizemos “fraca”, do gay “bicha”. Ora, não é um fato novo descobrir que usamos durante um longo tempo conceitos e ideias que não faziam o menor sentido. Percebemos que jamais havíamos pensado minimamente naquilo.

E incrivelmente acreditamos – sem qualquer recurso mental coerente – que aquilo é o melhor ou a forma correta de se fazer determinada coisa.

E não é assim que pensamos nos relacionamentos? Ora, casamento, noivado, namoro, ficar, fidelidade, traição, carinho, amor, divórcio… não foi você que criou esses termos, que formou os padrões, que disse o que seria melhor ou pior. Também não foi seu pai, sua mãe, um cientista, um tecnólogo, um padre, Deus… ninguém! Ninguém em particular, ninguém responsável, muito menos o Governo foi o criador.

Temos a ilusão de que pelo simples fato de que algo existe logo existe em sua melhor forma. É o natural, é o inevitável, é o fato. Podemos pensar assim sobre os relacionamentos… mas também podemos pensar da mesma forma sobre a violência. Afinal, no que é baseada nossa impotência? Numa compreensão racional de que nada podemos fazer? Ou de nossa fé inquestionável de que há uma ordem natural e que a violência é inevitavelmente parte da natureza humana?

O relacionamento atual não é o melhor possível. Não existe qualquer prova que justifique. Nem qualquer evidência de que os indivíduos podem fazer a sua maneira. Mesmo diante de uma cultura plural, supostamente “tolerante” como a nossa. Qualquer indivíduo sofre uma dupla opressão. A primeira, a mais evidente, é aquela dos que não se encaixam. Aqueles que decidem não seguir a norma. – Ou à Norma. Ou aqueles que não são aceitos por Norma. Ou aqueles que não conseguem emular o que Norma ensinou. E em último caso aqueles que Norma designa para serem humilhados, constrangidos e sufocados.

Esses são os revoltados, os revolucionários, os anarquistas. Também são os negros, o chinês, o judeu, os fisicamente diferentes. De outra forma estão os gays, os não-consumistas, o “intelecutal”, os “deslocados”. E por último estão os invisíveis, as vezes bem visíveis. – Afinal, tudo isso se resume em ações positivas (de agrado, gratificação, honras, glórias, prazeres) e negativas (constrangimento, humilhação e sufocamento) que visão tão somente manter a situação atual.

A única razão pela qual a cultura muda é que ela emana das pessoas. E essas pela dinâmica das relações, pelas trocas, pelos eventos extraordinários, pelas confusões e constatações, etc. acabam reformulando as micro-estruturas, o que reflete no todo. Assim a cultura muda com o tempo. Mas nada disso diz que ela muda para melhor. Ela apenas está mudando constantemente.

A segunda forma de opressão está na aceitação do normalismo. Porque um bom fiel nada mais é do que um escravo. A entrega total de sua alma à Norma implica numa desistência de sua autonomia, digamos, do seu self. E evidentemente as pessoas não estão em tais condições. Especialmente em culturas que sofrem diversas outras influências. O que acaba enfraquecendo o inconsciente coletivo fortalece o consciente individual.

Aquele que aceita Norma, em que nível for, sofre as consequências de sua submissão. Goza, evidentemente de prazeres, satisfações, gratificações e glórias. O que geralmente é negado aos excluídos. Mas terá que conviver com as contradições e incoerências. Terá que se abster de qualquer alternativa. Terá mesmo que passar por sacrifícios conscientes. Norma impõe certos “sofrimentos-necessários”, que ela mesma induz, aos seus fieis.

Em nome da prosperidade financeira temos uma economia instável. Em nome da produção e do consumo dos bens, temos o desastre ambiental. Em nome do individualismo, temos a violência. O nome da paz, temos o silêncio omisso. E com medo da solidão temos os relacionamentos.

Simplesmente os relacionamentos não funcionam. E por relacionamento entenda aqui a sua instituição. Seus modos de pensar, sentir, fazer, reproduzir, retro-alimentar, etc. Os relacionamentos não funcionam, isso é: não existe nada em sua mecânica, que necessariamente produza alegria, satisfação e prazer denso, estável e coerente. A “felicidade” de que tanto falamos.

Ora, meus caros, como poderíamos dizer algo diferente sobre tal instituição que não foi jamais planejada, arquiteta, refletida, questionada, reformulada, etc. deliberadamente com o objetivo de produzir algo melhor?

Mesmo um bom conselheiro amoroso, de casais, de família, etc. não pode ir além do Reino de Norma, e consequentemente só pode pensar no relacionamento em suas próprias categorias. Ele não pode ir além.

E é assim que nos encontramos. Mesmo quando percebemos falhas em nossos relacionamentos (o que geralmente é uma simples observação de nossa infelicidade) só conseguimos re-afirmar sua estrutura. Ao viver um problema dentro de um namoro, por exemplo, não imaginamos jamais que aquele problema é produzido pela instituição do namoro. Que talvez, talvez… apresente algumas incoerências com outros valores, com outras formas de pensar, com certas circunstâncias e experiências de vida. Não… o problema está, é claro, que ele está me traindo, que ela não me ama, que ele tem outra, que ela não sabe o que é amar, que ele não quer nada sério, etc.

Mas e se eu pudesse criar a minha forma de me relacionar? Se eu pudesse modificar, criar e re-pensar as velhas formas?

