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Original em inglês: AVEN


Perguntas sem sentido
Por Bard (Aven); Traduzido por Luiza


Acontece quando você se assume perante um amigo ou algum grupo. Se você tiver sorte (ou má sorte, depende do seu ponto de vista) de ser entrevistado pela imprensa, é provável que o mesmo aconteça: o bombardeio de perguntas sem sentido.

"Você já fez sexo?"

"Você se masturba?"

Agora, apenas como um exercício de retórica, leia repetidamente as frases acima, dando ênfase à primeira palavra, depois à segunda e por aí vai.

Tá, isso foi só por diversão. Vamos ao que interessa: a razão de minha recusa em responder essas perguntas.

1. Não é da conta de ninguém, só minha. Se eu acho que nos conhecemos o suficiente para compartilhar histórias sobre minha vida sexual, vou te contar. Caso contrário, é simplesmente rude e indelicado perguntar.

2. Tira o foco da identidade asexual e do que significa ser asexual. Estou falando sobre uma orientação sexual e a pergunta é sobre comportamento. Se eu disesse ser um transexual a fim de mulheres, a próxima pergunta não seria "Nossa. Como você... faz?". Acho que não. As perguntas que não são feitas para as minorias sexuais também não deveriam ser feitas aos asexuais.

3. Tira o foco da identidade por outras razões. Algumas pessoas, não importa sua orientação, às vezes atuam fora dessa orientação por várias razões e por tempo indeterminado. Alguns asexuais são sexualmente ativos. Kinsey demonstrou que muitos homens hetero tiveram experiências homosexuais. Algumas lésbicas engravidam da maneira tradicional. Alguns sexuais são celibatários. Eu tento dizer quem sou e querem saber como eu me comporto? Sai dessa.

4. Querer saber sobre o que eu faço ou fiz com meu pênis diz mais sobre quem perguntou do que o que quer eu faça ou fiz com meu pênis diz sobre mim. Preciso falar mais sobre isso?? Sim? Então tá: a pergunta indica que a aceitação da asexualidade, levar a asexualidade a sério e ver os asexuais como pessoas dignas do mesmo respeito que qualquer outra ainda não é realidade. Essas perguntas falam mais sobre quem perguntou do que sobre quem foi perguntado.

5. Eu me sinto confortável e feliz com quem sou, com o que faço e fiz, o que quer que seja. Mas ninguém gosta de ter sua história pessoal transformada em fofoca e rumor. E quando se responde essas perguntas ao se assumir asexual, é o que normalmente acontece. As pessoas falam e isso abre caminho para o desrespeito. Obrigado, mas não, obrigado,

6. Ao responder essas perguntas, um asexual só tem a perder. Se você já fez sexo ou faz ou se você se masturba, não pode ser asexual, pode? Sejam sinceros, quando contam isso a alguém, sua asexualidade é questionada. E se você não fez sexo nem se masturba, recebe a velha resposta de "como pode saber se nunca fez?" E se você não faz sexo, mas se masturba, é visto como o pobre coitado perdedor que não consegue um parceiro(a).

7. Para finalizar (por enquanto): existe todo um mito de associar inexperiência com inocência. Muitas pessoas e alguns sistemas religiosos associam a virgindade/abstinência com algum tipo especial de inocência/pureza/divindade que faz com que os inocentes sejam superiores. Se fosse virgem, não gostaria de ser associado a esses pensamentos nem pensaria assim. Não há nada de inocente/divino em mim. Se não fosse virgem (pensaram que eu ia me dedurar, né?) não gostaria de ser visto como inferior. Há todo um sistema de valores/julgamento associado à virgindade que é completamente ridículo para mim. E não quero caminhar para esse tipo de discussão.

E se nada disso for suficiente e alguém ainda quiser saber se faço sexo ou me masturbo, eu me apóio na constituição. Na liberdade de pensamento e imprensa, liberdade de opinião. Isso significa que você é livre para perguntar e eu sou livre para não responder.


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