Veja, temos uma cultura. Que na verdade não é só uma. E todas as “variações” e “contradições” presentes nesse texto só são possíveis porque não há UMA cultura. Se assim fosse, em tal monopólio absoluto (que jamais existiu), as pessoas não seriam diferentes de robôs. Na verdade tal quadrão tornaria impossível a própria existência de uma cultura. A cultura é naturalmente composta por contradições, separações, classificações, etc. Ou seja, ela é por si mesma dinâmica, mutável. Ao mesmo tempo que precisa de mecanismos de estabilidade, de manutenção e reprodução.

A questão não é pensar na forma “certa” de se fazer as coisas. Mas em nossa autonomia diante dessas coisas. No quanto nós abrimos mão de nossa liberdade diante da vida.

Por que falei tudo isso sobre relacionamentos? Porque falar sobre relacionamentos é falar de sexo. Mas não existe relação necessária entre essas duas coisas!

Sexo não é parte intrínseca do relacionamento. O relacionamento não é constituído de sexo e “outras coisinhas mais”, como muitos pensam. Sexo é o frio, sexo é o artificial.

Bem, para não deixar os bons adoradores de Norma assustados, pense que também é o abraço, o beijo, o toque carinhoso, o olhar, as palavras, etc. Tudo isso é artifício. Não há nada intrinsecamente ruim na cultura, nos artifícios, nas invenções humanas para a vida. As palavras permitem a comunicação simbólica, o beijo permite uma demonstração de afeto, etc.

Existem problemas secundários. Podemos falar de sexismo, de racismo, de intolerância de uma forma geral… mas aqui falamos de uma coisa que chamamos de assexualidade.

Mas falar sobre assexualidade não é o objetivo desse post. Mas sim questionar.

Vamos voltar ao texto no começo desse post:

Deixa eu ver se entendi: lubrificante íntimo é algo só encontrado em Marte? E, pior: ela sempre fez sexo por obrigação, para agradar ao marido, para cumprir com seus deveres de esposa? Nunca sequer tentou gostar daquilo, conversar com o marido para tornar aquela prática mais agradável? Fiquei chocada!

Você não percebe que está pensando de dentro? Por que ela teria que procurar tentar gostar daquilo? Depois de ler tudo que disse, essa sua afirmação tão ingênua não parece ser muito mais? Você não percebe que por trás disso há um totalitarismo que constrange não somente VOCÊ como as demais pessoas?

Por que o absurdo? O que essa senhora disse/pensa/sente que ofende tanto? Será que você não percebe que o absurdo está em você?

Afinal, qual é a necessidade de se fazer dessa prática algo mais agradável??? Me responda, por favor!

Qual é a lógica por trás da industria pornográfica, dos produtos vendidos no sex-shop, dos aconselhamentos para casais, das dicas sobre como fazer uma transa perfeita, sobre como se reificar num objeto esteticamente erótico, da manutenção de relações frustradas, etc? Qual é a maldita lógica?

A felicidade? Você?

Não estamos dando voltas compulsoriamente em torno de velhos problemas não resolvidos? Não estamos alimentando e reproduzindo formas de viver que não suportamentos? Talvez não estamos nos preocupando muito mais em afirmar para fora e para dentro uma felicidade que não existe? Ou mesmo em tentar interpretar certos experiências caóticas como prazer?

Ora, será que não percebemos que em tais condições não podemos nem mesmo pensar positivamente no sexo? Isso é, não podemos “melhorar” o sexo sem voltar ao velhos problemas de reprodução da alienação – pensando dentro do próprio sistema?

Minha proposta é simples. Se podemos colocar o sexismo, a poluição, a natureza, a violência, a igualdade, a economia, etc. em nossa lista de preocupações constantes… por que iríamos excluir a coisa que seria a mais importante em nossas vidas, isso é, os relacionamentos (e logo a “sexualidade”)?

A culpa é dos hormônios!

Clique na imagem para ampliar.

Imagem e texto original aqui.

Existe uma diferença GRITANTE entre os diferentes fluxos hormonais e como eles de fato alteram o humor das pessoas. As mulheres não possuem UM processo menstrual. Cada mulher terá uma experiência diferente. As reações fisiológica e psicossomáticas serão diferentes.

O que pode fazar sua relação dançar? Salsa???

10- Boa sexualidade

Intimidade e namoro precisam estar presentes. Num relacionamento duradouro é comum alternar fases mais intensas com fases mais tranquilas. Mas quando o sexo deixa de acontecer ou de ser importante é sinal de um alerta para o casal reciclar sua vida afetiva e sexual.

Afinal, é completamente evidente e inquestionável que sexo é importante para uma relação! Afinal… o que mais seria??? Sexo é vida!

Legal, não? Texto integral aqui.

E assim Deus criou Adão…

“Eva foi criada porque Adão tinha certas necessidades. Os homens têm necessidades que não podem controlar. E se estas necessidades não são saciadas, os homens se voltam contra as mulheres. Assim Alá os fez”, declarou a vice-presidente do grupo, Rohaya Mohamad, em uma recente entrevista.

Sério? Texto integral aqui.

Nosso Chat: Alpha

Olá pessoal! Estamos iniciando um novo chat no terra. Vamos chamá-lo de Alpha. O nome já diz tudo! rsrs

Quem quiser conversar com a gente, basta clicar aqui ou acessar: http://novochat.terra.com.br/salas/usuarios/assex

Espero vocês lá! ;)